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Especial

Sandra Maria de Toledo Zago: uma vida dedicada ao Carnaval

Por Joel Castilho

Bragança Paulista já respira o clima de Carnaval. Faltando 21 dias para iniciar a maior festa popular do país, o Jornal Em Dia Bragança traz, na edição deste sábado, 20, uma matéria especial que conta a história de Sandra Maria de Toledo Zago, com a contribuição do comunicador Nando Fagundes, apresentador do Programa “Sempre Mais”. Aos 77 anos, e rodeada por memórias que se desdobram ao longo de décadas de dedicação ao Carnaval bragantino e da região, ela compartilha com os leitores sua fascinante trajetória na folia de momo.

Filha de uma costureira e neta de modista, Sandra encontrou na arte da costura não apenas uma profissão, mas uma paixão que a guiou por um caminho de realizações e conquistas no universo do samba.

INÍCIO NA COSTURA E AMOR PELO CARNAVAL

Desde os 20 anos, Sandra se dedica à costura, influenciada pelo legado da mãe e avó. A paixão pelo Carnaval surgiu quando ela se casou, em 1967, com Cláudio Zago, um dos fundadores da escola de samba Unidos do Lavapés. Assim começou a história desta carnavalesca no mundo do samba e, desde então, ela passou por todas as escolas de samba da cidade, costurando e contribuindo de todas as maneiras possíveis para a festa.                                                                        

DESAFIOS E CONQUISTAS CARNAVALESCAS

Ao longo de sua jornada, Sandra Zago enfrentou desafios e celebrou conquistas, tendo participado ativamente da fundação da Caprichosos Anchieta e, posteriormente, recebido homenagem da Escola de Samba Unidos das Águas Claras, incluindo o título de “Cidadã do Samba” em 2010.

Ela lembra com carinho e com emoção uma das passagens memoráveis que teve no Carnaval de Bragança, em 1979.

“Fui procurada na ocasião pelos diretores da Acadêmicos da Vila, na época, o Cisca (presidente) e o Hélio (diretor), para que eu os ajudasse na montagem do Carnaval daquele ano. A escola levaria para a avenida o enredo 'No reino dos Orixás'. Não foi fácil, pois, na ausência de carnavalescos, eu assumi múltiplos papéis, desde a concepção das fantasias até a execução de cada detalhe. Naquela época, a costureira tinha que pensar em tudo. Minha tia Maria, que sempre me ajudou, fez até cabeças de bateria com penas de galinha para o desfile com o tema do enredo.

Durante a preparação da escola, eu e o diretor Hélio tivemos nossas diferenças, mas fizemos um acordo: se não fôssemos campeões, eles não me pagariam. Nessa época, a concentração das escolas de samba era no Larguinho das Pedras. E quando a Vila se formou, era visível no rosto de cada componente e dos diretores a felicidade do dever cumprido. Na segunda-feira de Carnaval, logo de manhã, me aparece em casa o presidente Cisca com um saquinho de papel desses de padaria na mão, acompanhado pelo Hélio, que me disse: 'Sandra, nós viemos te pagar.' E eu respondi a ele: 'Hoje não é quarta-feira, espere a apuração.' Mas, emocionado, com os olhos cheios de lágrimas, ele falou: 'Para nós, independente do resultado, a nossa escola já é campeã'. Ele me abraçou, agradeceu, pediu desculpas e me entregou o pagamento pelo trabalho que fiz. Na quarta-feira de cinzas, veio a confirmação da vitória da Acadêmicos da Vila. Foi uma conquista significativa para a comunidade, pois foi o primeiro título conquistado pela Vila no Carnaval de Bragança. Essa passagem foi marcante na minha vida e guardo com imensa gratidão por todos que fizeram parte dessa jornada”.

O AMOR PELO CARNAVAL E A MAGIA DOS TRÊS DIAS DE FESTA

“Eu amo o Carnaval porque são três dias em que todos nós estamos felizes. Nós nos sentimos como reis, livres de qualquer doença. Estamos prontos para rir e brincar. Na quarta-feira, a batalha recomeça, mas até o próximo ano, somos todos um só coração”, conta.

Ao relembrar sua extensa carreira, Sandra expressa profundo agradecimento ao seu esposo, Cláudio Zago, por ser a fonte de seu amor pelo Carnaval. “Eu já participei de mais de 15 carnavais completos, costurando desde a primeira até a última fantasia. As escolas e blocos com os quais contribuí com o meu trabalho foram: Acadêmicos da Vila, Caprichosos Anchieta, 9 de julho, Dragão Imperial, Unidos das Águas Claras, Gaviões de Ouro, Sociedade Fraternidade, Mocidade Júlio de Mesquita, Realeza Imperial, Herdeiros do Dragão, Novinhos de Julho e também no bloco da Santa Terezinha. Também trabalhei no Carnaval de algumas cidades da região”.

Além de suas contribuições ao Carnaval, Sandra também atuou por 35 anos no ramo empresarial, dedicando-se à confecção de fantasias, um legado que ultrapassa as fronteiras da avenida.

Para encerrar, a carnavalesca apaixonada pela costura – cuja dedicação à festa mais popular do país deixou uma marca indelével na história das escolas de samba e no coração da folia bragantina – deixa uma mensagem a todos os foliões da cidade. “Um abraço a todos os foliões e feliz Carnaval a todos! Que o espírito festivo e a alegria contagiem cada coração neste ano de 2024. Viva o Carnaval!”.

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