Reunião da CEI do Jardim Nogueira quase termina em prisão de testemunha

Por se negar a apontar nomes, Carlos Alexandre de Sá Oliveira foi avisado de que poderia receber voz de prisão. Então, passou a dar nomes de vereadores, ex-vereador e até de ex-vice-prefeito como envolvidos no incentivo à ocupação do Jardim Nogueira

 

Os vereadores Juzemildo Albino da Silva e Valdo Rodrigues foram apontados por Carlos Alexandre de Sá Oliveira como incentivadores da ocupação no Jardim Nogueira. Além deles, o ex-vereador Toninho Monteiro e o ex-vice-prefeito Luiz Gonzaga Pires Mathias também teriam colaborado para a proliferação das construções no local, conforme declarações de Carlos, também conhecido como Cote.

Essas informações vieram à tona em reunião realizada na quinta-feira, 5, na Câmara Municipal, que investiga, por meio de CEI (Comissão Especial de Inquérito), o suposto incentivo de agentes públicos na ocupação do loteamento.

Inicialmente, foi colocado o áudio da sessão do dia 15 de outubro, quando Cote acusou secretários municipais da gestão anterior de terem doado material para pessoas que estavam construindo no Jardim Nogueira. A acusação também seria de que pessoas em nome de vereadores teriam procurado Cote para que um “cantinho” fosse arrumado para outras pessoas.

Cote, que estava acompanhado por um advogado, manteve as afirmações. “Houve sim, várias doações de materiais em nome de ex-vereadores e ex-secretários”, declarou.

Os vereadores membros da CEI então perguntaram os nomes desses agentes políticos, mas a testemunha disse que até poderia indicá-los, mas preferia manter o sigilo.

Cote ainda declarou que vereadores da atual legislatura tiveram carro adesivado, durante a campanha eleitoral do ano passado, circulando pelo Jardim Nogueira e entregando materiais. “Vocês tem que tomar cuidado com quem põem para trabalhar”, aconselhou.

As afirmações da testemunha, porém, eram contraditórias, pois, ora ela afirmava que os candidatos a vereadores haviam estado no local e depois dizia que pessoas em nome deles é que haviam feito isso. A contradição também era nítida quando Cote dizia que carros adesivados pedindo votos teriam passado pelo loteamento e, ao ser informado que isso não é proibido, ele completava que pessoas em tais veículos também ofereciam e levavam materiais de construção em nome dos candidatos para os quais estavam trabalhando.

Cote afirmou então que existe uma filmagem que pode provar suas acusações, mas que não tem certeza se ela ainda existe. “Se eu conseguir essa filmagem, vou exibi-la em plenário”, assegurou.

Mas até então, não haviam sido citados nomes de agentes políticos, apenas denúncias evasivas eram lançadas.

“Por que vocês não vão lá fazer um levantamento do bairro? Simplesmente querem que eu dê nomes? Vão lá, investiguem”, provocou Cote, reafirmando: “Teve, sim, secretários da gestão passada que pediram para encaixar as pessoas”.

Nesse momento, o presidente da CEI, vereador Valdo Rodrigues, avisou que na condição de testemunha Carlos poderia receber voz de prisão caso não indicasse nomes. “Posso lhe dar voz de prisão, o senhor pode sair daqui preso”, avisou Valdo.

As vozes se exaltaram até que Cote resolveu indicar nomes. Os primeiros foram os dos vereadores Juzemildo e do próprio presidente da CEI, Valdo.

Com a insistência dos vereadores para que a testemunha apontasse os nomes de ex-secretários, já que ele havia feito essa denúncia, Cote disse que outros envolvidos são o ex-vereador Toninho Monteiro e o ex-vice-prefeito Gonzaga Mathias. “Teve carro lá pedindo voto, doando material. Tem que tomar cuidado com quem trabalha para os candidatos”, voltou a aconselhar.

Os membros da CEI começaram a pedir mais detalhes e a testemunha afirmou que os carros que estiveram no Jardim Nogueira, entregando materiais de construção em nome das pessoas citadas foram: uma camionete vermelha e um Uno em nome do então candidato e agora vereador Padre Juzemildo; uma Kombi, em nome do também então candidato e agora vereador Valdo Rodrigues; e uma moto em nome do ex-vereador Toninho Monteiro.

Os vereadores questionaram sobre a participação do ex-vice-prefeito Gonzaga Mathias e Cote disse que a atuação dele era no sentido de pedir apoio para o “candidato deles”.

Valdo então perguntou se o fato de máquinas estarem trabalhando no Jardim Nogueira, flagrado recentemente, também tem ligação com vereadores ou ex-vereadores e Cote respondeu que não.

Nova exaltação de vozes se deu entre Quique Brown e a testemunha, pois o vereador questionou pontos específicos da fala de Cote, que acabou se esquivando e voltando atrás no que já havia afirmado.

Outros nomes citados durante a reunião foram o do vereador Dito do Ônibus, que a testemunha enfatizou que esteve no Jardim Nogueira para visitar parentes e nunca doou nada a moradores daquela área, e Fábio Nascimento, que foi candidato a vereador na eleição do ano passado. Este, segundo Cote, estaria tentando ajudar os moradores a negociar a compra dos lotes diretamente com os proprietários, mas não na época eleitoral.

Já o vereador Paulo Mário Arruda de Vasconcellos foi mencionado pela testemunha como alguém que nunca visitou o bairro, mas que sempre denunciava o aparecimento de “mais um telhadinho” no local.

Ao final da reunião, o vereador Valdo questionou se Cote pode provar tudo o que falou. A testemunha então afirmou que vai procurar pela filmagem e a data de 13 de fevereiro de 2014 foi estipulada para a apresentação desse material, até porque a Câmara entra em recesso neste mês.

 

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