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Crônicas de um Sol Nascente

Retrospectiva: três anos

Tudo começou assim: em uma certa noite de julho de 2019, recebi uma mensagem de minha querida amiga, a Escritora Henriette Effenberger, fazendo-me o seguinte convite – assinar uma coluna para o Jornal Em Dia, de Bragança Paulista. Convite este, claro, que, muito me alegrando, aceitei prontamente. E depois disso, tudo aconteceu muito rápido. Fui apresentado por Henriette à jornalista Ana Paula Estevam, que, por sua vez, apresentou-me aos irmãos Joel Rodrigues Castilho (diretor esportivo) e José Carlos Rodrigues Castilho (diretor-proprietário do jornal) – todos com os quais acabei construindo também uma linda amizade. De modo que, no dia três de agosto de 2019, estreava no jornal a coluna “Crônicas de um Sol Nascente”.

De lá para cá, foram setenta e sete crônicas publicadas (incluindo esta de hoje). Crônicas que divertiram (“Fuku”), dividiram (“Tapa”) e até espantaram a quem, naturalmente, tinha uma outra visão do Japão (“O Japão Esquecido”). E houve, claro, a longa sequência de crônicas a respeito da pandemia. “O vírus e o micróbio” e “Duas máscaras”, por exemplo, apresentaram aos leitores do Brasil (que, até então, tinha baixos índices de infectados), o medo, na Terra do Sol Nascente, em relação àquela “perigosa gripe” oriunda da vizinha China. E, quando a doença virou pandemia, crônicas como “Fachos de luz” tentaram trazer uma esperança por meio do exemplo japonês, que, felizmente, respeitando o distanciamento social, conseguiu evitar muitas mortes.

A pandemia, aliás, voltou a assustar o Japão em 2022; mas, agora, procuro evitar um assunto que, além de negativo, já foi comentado à exaustão. Por isso, tenho tentado escrever textos em que retrato, por exemplo, o orgulho de nossa brasilidade no país (“Brasil com ‘B’ de Bossa”) ou o lado humorístico de ser estrangeiro (“O estrangeiro engraçado”). Isso porque, além de pôr em prática, com esses temas, o lado leve da crônica, é uma oportunidade de fazer uma homenagem a um assunto tão caro para mim: o da miscigenação – esse maravilhoso poder da simbiose de culturas que permite que, de mãos dadas, possamos vencer quaisquer desafios que se apresentem (incluindo uma pandemia).

Sim, gosto deste termo: simbiose de culturas. Pois é isso que tenho vivido nesses vinte e um anos de Japão: seja na vida pessoal, seja nos meus escritos. E claro que, para retratar este Japão cada vez mais miscigenado, acabo destruindo estereótipos e mitos consolidados (e celebrados) pelo Ocidente. O que vai agradar a uns; mas a outros, nem tanto. Porém, quanto às rejeições, nada posso fazer além de continuar escrevendo e descrevendo o que testemunho e vivencio. Porque, para o bem ou para o mal, o Japão que desejo apresentar quinzenalmente aos leitores não é o de um ponto turístico: mas o Japão do meu cotidiano. E ser honesto também é essencial na escrita.

Por tudo isso, agradeço ainda mais ao Jornal Em Dia: por abrir as portas em todos os sentidos para o meu “Japão desestereotipado”. Arigatô, queridos, por essa linda parceria... sem fronteiras nem barreiras!

Até a próxima edição!

***

EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quatrocentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal, é autor de dez livros, sendo o mais recente Contos de um Brasil esquecido, lançado pela Editora Folheando (Pará), e finalista do Prêmio Uirapuru. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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