Representante do movimento em prol da reabertura do Bom Jesus apresenta motivos e denúncias relacionadas à reivindicação na Câmara

Inscrita pelo vereador Jorge Luís Martin, a funcionária pública municipal aposentada Maria Bueno da Silva teve a oportunidade de usar a Tribuna Livre da Câmara Municipal na sessão da última terça-feira, 19, para justificar o pedido de reabertura dos serviços de 24 horas de urgência e emergência do Bom Jesus.

Maria Bueno começou sua explanação relatando o ocorrido na reunião do Conselho Municipal de Saúde, realizada na manhã de sexta-feira, 15. Na ocasião, ela não pôde usar o equipamento datashow para fazer sua apresentação. Ela ainda considerou que o tempo utilizado pela secretária de Saúde Estela Gianesella para explicar o Planejamento Anual de Saúde foi grande e impediu que ela pudesse falar, já que teve sua chance somente às 12h45.

A funcionária pública aposentada representa cerca de 3.500 pessoas que participaram de um abaixo-assinado em prol da reabertura do Bom Jesus. “A zona norte quer que continue aquilo que foi fechado”, disse ela.

Maria Bueno ainda apresentou uma série de motivos para a reivindicação e denúncias relacionadas ao pedido. Os motivos apresentados foram a vontade popular, representada pelo abaixo-assinado, o critério demográfico, pelo fato de a zona norte possuir aproximadamente 50 mil habitantes, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, além da localização do antigo pronto-atendimento próxima a bairros como Jardim Águas Claras, Jardim da Fraternidade, Parque dos Estados, Hípica Jaguari, Vista Alegre, Jardim do Cedro, Jardim do Tanque, Tanque do Moinho, Toró, Torozinho, Jardim Santa Lúcia, Jardim Morumbi, Jardim São Caetano, Guaripocaba, Menin, Curitibanos, Araras, Agudos e Estiva do Agudo.

Outras razões expostas por Maria Bueno foram a compatibilidade com o Plano Diretor e legislação do município, em relação à implantação de hospitais com atendimento de emergência e prioridade para estabelecer unidades de saúde na zona norte, além da utilização dos recursos previstos no planejamento da área. Para ela, alguns gastos realizados pela Associação Brasileira de Beneficência Comunitária (ABBC) em áreas como Propaganda e Marketing e Contabilidade poderiam ser revistos.

Uma das denúncias apresentadas pela representante do movimento dizia que os moradores da zona norte estão desassistidos em relação à saúde. Outro ponto questionado foi a prestação de contas da ABBC. De acordo com Maria Bueno, não existem recibos de prestação de serviços da organização nos relatórios de despesa. Ela também questionou o limite da contratação de terceiros para a realização de serviços e afirmou que funcionários municipais concursados em licença não remunerada haviam sido contratados pela instituição.

A manifestante ainda criticou o que chama de “prática de caridade” aplicada pelo poder público, referindo-se ao fato de que moradores de outras cidades utilizam os serviços de saúde em Bragança Paulista. “Poder público não é para fazer caridade”, explicou.

Outra denúncia apresentada foi a demora na habilitação da Unidade de Pronto-atendimento (UPA) da Vila Davi para o recebimento de recursos financeiros. Maria Bueno alegou que o Bom Jesus poderia ser adaptado aos padrões do governo para que pudesse receber recursos federais.

Ela ainda criticou o serviço da atenção básica de Saúde da Família, no que diz respeito ao vínculo entre médico e paciente. Para a representante do movimento, a contratação de profissionais temporários faz com que cada vez que o morador vá a uma consulta seja atendido por uma pessoa diferente e a criação desse vínculo fique prejudicada.

O último ponto questionado por Maria Bueno foi o uso de recursos municipais pela Câmara Municipal. Ela afirmou que a Câmara havia devolvido aos cofres do município um saldo de mais de R$ 3 milhões em dezembro de 2013. Para ela, tais recursos poderiam ter sido aplicados na área da Saúde se fossem repassados ao longo do ano.

Maria Bueno encerrou sua participação fazendo um agradecimento aos voluntários do movimento.

 

OS VEREADORES

 

Durante a sessão, alguns vereadores registraram suas opiniões sobre a exposição de Maria Bueno. Jorge Luís Martin afirmou que pretende se reunir com a representante do movimento para tratar do assunto.

O vereador José Gabriel Cintra Gonçalves criticou o fato do Conselho Municipal de Saúde ter restringido a fala da representante. Ele também comentou as denúncias levantadas por ela: “Essa Casa tem a responsabilidade de apurar”.

Gislene Cristiane Bueno disse que essas denúncias podem ser incluídas na elaboração da Comissão Especial de Inquérito (CEI) sobre a Saúde que ela pretende pedir a implantação. Segundo a vereadora, os dados podem servir de fundamentos para a comissão. “Para que a gente possa parar de patinar sem sair do lugar”, completou.

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