Representante da Nossa Senhora de Fátima dá explicações para reclamações recorrentes

Participou da Primeira Hora da sessão ordinária da Câmara Municipal, nessa terça, 3, Víctor Manuel Carreira Agostinho, representando a empresa responsável pelo transporte coletivo em Bragança Paulista, a Nossa Senhora de Fátima.

A proposta era que Víctor discorresse sobre a mobilidade urbana e sua aplicabilidade na cidade. Ele fez algumas explanações sobre o conceito de mobilidade urbana, observando que quanto mais planejado e recente é o município, melhor é sua mobilidade urbana.

Víctor explicou, ainda, que o transporte coletivo foi criado para atender, a um custo baixo, as pessoas que têm de se deslocar diariamente para trabalhar e estudar. “Nunca foi a intenção do transporte coletivo atender a todos”, disse.

O manifestante, convidado pela Comissão Permanente de Justiça, Redação, Defesa do Meio Ambiente e do Consumidor, considerou que é preciso pensar na estrutura viária que leva as pessoas dos bairros residenciais ao Centro, ressaltando que a tendência atual é o crescimento de residenciais no lado norte da cidade. Assim, o canal para o deslocamento é sempre o mesmo, a Avenida Atílio Menin, Avenida Lindoia e Dr. Freitas até chegar na Antônio Pires Pimentel. “A estrutura não foi desenhada para suportar esse aumento de bairros. Tem que se pensar na estrutura viária para suportar o transporte coletivo e também os demais carros. A estrutura viária tem de atender a todos os tipos de veículos”, justificou.

Fazendo uma comparação com o município de São Paulo, Víctor disse que lá há mais de sete mil habitantes por quilômetro quadrado e em Bragança, esse número é de 270 habitantes/km2. Assim, apesar de os coletivos percorrerem uma distância muito maior na Capital, eles também atendem um número muito maior de passageiros, segundo o representante da Nossa Senhora de Fátima. “Não existe passagem de graça. O que existe é quem paga pelo quê”, afirmou, apontando que em muitos locais, inclusive na Capital, o transporte público é subsidiado pelo município.

Víctor mencionou a lei 12.587/2012, que trata da mobilidade urbana e prevê a possibilidade de subsídio às empresas que prestam serviço de transporte coletivo. Além disso, citou que nos últimos anos a Nossa Senhora de Fátima perdeu 40% de seus passageiros. “O aumento da tarifa é quase que inevitável. As alternativas de transporte que vieram, vieram para os indivíduos pagantes e não para os não-pagantes. A mãe, o avô do indivíduo que comprou moto, por exemplo, continua andando de ônibus”, declarou.

O representante da empresa de transporte coletivo de Bragança Paulista também disse saber que o preço da tarifa está alto na cidade. “A gente sabe que a tarifa está cara, acreditem, a gente sabe. Nós sabemos que se o cara tiver de viajar quatro vezes por dia fica pesado”.

Voltando a falar do trânsito, Víctor afirmou que o maior vilão do tráfego atualmente é o carro, que ocupa cinco metros lineares para transportar uma única pessoa.

Ele também fez suas considerações sobre a lotação dos coletivos nos horários de pico, afirmando desconhecer solução para esse problema. Víctor contou que uma das alternativas pensadas para resolver ou amenizar o problema seria trabalhar com ônibus articulados, maiores que os que circulam atualmente. A questão, conforme contou, é que esses veículos suportam no máximo 15% de aclive e em Bragança há locais com até 18%, de acordo com o manifestante. “Não existe transporte público que não tenha aglomeração”, disse, mencionando outros tipos de transporte, como o metrô.

Víctor falou, ainda, da Avenida Antônio Pires Pimentel, sugerindo que uma possível solução para o trânsito no local possa ser fazer um estacionamento próximo, para tirar o estacionamento dessa avenida, alargá-la e então criar um corredor para ônibus e carros com três pessoas ou mais terem prioridade.

O representante da Nossa Senhora de Fátima citou ainda outras sugestões que podem amenizar o trânsito na cidade e depois contou que a empresa gasta aproximadamente R$ 18 mil por mês com o conserto de veículos que são depredados. Quando um ônibus quebra ou é quebrado, ele não vai aparecer no ponto e, então dependendo de onde é a ocorrência, segundo Víctor, é possível que duas viagens sejam “matadas” até que um veículo reserva chegue, já que a garagem é distante do Centro. “Uma coisa eu garanto: todos os nossos ônibus saem no horário da garagem. Agora, o que acontece daí para frente não dá para prever”, declarou.

Os vereadores Marcus Valle e Beth Chedid fizeram alguns questionamentos, então.

Marcus perguntou sobre a quantidade de veículos e possibilidade de rachaduras nas casas. Victor disse que a Nossa Senhora de Fátima tem aproximadamente 89 veículos urbanos e que o problema de causar rachaduras nas casas se deve a lombadas construídas fora das especificações, muitas vezes pelos próprios moradores.

O vereador falou também que, apesar de o representante da empresa dizer que o número de passageiros diminuiu nos últimos anos, eles cortaram os cobradores dos veículos, o que diminuiu também os gastos com folha de pagamento. Víctor justificou que a catraca eletrônica foi implantada devido a ocorrências frequentes de assaltos e que com isso o embarque ficou mais rápido.

Sobre o cartão da empresa, Víctor destacou que a vantagem é a integração e que hoje pouco mais da metade dos passageiros utiliza o cartão.

Beth disse que, como Víctor argumentou que os ônibus adaptados não são usados pelos deficientes devido à falta de acessibilidade na cidade, ele deveria se reunir com os candidatos a prefeito neste ano para que o eleito desenvolva um projeto de acessibilidade, a fim de que a médio prazo o problema esteja resolvido na cidade.

Depois, a vereadora afirmou que ela e seus colegas recebem muitas reclamações sobre o transporte prestado pela empresa, especialmente de falta de pontualidade nas linhas, veículos sujos e falta de abrigos. “Acho que a empresa tem de se preocupar em melhorar o serviço”, afirmou Beth, acrescentando que não acredita que a Nossa Senhora de Fátima tenha prejuízo.

Ela ainda observou que a questão do transporte tem de ser muito discutida e avisou que não tem problema algum em fazer isso. “Não tenho problema porque a empresa não me ajudou na campanha e também eu não aceitaria, mesmo que quisesse ajudar”, declarou.

Víctor encerrou sua participação agradecendo o convite e também ao secretário municipal de Trânsito e Segurança, Sérgio Pereira, que estava presente e que, conforme o manifestante, o ajuda a resolver os problemas que aparecem. Ele também pediu desculpas pelas falhas e garantiu que a empresa está sempre preocupada em melhorar.

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