Mais uma vez, indiretamente, o foco de nossos comentários abrange as eleições deste ano, que definirão o novo comandante da cidade. O prefeito que assumir o Poder Executivo de Bragança Paulista terá também a difícil tarefa de repensar o modo como são realizadas algumas festas no município.
Neste ano, a atual administração tentou fazer algumas alterações no Carnaval, mas algumas outras propostas não se concretizaram. Licitar a praça de alimentação só acabou tirando a responsabilidade e o lucro da Liesb (Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança Paulista) e das escolas de samba para repassá-los a uma empresa que já vence várias concorrências na cidade, como a do cercamento da área de desfiles, a de montagem de estruturas, como arquibancadas, para o Carnaval e da Festa do Peão.
E, falando em Expoagro e Festa do Peão, aproveitando que este é o último dia dos eventos, algumas considerações são necessárias, para que, quem sabe, o próximo prefeito tome algumas providências.
Todos os anos, os preços praticados dentro do Posto de Monta são altíssimos se comparados ao valor de mercado. Lanches sendo vendidos a R$ 12,00, doces e água por R$ 4,00, no mesmo valor da cerveja, tudo muito caro. Os ingressos para os brinquedos do parque também com preço alto.
Muita gente vai à festa e não consome nada, devido aos altos valores. Se os preços fossem mais baixos, com a margem de lucro menor, o consumo certamente aumentaria e o lucro para os comerciantes seria maior. Sem contar que a Prefeitura divulga a tabela de preços máximos e não fiscaliza se eles estão sendo cumpridos, deixando que os comerciantes do recinto pratiquem o preço que bem desejarem.
Preço alto também é a reclamação de quem usa o estacionamento do recinto. Se paga R$ 15,00 para colocar o carro na poeira ou no barro e não ter quase nenhuma segurança.
Aliás, segurança é outro quesito a ser revisto. Brigas ocorrem antes, durante e depois dos shows e não há seguranças, especialmente na arena. Na praça de alimentação, ainda há, mas em todo o resto também deveria haver, haja vista o valor que se paga para entrar na festa. Nos espaços de maior aglomeração, ou seja, na arena, camarotes e arquibancadas, em que deveria haver seguranças, não há ou eles estão em número insuficiente para dar conta das brigas e demais casos que acontecem, como assalto. Isso mesmo, até assalto ocorreu na festa deste ano.
A festa é terceirizada. Então, talvez a Prefeitura deva exigir algumas mudanças de atitude por parte da vencedora da concorrência, que há anos é a Sâmor Promoções Artísticas ou alguma outra ligada ao grupo. Porém, ela também deve mudar sua postura. Apesar de terceirizar os eventos, é a Prefeitura que arca com parte da infraestrutura, como obras que visem a melhorar o espaço. Muitos servidores municipais trabalham na festa e quem paga horas extras é o município. Assim, evidentemente há grande gasto e quase nenhum retorno financeiro por causa da terceirização. O município só recebe o valor de impostos cobrados pela atividade da empresa na cidade, mas a quantia é pífia diante do montante que gira nos dois fins de semana de eventos.
Por outro lado, remodelar a festa também parece ser algo iminente, já que, a cada ano, o público diminui, apesar de shows com artistas de grande sucesso serem as atrações.
Enfim, o próximo prefeito deve pensar no custo-benefício de cada evento. Até que ponto é interessante, legal e moral gastar tanto dinheiro público em poucos dias de festa, como no caso do Carnaval e da Festa do Peão, inclusive, promovendo lucro à iniciativa privada, ou seja, às empresas que vencem as licitações? A maioria da população concorda com esses gastos ou nem participa desses eventos?
Que os candidatos às eleições deste ano já comecem a se preocupar também com esse assunto, afinal, é dinheiro público que está em jogo e ele não pode ser desperdiçado, quando deveria ser gasto com tantas melhorias que a cidade carece.
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