Fazer pão é uma arte. Não é das técnicas que mais domino e, quando preparo, uso a receita do pão mais simples, daqueles da roça, que na massa não vão ingredientes diferentes além da farinha, água, banha de porco e o fermento biológico que dará o crescimento necessário.
A receita é a que minha sogra, Maria Elisa de Oliveira Zecchini, sempre fazia e que eu acompanhava o preparo no tempo em que nem era casada, enquanto ficava no sítio com ela, ouvindo as histórias da infância dela (era a filha caçula do grande cafeicultor que empresta o nome à rodovia, João Hermenegildo de Oliveira), dos primeiros tempos de casamento e com quatro filhas, quando meu esposo nem ainda era nascido e herdaram uma fazenda; que era a mais distante da ferrovia (o único transporte da época) e, hoje, é a que a rodovia passa defronte a porteira... Saudade que uma receita me faz rememorar.
E estes pães foram feitos com torresmo, pois meu filho preparou um panelão de toucinho para guardar a banha para com ela cozinhar. O pão caseiro da Dona Elisa é uma delícia quentinho, com manteiga ou puro. E para mantê-lo úmido (pão caseiro, por não ter bromato, endurece rapidinho), mantenha em saco plástico tirando o máximo de ar e fechando bem.

Esta receita rende quatro pães. Se preferir menos, faça metade dela.
- 3 copos (tipo requeijão- 250 ml) de água – temperatura ambiente – na vasilha
- 3 colheres (sopa) ou 90 g de fermento Fleischmann
- Dissolva os dois e deixe 10 minutos
Junte depois:
- 1 colher (sopa) generosa de banha derretida – pode usar óleo de soja
- 1 colher (sopa) rasa de sal
- 1 colher (sobremesa) de açúcar
Mexa tudo muito bem e vá colocando farinha e mexendo com colher de pau até formar uma massa homogênea. Use cerca de 1 quilo de farinha de trigo – pouco mais ou menos, depende do dia e da farinha.

Retire da tigela, amasse bem e bata no mármore ou pia algumas vezes.
Unte a tigela com um pouco de óleo, faça a massa ficar com o formato redondo e coloque na tigela, cubra com pano e deixe em lugar abafado para crescer. Depois de crescido, feche o punho e abaixe a massa com a mão fechada, vire e deixe crescer novamente. Depois de crescida, reparta a massa em 4 partes.

Prepare 2 assadeiras untando com óleo e farinha e reserve.
Abra cada parte da massa com as mãos ou rapidamente com rolo. Espalhe generosamente o torresmo por toda extensão da massa (pode ser calabresa ralada, linguiça, frango desfiado ou queijos diversos). Enrole esticando e puxando bem em cada dobrada para que fique bem compacto o rolo, coloque na assadeira e deixe crescer novamente.

Depois de crescido, pré-aqueça o forno e deixe a chama no mais alto (280º).
Com faca afiada ou estilete, faça corte na parte de cima do pão.

Com pincel, passe água por cima (para que fique casca crocante). Se preferir mais dourado, pode pincelar gema de ovo.
Por 10 minutos, deixe no forno a 280º. Retire do forno e repasse água nos pães. Se usar gema não precisa. Abaixe a chama para 230º e asse por mais 30 minutos. Retire do forno, está assado.
Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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