Hoje a coluna é uma sessão nostalgia pelas lembranças que este docinho me traz e por ser o preferido do meu filho Rafael, que me deu o neto Joaquim.
Desde pequena, as festas de aniversário da família tinham os docinhos preparados pela minha mãe, Adair Fagundes de Oliveira Chiarion.

Ela quem dava o ponto nas massas do brigadeiro, do dutra (de leite condensado, coco fresco e em cima uma uva passa) – hoje chamam de beijinho, que era o nome dado ao que, antigamente, era somente coco fresco, gemas e açúcar, sem ir ao fogo, com cravo da índia sobre cada um após enrolar –, ao bem gostoso (que é este docinho de nozes de hoje), e ao mimos de amor (uma mistura de leite condensado com amendoim e ameixa preta), além do olho de sogra.
Fui crescendo e aprendendo a dar o ponto, sem erro e, com o tempo, assumi essa função na família e nas festas das várias bodas de meus pais, começando na de prata, no casamento de minha irmã, no meu, nas nossas bodas, nos aniversários de nossos filhos e netos. Continuo a fazer as massas dos doces e o mutirão de enrolar se divide entre a matriarca Adair, às vezes as filhas e sempre as netas.
Resgatando nos arquivos uma foto do docinho de nozes, encontrei a foto de um desses momentos, na preparação dos doces nos 15 anos de minha filha Amanda, as bandejas deles prontos com as variedades, mas sem destacar o docinho que eu queria.

E tudo isso resolvi registrar aqui porque vou repetir esse ritual do preparo de algumas dessas receitas de docinhos antigos para o segundo aniversário de meu neto Joaquim. Para deliciar os convidados com sabores diferentes e, principalmente, para reunir de novo a bisa Adair, eu (avó), a dinda, minha filha Amanda, a tia avó Fernanda, a prima Mariana, no encontro de enrolar e embalar os doces. E com direito a registrar o momento com foto para a posteridade.
Dicas que valem para todos os doces de enrolar:
Use panela de fundo grosso para o doce não pegar no fundo e ficar com gosto de queimado;
Se organize para preparar as massas de um a dois dias antes do dia determinado para que ela esfrie naturalmente, fora da geladeira. Isso evita que seu doce “sue” depois de enrolado.
Guarde em caixas fechadas, tipo de pizza, para não ressecarem;
Não exagere na quantidade de margarina para a massa não ficar rançosa;
Na hora de enrolar, unte as mãos somente com água, nunca com margarina, pelo mesmo motivo acima.
Ingredientes
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de margarina
2 latas (370 g) de leite condensado
Meia lata (medida do leite condensado) de leite de vaca
1 pires (café) de nozes moídas
Pedacinhos de nozes para enfeitar
Açúcar refinado para envolver os docinhos
Coloque numa panela funda o suficiente o açúcar e deixe caramelar até derreter totalmente. Junte a margarina e mexa rapidamente com colher de pau até misturar bem.
Em seguida, retire a panela do fogo e junte o leite condensado, o leite de vaca e as nozes moídas e mexa bem. Volte ao fogo e vá mexendo até ferver.
Espere derreter o caramelo e continue mexendo até o ponto de enrolar, que é quando passar a colher no centro da panela o doce se separar formando como que uma espuminha. Esse processo depende da intensidade da chama do fogão, que deve estar no mínimo para não queimar no fundo.
Cuide para não açucarar.
Despeje a massa num pirex e deixe esfriar. Não coloque na geladeira.
O ideal é fazer a massa na véspera de enrolar.

Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas,escreva para: miocz@yahoo.com.br.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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