Esta é uma receita que, muito antes de eu ter a menor ideia de um dia escrever uma coluna semanal de receitas culinárias, ou sonhar publicar um livro com registros das receitas de diferentes épocas e famílias da minha cidade natal, já marcou o meu coração.
Foi mais uma das várias receitas que uma prima irmã de minha mãe, a Marlene Guerrato – hoje uma vovó famosa no Instagram – nos passou nas visitas quase semanais que fazia em nossa casa.
E era sempre assim: pedia o caderno de receitas e, de cabeça, já ia escrevendo aquela que havia aprendido ou testado, e era boa.
E esta da cuca foi diferente. Pedi a ela se tinha alguma, após retornar de minha primeira viagem para o sul do país, ainda muito jovem, quando experimentei, no café da manhã do hotel, este bolo tradicional com uma farofinha por cima, chamado cuca.
Prontamente, Marlene passou a receita (não sei se ela ainda lembra disso, faz mais de 4 décadas), acrescentando no preparo as uvinhas pretas – as originais são do tipo “Izabel”, com caroço, mas atualmente já temos umas uvinhas pretas tão saborosas quanto, mas sem os perigosos carocinhos.
E ela me alertou: “já vou te avisando que a receita pode ser a mesma, só que o sabor... este, nunca mais, pois aquele terá guardado as memórias do momento”. Guardei essa frase para vida, usei e continuo usando esse ensinamento pois todo sabor e cheiro vão mexer com nossa memória afetiva.
Dará um bolo grande, a massa não deve ficar muito grossa.
Use forma retangular de 30x45 cm.
3 gemas (claras em neve)
2 colheres (sopa) de margarina
3 colheres (sopa) de óleo
2 xícaras (chá) de açúcar
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
250 ml de leite
1 colher (sopa) de fermento em pó Royal
500 gramas de uva preta – só os bagos (limpe com papel ou no pano de prato, não lave) passadas na farinha de trigo – cerca de 2 colheres (sopa)
FAROFA:
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de açúcar
1 colher (sopa) de canela em pó – pode colocar mais um pouco se gostar
15 gotas de baunilha
Óleo para formar uma farofa – cerca de 3 colheres (sopa)
Misture os ingredientes secos e com os dedos vá misturando o óleo até que fique com consistência de farofa um pouco mais compacta que as farinhas, sem ficar duro demais. Reserve para usar no final.
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Faça uma massa de bolo seguindo a mistura dos ingredientes à medida que vão aparecendo, deixando por último as claras em neve e o fermento.
Despeje na assadeira untada com óleo e farinha de trigo.
Espalhe sobre a massa as uvas enfarinhadas e sobre toda extensão a farofa.
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Leve assar em forno a 180º C.
Se não comer tudo até o dia seguinte, sugiro colocar em geladeira pois, além de ficar mais molhadinho, não corre o risco de a uva azedar.
Pode fazer a cuca sem as uvas, que é o bolo tradicional do sul.

Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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