Na semana passada, trouxe uma receita de minha avó materna, Belmira. Nesta semana, após conversar sobre nossas lembranças infantis com meu irmão Luciano, é a vez de relembrar da minha avó paterna, Nair, que preparava os doces caseiros típicos de festas juninas para os meus aniversários (de abóbora, batata roxa e laranja). Estes eram, para mim, especiais.
Ela também fazia pêssegos em calda, de cidra, mamão verde, abóbora na cal, todos num fogão fabricado pelo meu avô Valentin (ele está com ela, na foto), que era um exímio encanador e fazia muito trabalhos com folhas de zinco e solda; e o fogão funcionava a carvão; afinal, fogão a gás era só para o preparo das refeições.
Os bolos, a vó Nair fazia numa espiriteira (acho que era este o nome que se dava), uma engenhoca formada por uma latinha pequena de massa de tomate cheia de álcool tampada com uma placa de alumínio onde ficava a assadeira do bolo coberta com uma tampa e um pano grosso. E ela colocava tudo isso sobre um tampo de mármore num quarto sem corrente de ar e deixava a porta fechada o tempo todo. Já imaginaram para crianças (eu, minha irmã e minhas primas) a curiosidade de ver o que acontecia no quarto fechado enquanto o bolo estava assando?
E aqui vem o pudim de laranja que minha avó fazia, e minha irmã Fernanda sempre preparou para as sobremesas de Natal. Meu irmão, dia desses, resolveu testar uma “releitura” desse pudim pois, em vez de colocar na forma de furo central, espalhou o creme em pirex retangular, colocou somente caldo de laranjas praticamente sem água intensificando o sabor da fruta e acrescentou uma calda com ameixas pretas para finalizar.
Como ficou refrescante, simples de fazer e era uma receita da minha outra avó, Luciano sugeriu trazer a vocês e concordei pois, certamente, vão gostar também.
Creme de laranja
(Releitura do pudim de laranjada minha avó Nair)
- Cerca de 1 litro de suco de laranjas peneirado (use de 12 a 13 unidades da fruta);
- Pegue 1 (uma) das laranjas que foi espremida (casca e bagaço), coloque no liquidificador ou no mixer com um pouco de água, somente suficiente para bater bem, triturar, coar e juntar no suco (vai intensificar o sabor de laranja);
- 8 colheres (sopa) de açúcar (se gostar mais doce aumente um pouco mais);
- 1 colher (café) de canela em pó;
- 6 colheres (sopa) de amido de milho;
Misture tudo numa panela com o fogo desligado. Ligue o fogo e mexa até engrossar.
Despeje em um pirex e leve para gelar. Enquanto isso prepare a calda:
- 12 ameixas pretas picadinhas;
- 300 a 400 ml de água;
- 3 colheres (sopa) de açúcar;
- 2 colheres (sopa) de amido de milho;
Misture tudo em panela, leve ferver para cozinhar o amido de milho e deixe esfriar.
Depois de frio, despeje sobre o creme já gelado.
Até nosso próximo encontro
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau-lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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