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Crônicas de um Sol Nascente

Quando os dinossauros dominavam o Japão

Sempre gostei de História. Considero que o seu estudo é de importância fundamental tanto para a compreensão do presente quanto para a construção do futuro. Sim, como costumava dizer um professor que tive no ginásio, “História é mesmo tudo”.

E, felizmente, ao que parece, meu filho também gosta de estudá-la. E principalmente a Era Mesozoica, ou seja, quando os dinossauros dominaram a Terra.

Sei que há muitas crianças que adoram dinossauros, mas vejo em meu pequeno um caso um tanto especial. Desde os três anos de idade – ele tem agora cinco –, Endi sabia dizer não somente os nomes de todos os tipos de dinossauros, mas também tamanho, tipos, países em que foram encontrados... Enfim, algo de fato espantoso até para um “coruja” como eu.

E, vendo tamanha dedicação de nosso pequeno ao estudo dos dinossauros, era natural, pois, que os levássemos a uma viagem a Fukui, cidade localizada na Ilha de Honshu – aproximadamente três horas de trem-bala desde Tóquio.

Porque Fukui, no Japão, é simplesmente a cidade dos dinossauros. E isso desde o final da década de oitenta, quando foi descoberto o fóssil de um dinossauro herbívoro – um iguanodonte pertencente ao Período Cretáceo da Era Mesozoica (coisa de sessenta a cento e quarenta milhões de anos atrás).

Naturalmente que o “japonês descoberto” foi batizado com o nome da cidade. E, desde então, o Fukuisaurus virou a grande estrela do local. Tanto que hoje Fukui vive basicamente da atração turística possibilitada por seus gigantes. Como nos disse o gerente do hotel em que nos instalamos: “Aqui, onde não havia nada, os dinossauros ressuscitaram”.

E é mesmo impressionante como Fukui respira “dinossauros”. Foi o que pudemos observar na semana passada, quando ficamos lá por dois dias. Já no caminho para o hotel, por exemplo, podíamos ver em cada curva estátuas gigantescas de dinossauros – tiranossauros, velociraptors, entre outros. E isso era só o início da “viagem no tempo”.

Os olhos do meu Endi, claro, brilhavam a cada metro. Brilho este que se intensificou quando visitamos duas das mais famosas “casas de dinossauros” da cidade, a saber: o “Katsuyama Dinopark” e o “Museu dos Dinossauros de Fukui”. O museu, aliás, inaugurado em 2000, é um dos três maiores do mundo – junto com um da China e outro do Canadá. Nele, tivemos a oportunidade de ver, entre outras atrações, até profissionais trabalhando ao vivo na “limpeza de fósseis”. Parada, portanto, obrigatória a quem visita Fukui.

Como também é parada obrigatória o “Dinopark”, que para a nossa família foi, de fato, um show à parte. Adentrando um bosque de verdade, fomos surpreendidos por um dinossauro em cada curva da estrada. E tais gigantes mecânicos, diga-se de passagem, eram mesmo de um realismo espantoso. Coisa de fazer Spielberg aplaudir em pé, arrisco-me a dizer.

Eu, aliás, levei um susto ao deparar-me com um braquiossauro!

Enquanto o meu filho ria às pampas, dizendo: “Ora, pai. Não se preocupe: esse é herbívoro”.

Ainda bem.

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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2022, teve dois livros premiados no Concurso Internacional da União Brasileira de Escritores-RJ, recebendo o Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) e o Prêmio Luiz Otávio (para “Livro de Trovas”). Foi um dos cronistas escolhidos para compor o livro didático “Se Liga na Língua - 8º Ano” da Editora Moderna (2024). É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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