O primeiro registro de receita similar encontrei, durante minhas pesquisas culinárias, no primeiro jornal fundado por meu avô materno, José de Oliveira (o vô Zezinho, que também fundou o Bragança Jornal).
O jornal, chamado O Lyrio (fundado em 17 de junho de 1923), trazia essencialmente notícias direcionadas e ligadas aos funcionários da Companhia Têxtil Santa Basilissa, afinal, muitos jovens daquela época trabalhavam na fábrica de tecidos e meu avô, que ali trabalhava e tinha noção de linotipo por já ter trabalhado na oficina do Jornal Cidade de Bragança, montou, com o apoio dos patrões, a gráfica e o jornal para divulgar concursos, poesias, anedotas, fofocas e informações referentes àquele público – semanário que fez muito sucesso na cidade, especialmente entre os jovens.
Na edição de 24 de novembro de 1943 d’O Lyrio (que minha mãe tem todo encadernado, como meu avô sempre fez com os exemplares de seus jornais para arquivo), encontrei uma receita de pudim de pão. Relatei tudo isso para demonstrar aos leitores os caminhos que a escrita percorre nas diversas gerações de uma família, dependendo somente de como os registros são relatados, registrados e rememorados.
E é esta minha colaboração ao Dia do Escritor que comemoramos no dia 25 próximo: uma receita que era feita sem medidas precisas na minha infância com a avó Belmira, esposa do vô Zezinho, repetida por minha mãe já com registro escrito e por mim. O pudim de pão, com as sobras do pão dormido, tem hoje uma receita anotada que sempre é repetida e carrega uma linda história.

Observação: Use as sobras de pão amanhecido ou mesmo bem duro de qualquer tipo, sem a casca mais grossa. Para calcular, caso use pão de forma ou baguete, 1 pão francês = 50 gramas ou 2 xícaras (chá).
Ingredientes:
6 pães tipo francês cortados em cubos
3 ovos inteiros misturados com garfo
500 ml de leite de vaca quente (talvez não use tudo)
2 xícaras (chá) de açúcar
Meia xícara (chá) de uvas passas brancas ou pretas
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado ou 50 gramas
1 colher (chá) de noz-moscada ralada
1 colher (chá) de canela em pó
Calda:1 e meia xícara (chá) de açúcar
Modo de fazer:
Coloque numa tigela os pães cortados, misture o açúcar, o queijo ralado, as uvas passas e as especiarias. Sobre estes secos, vá colocando os ovos batidos alternando com o leite quente (não coloque todo o leite de uma vez, pode ser que não use tudo para umedecer) e vá mexendo com uma colher de pau até os pedaços de pão amolecerem e se transformarem numa massa. Deixe a massa descansar para amolecer os pães enquanto prepara a calda de caramelo.

Para a calda, você pode derreter o açúcar na própria forma de furo central ou numa pequena panela até o açúcar derreter e caramelar. Junte meia xícara (chá) de água, ferva até ficar uma calda lisa. Espalhe pela forma de furo central e reserve. Coloque a massa do pudim na forma caramelada e leve assar em banho-maria no forno pré-aquecido a 200º C por cerca de 40 minutos ou até que coloque o palito e ele saia seco.
Desenforme morno. Sirva frio ou gelado.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
Até nosso próximo encontro
Para sugestões, críticas e temas para as
próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
0 Comentários