Produtores rurais são orientados sobre controle de javalis

Produtores rurais e criadores de Bragança Paulista e região participaram, na última terça-feira, 28, do encontro promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento dos Agronegócios e pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural (CMDR), que debateu e orientou sobre possíveis soluções para o controle populacional de javalis.

O evento ocorreu na sede da secretaria e contou com os ensinamentos de especialistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), das secretarias Estadual e Municipal de Meio Ambiente, da Polícia Militar Ambiental do Estado e da Defesa Agropecuária.

Os javalis são classificados como espécies exóticas invasoras, e, assim, o abate está autorizado, segundo consta na Ação Normativa 03/2013 do Ibama.

Do produtor que fará o controle, é exigido registro no Cadastro Técnico Federal (CTF), obrigatório e disponível no endereço eletrônico da entidade (www.ibama.gov.br).

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento dos Agronegócios, no Posto de Monta, se dispõe no auxílio de realização do cadastro aos produtores interessados. “Estaremos à disposição da população para todo auxílio necessário”, frisou Marcelo Perrone Ribeiro, secretário municipal dos Agronegócios.

Por meio do CTF, o produtor ou criador que fará o controle populacional dos javalis deverá identificar a limitação territorial de propriedade e será informado quanto a critérios específicos sobre métodos de abate, armamentos de uso permitido, condições de transporte, soltura e consumo da carne.

A cada três meses, um relatório de atividades deverá ser encaminhado ao Ibama, sujeito a autuação em caso de descumprimento. A documentação é concedida tanto à pessoa física quanto jurídica, desde que especificado, e a íntegra do documento também pode ser encontrada no site.

PREOCUPAÇÕES

Segundo a Polícia Militar Ambiental do Estado, uma das principais preocupações em relação ao abate de javalis está relacionada ao armamento utilizado. A utilização de armas de fogo é permitida, mas não recomendada, pois há risco à vida de outros moradores, crianças e animais domésticos vítimas de bala perdida. Em caso de uso, é necessário o registro do armamento e apresentação, junto o CTF, in loco ao oficial.

No caso da utilização de cães, o risco maior é o de maus-tratos ao animal doméstico, que morre na briga contra um javali e isso é passível de autuação ao dono do animal. A utilização de armadilha necessita de um segundo registro junto ao Ibama, que também avaliará a possibilidade de danos a animais silvestres.

Outra exigência do Ibama refere-se a região onde será feito o controle populacional dos javalis. Bragança Paulista integra uma Unidade de Conservação (UC), pertencente à Área de Preservação Ambiental (APA) do Sistema Piracantareira, que abrange outros 26 municípios na região. Por conta desse quesito, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, junto ao Conselho Gestor, irá averiguar as localidades e quais as exigências mais rigorosas sobre o abate. Os resultados dos levantamentos serão divulgados em breve à população.

Para a Defesa Agropecuária, a maior preocupação com a população de javalis é sanitária. É comum a invasão de criadouros e procriação do animal com porcas domésticas, o que pode gerar a transmissão de doenças. O órgão defende o abate do animal sob o aspecto sanitário.

NÚMEROS

Segundo levantamento da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, 36 propriedades mapeadas em Bragança sofreram ataques de javalis, muitos durante a madrugada. Dos proprietários contabilizados para os resultados da pesquisa, 94% querem o controle e abate do animal. Foram registrados ataques em 35 lavouras e um ataque a animal doméstico.

No total, 97,9 hectares de plantações foram destruídos pelos javalis, principalmente as de milho. O prejuízo financeiro chega a R$ 360 mil desde 2007.

“Devido a dificuldade de controle do animal, é necessário um trabalho a longo prazo junto aos produtores, criadores, órgãos federais e estaduais. De forma responsável e com trabalho minucioso, será possível a redução desses números em Bragança e região”, projetou o secretário Perrone.

 

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