Na última terça-feira, 7 de maio, durante a 14ª Sessão Ordinária de 2024, tanto quem esteve presente presencialmente quanto quem acompanhou pelas redes sociais testemunhou um acontecimento incomum na Câmara Municipal de Bragança Paulista.
A presidente da casa, vereadora Gi Borboleta, utilizou seu tempo na tribuna livre para tecer diversas críticas ao prefeito Amauri Sodré. Vale ressaltar que tanto Gi quanto Amauri são membros do mesmo partido, União Brasil, e do mesmo grupo político, liderado pelo deputado Edmir Chedid.
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As críticas realizadas por uma aliada causaram burburinho nos bastidores da política local. No dia seguinte, a assessoria da Câmara Municipal emitiu uma nota na qual a presidente da casa reafirma que “fiscalizar o Executivo é parte essencial do trabalho de vereador”. Ela enfatizou que as cobranças feitas ao prefeito municipal durante seu discurso na tribuna são parte integrante de suas responsabilidades como vereadora, ressaltando que tem o direito e a obrigação de fiscalizar os atos do Executivo, conforme garantido pela Constituição Federal.
Gi Borboleta declarou, ainda, que sua posição crítica em relação ao prefeito não é determinada pelo fato de pertencerem ao mesmo grupo político, destacando que, em uma democracia, é legítimo concordar ou discordar das ações do Executivo. Além disso, como presidente do Poder Legislativo, ressaltou que é seu dever garantir a lisura dos projetos que tramitam na Câmara, a fim de respaldar os processos legislativos e evitar danos tanto ao Legislativo quanto ao Executivo.
PREFEITO ESCLARECE CRÍTICAS RECEBIDAS

Respondendo às críticas, o prefeito Amauri Sodré esclareceu diversos pontos levantados por Gi Borboleta. Ele mencionou a retirada de um projeto de doação de terreno devido a problemas de matrícula e a falta de desafetação da área, garantindo que as questões pendentes estão sendo resolvidas para que o projeto possa ser reapresentado à Câmara. A respeito da Sabesp, o prefeito afirmou que há uma equipe dedicada que se reúne todas as segundas-feiras para tratar do assunto e um funcionário fiscal foi designado para supervisionar as obras regularmente.
Em relação aos serviços de castração na cidade, o prefeito esclareceu que na sua administração foram castrados, entre gatos e cães, 3.061 (2022), 3.725 (2023) e 1.205 animais (até o momento, em 2024). “Nós abrimos muito mais vagas. O que acontece é que em cada campanha havia cerca de 30% de falta da população. Os números de vagas abertas são muito maiores que esses. As pessoas estão faltando em todas as campanhas”, falou, salientando que foi publicado um pregão eletrônico para a contratação de uma empresa especializada, com a licitação ocorrendo na quinta-feira, 9. Por fim, Amauri anunciou que o albergue municipal, tema de crítica da vereadora, foi inaugurado nesta sexta-feira, 10, como o nome "Casa de Passagem" O imóvel está situado na Avenida dos Imigrantes, e ampliará o atendimento às pessoas em situação de rua.
DEPUTADO EDMIR CHEDID COMENTA POLÊMICA

A reportagem do Jornal Em Dia Bragança também entrou em contato com o deputado Edmir Chedid para que ele esclarecesse sobre se o seu grupo político está “rachado” após as críticas feitas pela vereadora Gi Borboleta ao prefeito Amauri Sodré. Por telefone, o deputado afirmou que esses desentendimentos são normais quando envolvem o Legislativo e o Executivo. “Nosso grupo não está 'rachado', ele permanece forte e atento a tudo que acontece em Bragança e na região. É claro que algumas críticas feitas pela vereadora foram acertadas e corretas, e outras um pouco exageradas, mas tudo dentro daquilo que a política proporciona. Esses desentendimentos sempre existiram na política e sempre vão existir. Este fato ocorrido na sessão da Câmara não trouxe nenhuma preocupação para nosso grupo. Ao contrário, foi até bom ter acontecido isso para dar uma ‘chacoalhada’ na administração e em alguns secretários que não atendem às reivindicações dos vereadores e não cumprem suas obrigações como deveriam, como aconteceu com a Secretaria de Habitação, que mandou um projeto para a Câmara faltando todas as informações importantes para dar andamento na doação de terreno para uma entidade habitacional para a construção de moradias populares. O prefeito fez certo em ter pedido para retirar de pauta o projeto de lei até resolver todas as questões pendentes. Se eu fosse o prefeito, mandaria todo mundo embora da Secretaria de Habitação. Não sobraria ninguém lá”, opinou o deputado.
Sobre as eleições municipais deste ano, Edmir afirmou que Amauri Sodré ainda é o candidato natural do grupo para disputar a reeleição, “mas não estão descartados outros nomes, pois em nosso grupo temos muitos outros candidatos. Até chegarmos às convenções, vamos realizar várias pesquisas de todo tipo e nos reunir com nosso grupo político e com nossos vereadores para escolher o melhor para disputar as eleições”, finalizou.
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