A proposta do Executivo incluía ainda a concessão de faltas abonadas sem critérios e a aceitação de dois atestados de acompanhante por ano
Na noite de sexta-feira, 19, o Sismub (Sindicato dos Servidores Municipais de Bragança Paulista e Região) realizou a segunda assembleia deste ano com o objetivo de dar prosseguimento às negociações para a campanha salarial. Após ouvirem a proposta da Prefeitura, os servidores a rejeitaram.
A reunião novamente contou com poucas dezenas de pessoas. O presidente do sindicato, Carlos Alberto Martins de Oliveira, explicou que a proposta da Prefeitura havia sido entregue no dia anterior e avisou que o vice-presidente do Sismub, Benedito Aparecido Domingues, leria os itens oferecidos pelo Executivo.
Benedito leu a proposta e informou que a Prefeitura ofereceu: a reposição salarial com base na inflação, que no dia 19 estava em 6,59%; cesta básica equivalente ao indicado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), de R$ 323,00, sendo que hoje ela é de R$ 240,00; diminuição no desconto da cesta básica para quem ganha acima de três pisos. Quem ganha até três pisos continua isento do desconto. Quem ganha entre três e quatro pisos, ao invés de ter descontado 40%, passaria a ter descontado 30%. E quem recebe mais de quatro pisos, em vez de ter descontado 50%, passaria a ter o desconto de 40%; concessão de seis faltas abonadas no ano, sem critérios, para serem tiradas preferencialmente nos meses de julho e dezembro e aceitando-se a possibilidade de acumular este benefício; aceitação de dois atestados médicos para acompanhamento de crianças e idosos.
Sobre os demais itens da pauta de reivindicação dos servidores, a Prefeitura informou que estudará a possibilidade de implantá-los nos próximos anos.
Após a leitura da proposta, foi aberta a palavra aos servidores. O diretor Sérgio se manifestou, dizendo que achava inadmissível um partido que surgiu do povo (fazendo referência ao PT, partido do prefeito Fernão Dias) oferecer apenas a reposição salarial da inflação. Ele argumentou que daqui a alguns anos os servidores vão acabar ganhando apenas um salário mínimo, se a prática de reposição salarial, em vez do reajuste, se tornar frequente. A respeito da cesta básica, o diretor considerou que o valor oferecido é coerente, mas voltou a cobrar isonomia entre o funcionalismo, pedindo o fim do desconto da cesta. “Se a gente aceitar tudo quieto, calado, nada vai mudar. Isso não é aumento, é esmola”, disse, sendo aplaudido pelos colegas.
O presidente do Sismub ressaltou que a Prefeitura estava oferecendo benefícios que ele não havia visto outro governo oferecer, como a aceitação de atestados de acompanhantes e as faltas abonadas sem critérios e, ainda, com a possibilidade de acumulação. Carlos também contou que teve acesso aos dados das finanças da Prefeitura e que a folha de pagamento está completamente estourada. De acordo com ele, a folha está ocupando 54% do orçamento, sendo que quando esse percentual chega em 51% o Tribunal de Contas já emite um alerta.
Outra servidora também se manifestou contra a proposta do Executivo, considerando-a vergonhosa.
O servidor Sidiney Guedes, fora dos microfones, mas em voz alta, sugeriu que a Prefeitura mande embora os comissionados para que possa dar aumento real ao funcionalismo. Nesse momento, houve uma discussão entre ele e o presidente do sindicato. Carlos disse que Sidiney não tinha a mesma postura, de inflamar os servidores, quando era vereador e que chegou a “deixar as merendeiras na mão” na época.
Passado esse episódio, os servidores, então, votaram e a maioria decidiu rejeitar a proposta. Conforme o presidente do sindicato havia explicado, desta vez, não seria possível aprovar ou rejeitar apenas um item e, assim, toda a oferta do Executivo foi descartada.
O diretor Sérgio voltou a se manifestar, opinando que a atual gestão deveria cortar na carne, enxugar gastos para poder dar o reajuste dos servidores. “Eu prefiro 0% de aumento que aceitar a proposta da Prefeitura”, afirmou.
Restava então elaborar a nova pauta de reivindicações que será levada ao prefeito Fernão Dias da Silva Leme e sua equipe.
A partir de sugestões dos presentes, ficou definido que a nova pauta terá os seguintes pedidos: reajuste de 10%; cesta básica do Dieese, no valor já ofertado de R$ 323,00; que o desconto da cesta básica para quem ganha acima de três pisos possa ser reduzido em 50%, em vez dos 10% oferecidos; seis faltas abonadas sem critérios e com possibilidade de acumulação, conforme oferecido pela Prefeitura; e seis atestados médicos de acompanhante de filhos menores de idade, idosos e dependentes.
Antes de encerrar a assembleia, o presidente do Sismub avisou a todos que a próxima reunião será realizada no dia 30 de abril, terça-feira, a partir das 18h30, na sede do sindicato.
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