Na manhã de quarta-feira, 8, o prefeito Fernão Dias da Silva Leme fez o anúncio oficial sobre a troca de comando da Secretaria Municipal de Saúde. A partir de sexta-feira, 10, o novo secretário é o frei Bento Aguiar, até então responsável pela gestão do Husf (Hospital Universitário São Francisco).
A informação foi anunciada durante a reunião da Comissão Permanente de Educação e Cultura, Esporte, Saúde, Saneamento e Assistência Social, na Câmara Municipal. Apesar de inúmeras críticas feitas pela população, por meio de vereadores e da imprensa em geral, à gestão da Saúde no município, o prefeito disse que a então secretária, Estela Gianesella, está deixando o cargo por opção própria e que as melhorias que houveram se devem a seu trabalho.
Fernão, então, anunciou que o frei Bento é o novo secretário e que terá o mesmo pulso firme que teve no Husf para alavancar o setor de Saúde no município.
O prefeito apresentou também a nova funcionária, Grazielle Cristina dos Santos Bertolini, que coordenará a atenção básica na cidade. Ela atuava até então como secretária da Saúde de Joanópolis.
Além disso, começou a funcionar nessa quarta-feira, de acordo com Fernão Dias, o sistema de leva e traz na Saúde. Trata-se de transporte gratuito para pacientes que precisarem se dirigir à UPA (Unidade de Pronto-atendimento) Dr. Valdir Camargo, na Vila Davi. Inicialmente, o ônibus sairá do Parque dos Estados, próximo ao Supermercado Mendonça, e passará pelo Jardim da Fraternidade e antigo Bom Jesus com destino à UPA. Porém, o prefeito disse que a intenção é ampliar o trajeto para a cidade toda. O serviço funcionará 24 horas por dia e as saídas serão de hora em hora. Nas horas cheias, o ônibus partirá do Parque dos Estados com destino à Unidade de Pronto-atendimento e nas meias horas fará o sentido inverso.
O vereador José Gabriel Cintra Gonçalves, presidente da comissão, agradeceu ao prefeito pela consideração com a Casa e esclareceu que as críticas feitas à área de Saúde não eram pessoais à secretária Estela. “Eu queria ajudar, mas tive muitas dificuldades para fazer isso. Espero que possa ser parceiro e somar à equipe que está assumindo”, desejou.
ESCLARECIMENTOS SOBRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS
Antes do anúncio oficial sobre a troca de comando da Secretaria Municipal de Saúde, os vereadores que compõem a Comissão de Educação e Saúde, os quais receberam, na semana passada, documentos sobre a prestação de contas da pasta referente ao segundo quadrimestre de 2014, esclareceram algumas dúvidas com representantes da equipe da secretaria.
Um dos assuntos levantados foi o fato de na inauguração da UPA Dr. Valdir Camargo a Prefeitura ter gasto R$ 3.100,00 com aluguel de palco. O vereador Gabriel disse que a medida pode até ser legal, mas a enxerga como imoral, pois a Prefeitura dispõe de palcos e os empresta a igrejas e outras entidades para a realização de festas.
O vereador Noy Camilo, que também integra a comissão, disse que a Prefeitura tem apenas um palco oficial e que é possível que ele estivesse emprestado nessa data.
Gabriel também alertou que há multas de trânsito que podem gerar problemas futuros com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo. Um dos casos envolve multa a um veículo que não estava devidamente licenciado e outro uma multa aplicada sem que fosse indicado o condutor. De acordo com Estela, a Prefeitura paga as multas e depois desconta do funcionário o valor correspondente. Mas, sem saber quem foi o condutor infrator isso ficará difícil, alertou o vereador. “Não era para ter acontecido”, admitiu Estela.
O vereador Valdo Rodrigues, membro da comissão, quis saber se ainda há saldo a pagar a funcionários ligados às associações de bairros. A resposta foi positiva. Conforme explicou Estela, há funcionários estáveis, alguns prestes a se aposentar e gestantes, os quais não poderão ser demitidos. “Eles ainda permanecerão conosco um bom tempo”, adiantou.
Valdo, então, questionou os representantes da Secretaria de Saúde sobre os gastos com sentenças judiciais. Estela disse que eles duplicaram e que a tendência é que aumentem ainda mais no próximo ano.
O fornecimento de cadeiras de roda, próteses, camas hospitalares, entre outros equipamentos, também foi abordado. Quando quem necessita de uma cadeira de rodas é uma pessoa deficiente, o processo pode levar vários meses, pois será feita uma compra específica. Já quando o paciente usará o equipamento de forma temporária, por ter sofrido um acidente, por exemplo, a liberação é mais rápida, leva cerca de uma semana, de acordo com Estela.
O vereador José Gabriel perguntou, ainda, sobre a realização de cirurgias eletivas. Ele disse ter informações de que elas não estão sendo feitas. A equipe da Secretaria Municipal de Saúde explicou que esses procedimentos dependem de recursos estaduais e federais para serem executados e, no momento, os repasses estão suspensos, motivo pelo qual as cirurgias também estão. Apenas cerca de 40 a 50 cirurgias estão sendo realizadas por mês por meio de convênio entre o próprio município e a Santa Casa local.
Frei Bento, que ainda não havia sido oficialmente anunciado como secretário da Saúde, mas que, na semana passada, foi apresentado como gestor de projetos da ABBC (Associação Brasileira de Beneficência Comunitária), considerou que outras cidades também passam pelo mesmo problema na área de cirurgias eletivas. Ele tentou fazer uma comparação com a região de Pontal do Paranapanema, a fim de defender que Bragança ainda está em situação privilegiada e disse que no Husf há uma fila de dois anos de pacientes de Bragança e região.
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