Senhor das florestas, ouvi nossa prece,
O pulmão do mundo é quem clama,
Pois entregue aos desdéns do branco,
Nosso povo guerreiro padece.
Olhai por nós, Grande Deus Tupã,
Por seu auxílio, suplicamos,
Sem demora, nos devolva o ar, rogamos,
E que nossa prece não seja vã.
Quero voltar a correr pelo que nos resta da floresta,
A plenos pulmões, como outrora,
Mas uma noite densa cobriu nossa aurora,
Suplicar-lhe por salvação é o que nos resta.
Perdoa, Senhor, o maldito homem branco e seus governantes,
Ilumina suas mentes, devolve a justiça às suas mãos,
Lembra-lhes de que somos todos, brancos e vermelhos, irmãos,
Restitui a paz que havia nessa terra antes.
Meu irmão está morrendo sem ar,
Por causa dessa peste horrorosa,
Peste maior ainda é a ganância, é a corrupção vergonhosa,
Estamos abandonados à própria sorte, vem nos salvar!
Quero sentir mais uma vez o ar da floresta,
Encher de alegria meus pulmões cansados,
Rogar-lhe por justiça é o que me resta,
Vem, ajudar-nos, Senhor, estamos prostrados.
Abre os ouvidos dos homens poderosos,
Faz com que escutem os seus pajés,
Ah... Se não tivessem sido tão cruéis e orgulhosos,
Não estaríamos enfrentando agora tão turbulentas marés.
Precisamos de ar, você consegue entender isso?
Nossos irmãos estão morrendo sufocados,
O sangue deles está em suas mãos, em seus pecados,
Esse país que nos pertence vai continuar omisso?
Eu pranteio a morte que se estabeleceu nessa terra que amo,
Choro como quem chora a partida do filho muito querido,
Prostrado, enraivecido, ainda clamo,
Devolve-nos o ar, que nos foi roubado, disso estou convencido.
A terra sagrada está farta de receber os corpos de nossos irmãos,
Ela sangra, que é a forma como pranteia,
A terra, Senhor, está cheia,
De maldade e do egoísmo de nossos concidadãos.
Sopra de novo, seu vento poderoso, Senhor das florestas,
Varre dessa terra bendita toda essa aberração,
Endireita as arestas,
Traz novo fôlego a essa tão sofrida nação!
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