Muito tem se falado sobre a “poluição plástica” e os níveis alarmantes a que chegou. Microplásticos já foram encontrados no leite materno e em diversas outras partes do corpo humano, pasmem!
Milhares de toneladas de resíduos plásticos são gerados anualmente e o descarte se tornou um problema de ordem mundial.
Se o plástico no passado recente proporcionou uma revolução em muitas áreas importantes da vida moderna, seu uso excessivo e banalizado está comprometendo a existência dos seres vivos na Terra. A decomposição desse material pode levar mais de 400 anos, o percentual de reciclagem ainda é pequeno comparado ao nível de produção/consumo e nem todos os tipos de plástico são recicláveis. Esse lixo plástico, quando não chega aos aterros sanitários, onde é enterrado ou incinerado, produzindo gases tóxicos muito prejudiciais à saúde, acaba nos lixões ou na natureza, contaminando o solo e os oceanos.

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da criação do Comitê Intergovernamental de Negociação sobre Poluição Plástica (INC-5), está organizando um debate cuja expectativa é se chegar a um acordo global a partir da aprovação de instrumentos juridicamente vinculativos, com previsão de recursos financeiros, inclusive, que abordem todo o ciclo de vida do plástico, da produção ao descarte, na tentativa de frear esse desastre que assola o planeta. Desde 2022, já foram realizados cinco encontros com a participação de mais de 170 países e 440 organizações. Infelizmente, não houve consenso até agora e o documento final ainda não está redigido. Uma nova reunião do INC-5 está prevista para 2025. Esse será um grande passo a caminho da solução do problema, considerando o sucesso de empreitadas anteriores, como a mobilização para a salvar a camada de ozônio dos gases destruidores contidos em vários produtos que eram utilizados em larga escala até a década de 80.
Iniciativas pontuais já vêm sendo tomadas no caminho da “despoluição plástica”. Um bom exemplo é o Quênia, país na África Oriental que sofre demais com a poluição plástica e está se tornando uma referência mundial no combate ao lixo plástico. Em esforço conjunto, poderes públicos nacional e regionais, setor privado, comunidades locais e o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) conseguiram grandes avanços utilizando medidas como a limitação do uso de plásticos de uso único, por exemplo.
Aqui no Brasil, tramitam várias propostas de projetos de lei no Congresso Nacional sobre o tema “plástico”. Um deles é o PL nº 2.524/2022, que visa estabelecer normas sobre a economia circular do plástico e reduzir a geração desses resíduos no país. No arquipélago de Fernando de Noronha/PE, desde 2019, está em vigor o Decreto Distrital nº 002/2018, conhecido como Programa Noronha Plástico Zero, que criou barreiras legais para impedir a entrada, comercialização e uso de recipientes e embalagens descartáveis de material plástico ou similares, outro caso de sucesso que está concorrendo a importante prêmio internacional de sustentabilidade esse ano.
Porém, os movimentos que estão sendo feitos para reverter ou pelo menos diminuir tamanho desequilíbrio na relação “lixo x tratamento do lixo” não têm o ritmo necessário para se evitar essa catástrofe que assombra a vida na Terra. Mudar nossa forma de consumir e cuidar do lixo que produzimos fatalmente precisará acontecer. Como diz o bom e velho dito popular: “Se não for por bem, será por mal”. Porque diferente do problema na camada de ozônio, em que a ciência e políticas públicas conseguiram criar substitutos para matérias-primas responsáveis pelos danos, revertendo o processo a tempo, a poluição plástica vai exigir muito comprometimento de todos nós, até que soluções tecnológicas, como o bioplástico, por exemplo, se tornem viáveis economicamente como substitutos do plástico derivado de petróleo.
Em breve, voltaremos a tratar desse tema sob outra perspectiva: o que nós, leitores do Jornal Em Dia Bragança, podemos fazer para somar na luta contra essa grande ameaça, a poluição plástica!
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