No segundo domingo de agosto celebramos o Dia dos Pais.
Em tempos remotos tínhamos que o pai era o provedor e a mãe, a cuidadora.
Antigamente, o pai saía para trabalhar e cabia à mãe ficar na casa para cuidar dos filhos e dos afazeres domésticos.
No modelo contemporâneo, que vem sendo chamado de paternidade participativa, o pai exerce papel primordial na criação/educação dos filhos.
Nessa nova jornada, de acordo com a psicóloga Carine Mendes, “as mães apresentaram atitudes tanto de rivalidade diante da relação pai-bebê como de confiança nas capacidades do pai de se introduzir de forma adaptativa nesse momento”.
O pai, como um cuidador participativo, ganha espaço e começa a estabelecer diferentes dinâmicas afetivas.
Embora o pai se mostre mais engajado durante o período de gestação, o binômio mãe-bebê é priorizado por algumas instituições de saúde em detrimento do trinômio pai-mãe-bebê. “O pai é ignorado em seu papel de cuidador e excluído do acompanhamento ao crescimento fetal e do nascimento do bebê”, problematiza Carine.
A legislação trabalhista brasileira fomenta o paradigma pai provedor x mãe cuidadora ao conceder 120 dias de licença-maternidade e somente cinco dias de licença-paternidade, ignorando a importância do vínculo inicial entre o pai e o bebê e perpetuando a ideia de que a mãe é a cuidadora e o pai o provedor. Portanto, a mulher deve permanecer com o bebê enquanto o homem deve voltar ao trabalho.
Essa nova mentalidade pai-mãe-filhos, que é mais democrática, parte de mudanças nas dinâmicas e nos referenciais familiares transmitidos ao longo das gerações, o que não significa uma ruptura com os modelos anteriores, mas, sim, uma reinterpretação do papel do pai.
Marcelo Tufani de Oliveira é membro consultor da Comissão do Jovem Advogado da OAB e diretor da ONG Pais Por Justiça no estado de São Paulo
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