Faça silêncio por um momento. Pare, só por um momento. Sim, esqueça a correria insana de todo final de ano e tudo o que ainda tem para fazer, os presentes que ainda não comprou, e só pare. Pare e preste atenção. Permaneça em silêncio até que seja capaz de ouvi-la.
Há uma sinfonia no ar, ainda que nossas mentes e corações ruidosos não nos permitam ouvi-la. Nossos pensamentos acelerados e ansiosos quase sempre se sobrepõem a ela, abafando-a.
Consegue ouvir? É um lindo canto que não, não vem de uma legião de anjos, alinhados em coral. É uma canção que vem do próprio coração de Deus. É a música com que Maria acalma o pequeno agitado em seu ventre santo, é a melodia que soou quando o Eterno, resoluto como Ele só, decidiu trazer ao mundo, esse nosso mundo barulhento, a Salvação.
Vamos, esforce-se mais um pouquinho... E agora, consegue ouvi-la?
É possível escutá-la no borbulhar da fervura de meus figos na panela, permitindo-se o calor, até que estejam irresistivelmente doces. Ou no riso inocente de meus sobrinhos, em quem o Verbo se manifesta da maneira mais pura que pode haver, como criança.
Ouve?
É o suspiro de Maria, exausta que está, inchada, cansada, as costas doloridas, após uma tarefa que outrora lhe parecia tão corriqueira e simples de realizar. Ela está realizando uma tarefa sobre-humana, a tarefa mais importante que esse mundo já presenciou, afinal, seu ventre é morada do Altíssimo, e o meio através do qual Ele se fez carne.
Conseguiu? Agora, concentre-se em sentir o aroma que vem com o vento de dezembro. Sim, há um aroma no ar, ainda que nos custe perceber. O vento quente de dezembro traz consigo um cheiro específico, que consigo sentir todo ano nessa época.
É um cheiro doce e forte, como o próprio Redentor, um cheiro alegre, leve, quase como um convite à celebração. O ar está tomado por ele, e basta que você se concentre um pouco e respire fundo para ser capaz também de senti-lo. A propósito, respire!
É um cheiro de esperança, como aquele que sentimos nos bebês e que se impregnam em nossa pele, depois de os carregamos por um tempo. É o cheiro que ficará na pele de Maria dentro de alguns dias. E a este se mistura o cheiro do figo no tacho, do pinheiro recém-cortado, cuja seiva viscosa se assemelha àquela que os figuinhos liberam quando cortados com o sinal da cruz santíssima.
O Natal se aproxima e seu cheiro é também amadeirado, porque nos remete à cruz! O menino que está prestes a nascer e Maria não se contém de ansiedade, por isso, vem com uma missão.
Mas ela não termina no madeiro, daí o motivo de nossa perene alegria e gratidão!
Pare, ouça, sinta: Ele já está entre nós!
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