
Daqueles momentos que ficam na memória para sempre, a de vestir-se de Papai Noel certamente deve entrar na lista de todos aqueles que já tiveram tal experiência. Eu a tive no Natal de 2024 e da melhor forma possível: visitando a creche do meu filho.
O convite veio, como o “Bom Velhinho”, de forma surpreendente. Certa vez, a diretora da creche chegou para a minha esposa e perguntou se o “papai do Endi” poderia ser o Papai Noel daquele ano.
Qualidades físicas para o papel certamente eu as possuía, especialmente considerando meus cento e sete quilos e minha barriga moldada há séculos à base de cerveja e doces. O resto era ser bom ator: um talento cênico que, pensava eu, não era lá muito o meu forte... Mas, bem, no final das contas, aceitei o desafio.
De modo que, na manhã de vinte e cinco de dezembro, eu adentrava um salão onde estavam reunidos cerca de noventa pequeninos com idades entre um e cinco anos. E, no grupo dos de cinco, lá estava ele, meu Endi, que imediatamente olhou desconfiado e gritou: “Zetai papa!” (traduzindo: “Com certeza, é o papai!”).
De minha parte, com o meu talento shakespeariano, mantive-me calmo diante do comentário de meu pequeno crítico e resolvi começar o show.
E, modéstia à parte, superei minhas próprias (e baixas) expectativas. Pois dancei, brinquei com a garotada e até cantei “A Rena do Nariz Vermelho”... em japonês.
Em seguida, foi a hora de distribuir os presentes. E eu, carregando seis sacolas – eram seis turmas de alunos – fui distribuindo mais alegrias para aqueles pares de olhinhos brilhantes. Cada turma era representada por dois pequenos, e, na dos maiorzinhos, quem recebeu os presentes foram Endi e um coleguinha. Ele, diga-se de passagem, pegou a sacola com a cara de poucos amigos e falou mais uma vez: “Zetai papa!”. Dessa vez, porém, respondi-lhe com um “ho-ho-ho”.
Já os mais pequeninos, entre um e três anos de idade, com os seus sorrisos de encantamento, pareciam mesmo estar diante do “Bom Velhinho”. Em um momento, aliás, que muito me emocionou, uma garotinha chegou para mim e agradeceu desta forma: “Papai Noel, obrigado por ontem o senhor ter curado minha mãe”. Juro que, controlando-me para não chorar, nesse instante, pedi a Deus secretamente: “Senhor, abençoe esta e todas as crianças do mundo para sempre, porque não há coração mais puro e verdadeiro que o delas”. E creio nisso piamente.
Ao final, a diretora veio agradecer-me pela alegria que eu proporcionei à criançada naquele ano. Quando, na verdade, foram eles, os pequenos, que alegraram o meu coração: ensinando-me a ver o mundo de um modo mais puro e melhor.
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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2022, teve dois livros premiados no Concurso Internacional da União Brasileira de Escritores-RJ, recebendo o Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) e o Prêmio Luiz Otávio (para “Livro de Trovas”). Em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).
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