Foto: Arquivo Agência Brasil
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Educação

Pais reclamam da falta de vagas em escolas estaduais para os filhos concluírem o Ensino Médio em período parcial

Além da maratona realizada pelos pais em busca de vagas, estudantes e professores sofrem com a superlotação das salas de aula em escolas que não aderiram ao Programa de Ensino Integral

Desde o início do ano letivo, é grande a movimentação de pais nas secretarias das escolas estaduais bragantinas que não aderiram ao Programa de Ensino Integral – PEI.  O motivo: a busca por uma vaga no Ensino Médio. Muitos são os fatores que levam à procura por vagas nessas instituições. Entre eles estão, principalmente, o horário em que os estudantes precisam frequentar as escolas de período integral, ou seja, das 7h às 14h, das 14h15 às 21h15, ou das 7h30 às 16h30.

Esses horários, de acordo com os pais, não permitem que os estudantes frequentem um curso profissionalizante no período vespertino ou matutino, nem se encaixem no mercado de trabalho, no qual boa parte das vagas surgem para o período que compreende manhã e tarde ou tarde e noite. Situação que acaba tirando dos jovens a opção trabalhar e até mesmo de se qualificar, uma vez que o horário acaba os obrigando a se dedicarem somente à escola, o que seria o ideal se a condição financeira das famílias fosse favorável, permitindo, dessa forma, que adolescentes e jovens pudessem se dedicar somente aos estudos.

Das 20 escolas regulares da rede estadual de Bragança Paulista, 12 estão funcionando em período integral e das oito que não aderiram ao PEI, cinco oferecem vagas para o Ensino Médio. O Jornal Em Dia Bragança obteve informações de que algumas dessas escolas estão operando com salas superlotadas com uma média de 46 alunos por turma, quando o máximo de estudantes numa sala dessa modalidade de ensino deveria ser 40, de acordo com informações da própria Secretaria Estadual de Educação.

A reportagem conversou com pais e alunos que vêm enfrentando dificuldades em encontrar vaga para deixar o ensino integral. Essa é a situação da estudante Kamilly da Silva, que estava matriculada na Escola Mathilde Teixeira, no período das 14h15 às 21h15, e conseguiu uma vaga de trabalho pelo Programa Jovem Aprendiz em uma pizzaria bragantina, com entrada às 16h, e, com isso, se viu obrigada a se matricular no Cásper Líbero das 7h30 às 16h30 por não conseguir uma vaga no período da manhã em nenhuma das escolas que continuam o oferecendo o período parcial. “Vai ser puxado, vou sair da escola e ir direto pro trabalho. Mas não tem o que fazer. Só assim se eu quiser trabalhar”. Ela conta que no ano passado, quando estava no primeiro ano do Ensino Médio, conseguiu uma vaga para trabalhar no Mendonça (Supermercados), mas não pôde ingressar porque não tinha vaga nas escolas para estudar à noite.  O pai de Kamilly, Sebastião Alves Ferreira, pede que sejam disponibilizadas mais vagas para o Ensino Médio no período da manhã. “Os jovens querem trabalhar. Conseguem a vaga pelo Jovem Aprendiz e têm que abandonar o serviço porque não conseguem vaga para estudar. Não dão opção para os jovens. Eles podiam estar trabalhando e estudando, mas não tem vaga nas escolas. Isso é um absurdo. Abram mais vagas, mais salas!”, completou.

Kamilly  da Silva e Sebastião Ferreira reclamam da falta de opção para jovens que querem trabalhar e estudar

Érica Cruz Oliveira Silva contou ao Jornal Em Dia Bragança que, no ano passado, seu filho conseguiu um emprego no período da manhã e ficou dois meses sem estudar porque não conseguia uma vaga no contraturno em nenhuma das escolas da cidade. Ela foi à Diretoria de Ensino, ao Conselho Tutelar e não conseguiu resolver a situação. Quando surgiu uma vaga, depois de dois meses, foi para o ensino in tegral no “EEMABA”, aí ele saía do serviço e ia direto para a escola, não havia tempo nem para alimentação entre o trabalho e o colégio da onde ele só saía às 21h15, chegando em casa somente às 22h30 todos os dias. Érica estava em busca de uma vaga para o filho desde o início do ano, no período noturno, para que pudesse ter um tempo livre entre o trabalho e a escola, visto que não é fácil a rotina que o filho tem enfrentado para poder trabalhar e estudar. “Ele não conseguia nem se alimentar direito”, afirmou.

Uma mãe, que pediu para ter seu nome preservado, explicou que seu filho de 16 anos está ficando doente, desanimado, porque quer trabalhar e não consegue emprego devido ao horário de estudo no período integral. Ele está no segundo ano do Ensino Médio e estuda das 7h30 às 16h30 no Cásper Líbero e não consegue vaga em nenhuma outra escola. A mãe ainda conta que o filho está estudando muito longe de casa e depende do transporte coletivo, que, segundo ela, também tem causado transtornos, pois como a saída da escola acontece às 16h30, quando já está começando o horário de pico no transporte público, os ônibus passam lotados, não param, e com isso o filho tem chegado em casa por volta das 18h30, 19h. “Precisamos de uma solução para isso!”, desabafou, mostrando para a reportagem a mensagem do filho no celular: “Mãe, eu não odeio o Cásper, mas essa situação está acabando comigo”.

A reportagem entrou em contato com a Diretoria Regional de Ensino para esclarecimentos sobre a procura por vagas e superlotação das salas e foi informada que o órgão só poderia responder aos questionamentos com o aval da Secretaria da Educação do Estado. O Jornal Em Dia Bragança entrou em contato com a Secretaria da Educação do Estado, que negou a falta de vagas e a existência de filas de espera. Não respondeu aos questionamentos sobre a solução para a superlotação das salas, apenas informando que “a Seduc-SP segue a resolução SE 02 de 08/01/2016, com os seguintes módulos: 30 alunos para as classes dos anos iniciais do ensino fundamental; 35 alunos para as classes dos anos/séries finais do ensino fundamental; 40 alunos para as classes de ensino médio; 45 alunos para as turmas de educação de jovens e adultos, nos níveis fundamental e médio”.  E que “todo estudante tem vaga garantida na rede estadual, sendo sempre direcionado à escola mais próxima de sua residência onde haja vaga disponível para o ano/série pretendido”.

O Jornal Em Dia Bragança também entrou em contato com as escolas que oferecem o Ensino Médio em regime parcial no município: Sílvio de Carvalho Pinto Jr., Professor José Nantala Bádue, Professor Siles Coli, Professor Marcos Antônio da Silva Guimarães e Dr. Fernando Amos Siriani.  A Escola Marcos Guimarães informou que, apesar de já ter diminuído  o número de inscritos que aguardavam o surgimento de uma oportunidade de transferência para o estabelecimento, a demanda por vagas no Ensino Médio em período parcial continua grande. A Escola Dr. Fernando Amos Siriani respondeu que conseguiu encaixar boa parte da demanda, mas que ainda há inscritos aguardando o surgimento de uma vaga para transferência. A reportagem não conseguiu falar com a direção da Sílvio de Carvalho e as Escolas Nantala Bádue e Professor Siles Coli responderam que os questionamentos deveriam ser feitos à Diretoria de Ensino.

O aluno Guilherme Cruz Oliveira, filho de Érica Silva que concedeu entrevista para esta matéria, conseguiu sua transferência para o ensino noturno em regime parcial esta semana.

Érica Silva e Guilherme Oliveira comemoram a conquista de uma vaga fora do período integral

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