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Pais que evangelizam em família: o cultivo à fé que começa dentro de casa

Neste domingo, 9 de agosto, celebra-se o Dia dos Pais – uma data especial comemorada em todo o país, sempre no segundo domingo de agosto. Como já é tradição, esta edição do Jornal Em Dia Bragança foi feita especialmente para homenagear aqueles que, com dedicação e amor, assumem a importante missão de serem pais.

Ser pai nos dias de hoje vai muito além de prover sustento: é preciso conciliar trabalho, presença ativa na criação dos filhos e, ao mesmo tempo, assumir o compromisso de educar em meio aos desafios do mundo moderno. Para famílias cristãs, orientar os filhos nos caminhos de Deus, cultivar valores e manter viva a fé exige equilíbrio, coragem e entrega diária.

O tema escolhido para esta reportagem aborda justamente esse desafio para pais evangelizadores e como a fé vivida e compartilhada dentro do lar transforma vidas, orienta atitudes e fortalece os vínculos familiares, refletindo também na convivência social. Os pais, ao exercerem seu papel como primeiros educadores espirituais, tornam-se exemplos inspiradores que incentivam seus filhos a seguir caminhos fundamentados na esperança, na solidariedade e no amor ao próximo.

O Jornal Em Dia Bragança conversou com dois pais, Anderson Francelino Miguel e João Henrique C. Durães, que, embora pertençam a religiões distintas, têm em comum o compromisso com Deus e a formação espiritual dos seus filhos. Conheça agora os relatos desses homens que, por meio da confiança em Deus, evangelizam dentro de seus lares e semeiam valores duradouros no coração de seus filhos.

“Quando coloquei aquele ser tão frágil em meus braços, percebi que estava diante de uma obra divina”

Anderson Francelino Miguel, 48 anos, é analista comercial e católico atuante na Igreja Sé Catedral de Bragança Paulista. Casado há 14 anos com Tatiana Thomazi Miguel, é pai de Gabriel (12 anos) e Sophia Maria (8 anos). Participa ativamente da vida pastoral: é ministro extraordinário da Sagrada Eucaristia, cursilhista, conselheiro dos Encontros de Jovens e, junto da esposa, coordena a equipe 05 do movimento Equipes de Nossa Senhora.

Na rotina agitada dos dias atuais, manter viva a fé e os valores cristãos dentro de casa não é tarefa fácil para muitas famílias. Para Anderson, porém, essa é uma missão que ganhou novo significado com a chegada dos filhos – sua trajetória de fé, marcada por livramentos desde a infância, fortaleceu-se ainda mais com a paternidade.

Ele conta que desde pequeno percebe a presença de Deus em sua vida. Um amigo o impediu de entrar no mundo das drogas e, na adolescência, sobreviveu a um grave acidente de moto. “Tenho a certeza absoluta de que Deus estava e está presente em todos os momentos”, afirma. No entanto, foi diante do primeiro ultrassom da esposa grávida que sentiu, de maneira profunda, o toque do divino. Ao ver aquele ser minúsculo, tão frágil, perfeito, compreendeu o tamanho da obra de Deus: “Quando o tive em meus braços, ainda na maternidade, percebi que carregava um ser único de Deus em meu colo”.

Dentro de casa, Anderson e sua família buscam seguir o exemplo da Sagrada Família de Nazaré. A escuta da Palavra, a convivência com amigos cristãos e a prática diária do amor de Jesus fazem parte da rotina. A oração também ocupa um espaço especial. Embora reconheça que o cotidiano nem sempre permita momentos prolongados de devoção, a família procura rezar o terço sempre que possível, seja antes de dormir, nas refeições ou até durante as viagens de carro. Também há a participação ativa em pastorais e movimentos da Igreja, reforçando os laços comunitários e espirituais.

Evangelizar os filhos, para Anderson, é um dos grandes desafios da atualidade. Em meio a tantas distrações eletrônicas e informações diversas, ele aposta na presença e no diálogo. Levar as crianças à missa, introduzi-las aos grupos de jovens e cultivar conversas sobre fé são atitudes constantes em sua casa, “O exemplo diário é essencial”, destaca.

A missão de ser pai e evangelizador exige equilíbrio. Para ele, é necessário dedicar-se à formação espiritual dos outros sem perder o compromisso com os próprios filhos, acompanhando de perto o desenvolvimento pessoal e religioso deles.

Essa jornada, no entanto, também é repleta de aprendizados. Anderson diz que, com os filhos, passou a ter um olhar mais fraterno e amoroso sobre o mundo. “Aprendi a ser um ser humano melhor, com mais paciência, amor e compaixão”.

Aos pais que desejam iniciar o caminho da evangelização, mas ainda não sabem como, ele dá um conselho simples e direto: “Adquirir uma Bíblia, um Catecismo da Igreja e procurar uma comunidade próxima de sua casa para que possa se alimentar da palavra e da Eucaristia, o alimento que sustenta todo o cristão, pois assim como precisamos ir à academia para fortalecer o corpo, precisamos fortalecer diariamente nossa alma e nosso espírito”.
Como herança espiritual para seus filhos, Anderson deixa uma passagem bíblica que resume sua fé e missão: Isaías 55:10 – “Assim como a chuva e a neve cumprem seu propósito, a palavra de Deus também não volta sem realizar o que Ele deseja”.

“Antes de querer evangelizar o mundo, eu preciso amar e evangelizar a minha casa”

O bancário João Henrique C. Durães, 35 anos, formado em teologia, é casado com Taís Durães há 15 anos e pai de Giovanna Hadassa (14 anos) e Asafe Henrique (9 anos).  Ele morou por muitos anos em Bragança Paulista, onde congregava na Igreja Restauração, mas atualmente vive e trabalha em Jundiaí, onde atua na Igreja Unidade Missionária Cristã.

Em entrevista ao Jornal Em Dia Bragança, compartilhou sua trajetória de fé, os desafios e aprendizados da paternidade e sua missão cristã dentro da família. “Fui o típico filho nascido em 'berço cristão' como se diz – se é que existe esse conceito. O que desejo dizer é que meus pais já cultivavam a fé e me ensinaram os caminhos do Senhor desde cedo, e foram fundamentais nesse processo de conhecer a Deus e os Seus preceitos”.

João destaca que, apesar da criação cristã, todos em certo momento da vida são confrontados com o pecado. “Não importa se, quando criança ou adolescente, participamos das Escolas Bíblicas ou até mesmo se sabemos versículos decorados, não, isso não é suficiente. O confronto com a verdade, a revelação recebida de nossa pecaminosidade e insuficiência de nossas obras, nos levam a decidir se abraçamos a Obra salvífica do Filho de Deus na Mensagem da Cruz ou continuamos nos enganando a nós mesmos, vestidos de alguma aparência religiosa”, declara.

No ambiente familiar, ele acredita ser fundamental preservar e transmitir esses valores aos herdeiros. “Entendo que, como pais, temos uma grande responsabilidade recebida por Deus, a saber, cuidar de nossa casa com toda excelência, diligência e no temor do Senhor. Dentro disso, por exemplo, antes de dizer aos meus filhos 'façam isso' ou 'pratiquem aquilo', eles precisam enxergar em minha vida essa realidade e integridade. Mais do que dizer a eles 'não minta', eu preciso amar a verdade. Mais do que cobrá-los 'peça desculpas por isso', eu – primeiramente – preciso estar disposto a pedir perdão quando errar, seja em casa ou nos relacionamentos. E assim também penso que nas disciplinas espirituais, seja na prática da leitura da Bíblia, orações, doações, serviço, entre outras”, cita.

E apesar da agitação e dos desafios da rotina, ele considera o momento de oração no lar precioso. “Jesus nos ensina no Evangelho de Mateus 18:19:  ‘Também lhes digo que, se dois de vocês concordarem aqui na terra a respeito de qualquer coisa que pedirem, meu Pai, no céu, os atenderá.’ Sendo assim, quantos anseios, preocupações e propósitos em comum, nós temos como família? Muitos, não é? Pois bem, compartilhar esses pedidos de oração com quem amamos e juntos verbalizarmos em fé e concordância, certamente é uma das chaves eternas preciosas. Em casa, buscamos, no mínimo, semanalmente dedicarmos um tempo, intencionalmente, a esse propósito. Além, é claro, de em toda refeição praticarmos um rodízio nas orações de gratidão”, conta.

João crê profundamente que evangelizar os filhos é uma missão prioritária e cita Provérbios 22.6 como princípio; “‘Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele’. Outro lema que levo comigo é uma frase que ouvi certa vez: ‘Pregue para seus filhos como se pudesse salvá-los, e ore a Deus por eles como se não pudesse salvá-los’”.

Sobre o equilíbrio entre ser pai e evangelizador, João Henrique não vê conflito, mas uma missão unificada. “Para mim, não há disputa ou concorrência. Acredito que diante de Deus, criador dos céus e da terra, temos a principal missão diante dEle – além do nosso próprio coração e amá-lo sobre todas as coisas – a de apresentarmos a Ele a nossa família. Isso significa trabalhar e sustentá-los, ensinar os caminhos do Senhor e os valores do Reino de Deus. Se algum obreiro (ministro, pastor, pregador) tem falhado nessa missão primordial, que é a sua própria casa, precisa se arrepender e abandonar tudo aquilo que esteja roubando o seu tempo ou o furtando de sua própria família. Ou seja, em poucas palavras, eu diria que, antes de querer ‘evangelizar o mundo’, eu preciso amar e evangelizar a minha casa”, pondera.

Apesar de muito ensinar, João também revela que a paternidade é um processo de aprendizado constante. “Aprendi muito e ainda estou aprendendo. Aprendi que, em cada fase deles, eu também preciso me reinventar e desenvolver virtudes outrora ausentes. Tenho aprendido que o tempo de qualidade, muitas vezes, é mais valioso que presentes. Recebi orações e fortalecimento em momentos oportunos deles – mesmo em sua pouca idade, Deus já os usou para me edificar e consolar”.

Como conselho a outros pais que desejam evangelizar seus filhos, mas não sabem por onde começar, ele deixa uma orientação clara e amorosa: “Eu diria que o Evangelho e a paixão por Jesus precisam, realmente, te alcançar primeiro, pai ou mãe. Não podemos transmitir aquilo que não temos, isso é fato. A partir daí, ‘praticar igreja’ dentro de casa. E com isso não estou dizendo ‘fazer cultos’, no sentido da liturgia. ‘Praticar igreja’ tem a ver com cultivar relacionamento de aliança e amor através do sangue de Jesus. Além disso, se conectar com outras famílias que possuem a mesma fé, procurar ter intencionalidade no ensino dos mandamentos do Senhor aos seus filhos, buscar cativá-los com criatividade e perseverança”, enumera.

Por fim, ele menciona um versículo bíblico que deixa como herança espiritual para seus filhos – Mateus 22.37: “Jesus respondeu: ‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’”.

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