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Eleições municipais nas entrelinhas

As eleições municipais estão chegando. No cenário, o velho disfarçado de novo, o velho sem disfarce e aqueles que ainda não fazem a menor ideia do que estão fazendo. O velho sem disfarce é uma classe que ouso dividir em duas categorias: o que mostra o rosto e o que usa um “dublê”.
O velho disfarçado de novo é o menos interessante. Digo o motivo. Bragança Paulista é uma cidade pequena, provinciana, onde os nativos ao cumprimentarem um desconhecido, logo após o “olá”, perguntam: “mas de que família você é?”. Já estamos “carecas” de saber que de novo nada tem, jamais poderia inovar. Primeiro, porque falta experiência, mas sobra disposição. Receita para o caos.
De outro lado, muitas figurinhas carimbadas estão voltando ao cenário da política bragantina, e com eles, os velhos “truques”, as velhas “manias”. Esses são os velhos disfarçados de novo.  Aqueles com histórico na política local e que a maioria de nós sabe por onde andou, de que lado ficou e o que (de nós) levou.
Esse vem na pessoa de um “dublê”, como nos filmes – no caso de Bragança, o filme é de terror – quando o ator se machuca ou fica doente, coloca-se um profissional, que tem a mesma “aparência” e até o mesmo nome (ou sobrenome).
Essa figura jamais poderá representar a esperança. Por isso, se presta apenas a travestir a velha forma de fazer política, apresentando-a com uma nova carcaça, uma cara nova (é relativo). Essa carcaça, contudo, é malcheirosa, pois putrefata, cujo rastro deixado nos leva direto ao que há de mais asqueroso em termos de política partidária.
Outras figurinhas carimbadas também voltam ao cenário político, sem qualquer disfarce, mostrando o rosto, expondo as cicatrizes das batalhas passadas. Cicatrizes causadas pelo manuseio imperito da espada do poder e outras pelos golpes de punhal outrora cravado no fígado. O fígado ruim amarga a boca, o que parece fazer calar, enquanto as cicatrizes ensinam a ter respeito pela espada manuseada e estar alerta para os novos-velhos “punhais”.
Aquelas batalhas, contudo, deixaram um certo sentimento de receio, mas, ao que parece, foram travadas por alguém bem mais verdadeiro que um “dublê” e bem mais aceitável que a mera boa vontade tão somente.
Por fim, temos os que não fazem a menor ideia do que estão fazendo. Esses são os mais engraçados. A figura do “herói” da Marvel, aquele do escudo vermelho com uma estrela branca estampada, se assemelha a uma figura montada sob as luzes (eu chamaria de trevas) do governo federal. Em uma aventura não tão distante no passado, a Avenida Paulista foi “agraciada” com a participação especial do “herói”. Porém, a participação especial foi maculada pela necessidade de escolta policial para sua saída de cena. Lastimável para um herói. Pareceu mais o herói da triste figura de Miguel de Cervantes, aquele tal de Quixote que lutava contra os moinhos de vento pensando se tratar de gigantes. Os moinhos de vento, no caso do nosso herói do escudo, eram os “comunistas” que protestavam.
Para piorar, em aliança ao “rei” do condado vizinho – conhecido por suas falcatruas pelas quais a “Inquisição do Santo Ofício” já o condenara – deseja ser o vice-rei do império da Linguiça. Mas a Liga da Justiça, ao que parece, já deu uma boa dose de Rivotril ao herói do escudo estrelado. O sonho do vice-reinado se tornou o pesadelo do esquecimento.
Por fim, mas já no terceiro escalão em grau de relevância, temos aqueles que são as formigas operárias, mas que desejam ser o “formigão-mor”. O fato é que trabalham pouco para serem “formigões-mor”, então, entram no “jogo das cadeiras” em busca de um espaço ao lado do trono. Aquele espaço onde as folhas trazidas pelas formigas operárias chegam inteiras, mas depois de segundo mal sobra 1/6 dela. Já que não posso ser formigão-mor, dê-me uma parte do torrão de açúcar que eu fico feliz. Mas trago amigos que também precisam de torrões.
Nesse meio, tem aquele que sabe que jamais será formigão-mor, que jamais será rei, mas que aproveita sua habilidade para cozinhar os miolos e ensurdecer com suas patacoadas o pobre coitado que liga seu aparelho de telecomunicações de transcepção de dados codificados em sinal eletromagnético que se propaga através do espaço físico material e imaterial (vulgo rádio).
Pois bem. As eleições estão chegando e o cenário político está se definindo. A “dupla sertaneja”, com Nojag e Tugasov, o “trio parada mole” com Osilabi, Eramico e Chaul, e a “turma do Mashrou Leila” com Hebt e ... tanto faz, irão competir “amistosamente” pelo trono de linguiça. Muitos esperavam que esse trono fosse ocupado pela linguiça “calabresa”, mas a calabresa se rendeu à tradicional brasileira. Com pimenta!  E para os “minitronos” da câmara, teremos do “Amado sem braço” ao “Zé sem cérebro”.
Boa sorte!

Régis Fernandes é advogado, professor e especialista em filosofia.

 

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