Quando pequeno, não compreendia ao certo a altivez daquele homem simples, nem o porquê de franzir a testa sempre que lhe dava uma ordem ou o repreendia por algum motivo. Sim, ele o repreendia.
Sempre sério, sisudo, só se permitia a leveza do riso quando ele, travesso como era, fazia alguma gracinha adoravelmente irresistível. E riam juntos...
Homem trabalhador, dedicado à missão de levar comida à mesa e hombridade ao espírito, José fora um pai extraordinário. O homem comum, escolhido pelo Altíssimo para ser pai de Seu filho nesse plano terreno, exerceu seu papel de maneira íntegra, com a coragem de quem ousa advertir o Todo-poderoso sobre os perigos da rua ou das más companhias.
Com a paciência de quem, de alguma maneira compreende em seu íntimo, sua relevância, bem como sua total submissão aos planos traçados para o Deus-menino, seu filho.
Deus-homem, já mais tarde, mente e espírito forjados pelo simples marceneiro, de quem, além do ofício, aprendera também a integridade.
Ainda que não tenha sido gerado por ele, nem compartilhasse de seus genes, Jesus teve em José um exemplo de obediência, resignação, confiança plena e fé.
Submisso a seu pai terreno, Ele caminhou com retidão os caminhos traçados por seu pai celestial.
Madeira talhada por suas mãos firmes e habilidosas, Cristo foi certamente a obra que mais exigiu do exímio marceneiro. E por que não soubesse como agir de maneira diferente, ou por que fora impelido pelo amor constrangedor do Pai, José foi pai!
O pai do Deus encarnado. O homem cujas atitudes e exemplo forjaram o caráter do ser humano (divino) mais admiravelmente bom que pisou nessa terra.
Tenho para mim, e agora segredo isso a vocês, leitores, que talvez, por costume ou mero descuido da alma, Jesus tenha chamado pelo Pai, tendo em mente, tão simplesmente o homem José.
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