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Espaço Católico

Pai Nosso – A oração que Jesus ensinou

“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido”

Na primeira parte deste pedido, “Perdoai-nos as nossas ofensas”, reconhecemos que somos pecadores e, como o filho pródigo (Lc 15,11-32), humildemente pedimos perdão a Deus. Procedendo assim, reconhecemos a grande Misericórdia do Senhor e, ao mesmo tempo, nossa miséria e pequenez. 

Na segunda parte, “assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido”, nos propomos a perdoar aos que nos ofenderam. Ao pedir perdão, reconhecemos a nossa fraqueza e, a partir dessa atitude, podemos compreender a fraqueza e o erro de nosso próximo. É isto que Jesus nos ensina. O perdão dado aos que nos ofenderam deve preceder o perdão que pedimos. Aquele que tem a disposição de perdoar e perdoa está apto a receber o perdão do Senhor. O sinal eficaz desse perdão está nos sacramentos de Sua Igreja (cf Mt 26,28; cf CIC 2839).

Vejamos agora como foi que Jesus ensinou: “Deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48); “Sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso” (Lc 6,36); “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34). Seguir o que Jesus ensinou é participar na Santidade, na Misericórdia e no Amor de Deus. Conseguem isto aqueles que se deixam conduzir pela oração ao Espírito Santo que é nossa vida (cf Gl 5,25) e pode tornar nossos os mesmos sentimentos que teve Cristo Jesus (cf Fl 2,1.5). Assim, torna-se possível a unidade do perdão, “perdoando-nos mutuamente como Deus em Cristo nos perdoou” (Ef 4,32; cf CIC 2842).

A oração cristã chega até o perdão dos inimigos (cf Mt 5,43-44). Transforma o discípulo, configurando-o a seu Mestre. O perdão é um ponto alto da oração cristã e testemunho de que o amor é mais forte que o pecado. O perdão é a condição fundamental da Reconciliação (cf 2Cor 5,18-21) dos filhos de Deus com seu Pai e dos homens entre si (DM 14 § 8; cf CIC 2844). 

A Comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda relação (cf 2Cor 5,18-21). Esta comunhão é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (cf Mt 5,23-24; cf CIC 2845).

Finalizando, citamos São Cipriano, que assim pregou: “Deus não aceita o sacrifício dos que fomentam a desunião; Ele ordena que se afastem do altar para primeiro se reconciliarem com seus irmãos: Deus quer ser pacificado com orações de paz. Para Deus, a mais bela obrigação é nossa paz, nossa concórdia, a unidade no Pai, no Filho e no Espírito Santo de todo o povo fiel (cf CIC 2845).
 (Continua)

Paulo Trujillo Moreno
Pastoral Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito

Notas:
Lc – Evangelho de São Lucas
Mt – Evangelho de São Mateus
CIC – Catecismo da Igreja Católica
Jo – Evangelho de São João
Gl – Carta de S. Paulo aos Gálatas
Fl – Carta de S. Paulo aos Filipenses
Ef – Carta de S. Paulo aos Efésios
2Cor – 2ª Carta de S. Paulo aos Coríntios
DM – Dives in misericórdia = Deus, Rico em Misericórdia, Carta Encíclica do Papa João Paulo II 

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