Nesta invocação, pedimos que o Reino de Deus venha a nós. Isto pode nos induzir que o céu venha a nós, pois onde Deus está é para nós um céu. No início destas anotações, vimos que ao dizer “Pai nosso que estais no céu”, não nos referimos ao céu como um lugar, mas como a presença de Deus. Do mesmo modo, “vir a nós o vosso Reino” indica-nos também a presença de Deus em nós.
Na carta aos romanos, São Paulo diz: “O Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17). Nos últimos tempos que estamos vivendo, tempos da efusão do Espírito Santo, trava-se um combate decisivo entre “a carne” e o Espírito, o Mal e o Bem, o Pecado e a Virtude (cf Gl 5,16-25). São Cirilo de Jerusalém (in Catech.) escreveu: “Só um coração puro pode dizer com segurança: ‘Venha a nós o vosso Reino’. É preciso ter aprendido com Paulo para dizer: ‘Portanto, que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal’ (Rm 6,12). Quem se conserva puro em suas ações, em seus pensamentos e em suas palavras pode dizer a Deus: ‘Venha o vosso Reino’” (cf CIC 2819).
Voltando ao Reino de Deus, Jesus deixou na terra a Igreja que tem sua origem no amor do eterno Pai. Fundada por Cristo Redentor e reunida no Espírito Santo, tem um fim salvador que só poderá atingir plenamente no outro mundo. A Igreja tem por missão conduzir o povo ao Reino de Deus, formando a família dos filhos de Deus, que deve crescer até a vinda do Senhor. Por isso, ela caminha com a humanidade e se torna fermento e alma da sociedade humana que deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus (cf GS 40 § 2º).
Este pedido está contido e é atendido na oração de Jesus, presente e eficaz na Eucaristia; produz seu fruto na vida nova segundo as bem-aventuranças (CIC 2821).
(Continua...)
Paulo Trujillo Moreno
Pastoral Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito
Notas:
Rm – Carta aos Romanos
Gl – Carta aos Gálatas
CIC – Catecismo da Igreja Católica
GS – Gaudium et Spes (Conc. Vat. II)
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