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Saúde

Outubro Rosa: risco de câncer de mama aumenta com a idade, mas jovens também precisam ficar alertas

A doença é dividida em quatro subtipos e apresenta a mesma evolução e agressividade, independente da faixa etária, explica especialista

Tudo começa, na maioria dos casos, com um “carocinho” na mama da paciente, seja ele palpável (que dá para sentir ao tocar), ou descoberto por meio de um exame de imagem. Antigamente o diagnóstico era uma sentença quase certa do fim e, embora o câncer de mama ainda seja o tipo que mais acomete e mata entre as mulheres, é importante destacar que os índices de cura são muito bons, especialmente se a doença for descoberta precocemente.

O Jornal Em Dia conversou com o médico especialista em Mastologia, Ginecologia e Obstetrícia, Anastasio Berrettini Jr. O profissional explicou que a incidência do câncer de mama aumenta conforme a idade da paciente, mas que nem todo nódulo significa câncer: abaixo dos 40 anos, 90% são considerados benignos; entre 40 e 60 anos, 60% não representam perigo. Após os 60, a descoberta de um “caroço” aumenta as chances de malignidade.

Embora o risco de câncer de mama em jovens seja baixo, não significa que a descoberta de um nódulo não deva ser investigada. Infelizmente é comum que o diagnóstico abaixo dos 40 seja feito de maneira tardia, seja por a própria mulher não reconhecer alterações na mama, ou por conta da negligência dos médicos com as queixas da mulher jovem.

O mastologista destaca que as pacientes de alto risco (que tenham familiares de 1º grau com câncer de mama antes dos 50 anos, portadoras de mutação genética) devem iniciar a mamografia a partir dos 35 anos, mas que os seios de toda mulher devem ser examinados a partir dos 20. Fora desse grupo de risco a mamografia deve ser realizada a partir dos 40 anos, favorecendo o diagnóstico precoce.

“Diferente de outros tumores, não conseguimos identificar o tempo [que o câncer leva para se desenvolver a um tamanho palpável], pois cada tumor tem uma velocidade de crescimento diferente. Entretanto, a realização de uma mamografia anual, a partir dos 40 anos, pode detectar o câncer inicial, 1 a 2 anos antes de se tornar um nódulo palpável”, esclarece Anastasio.


     Foto: reprodução site (www.dranastasio.com.br)

SINAIS DE ALERTA

Por conta da pandemia de Covid-19, houve uma redução de 60% no número de mamografias realizadas entre 2020 e 2021, como esclarece Anastasio: “Como isso, estamos fazendo o diagnóstico de tumores mais avançados hoje. Além da fila em consultórios particulares e principalmente, no SUS”.

Portanto, é sempre necessário destacar a importância do autoexame nas mamas, a fim de que a mulher se conheça e saiba distinguir quaisquer mudanças nesta região do corpo.

Alguns dos sintomas do câncer de mama são: presença de nódulo, inchaço, vermelhidão, secreção do mamilo, mudanças na forma e textura do mamilo e das mamas e, em alguns casos, dor. Contudo, vale lembrar que em grande parte das incidências a doença não apresenta qualquer sinal de sua presença, sendo descoberta apenas mediante exames de imagem.

Segundo o médico, alguns fatores “protetores” contra o câncer de mama são a gravidez antes dos 25 anos, maior número de gestações, maior tempo de amamentação, primeira menstruação após os 12 anos e menopausa precoce. Já entre os fatores de risco, se destacam o consumo de bebida alcoólica (principalmente destilados), ganho de peso na menopausa, falta de atividade física e uso de terapia hormonal.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O primeiro passo para a mulher que encontrou um nódulo no seio é a consulta para avaliação de um especialista. As usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) podem se dirigir à unidade de saúde pela qual são atendidas e solicitar ou agendar uma consulta com o clínico geral que, após avaliar o caso, pode encaminhá-la para as especialidades correspondentes.

Após a avaliação, é recomendada a realização de mamografia e ultrassom de mamas e, se ainda restarem dúvidas, a solicitação de uma biópsia de mama (quando é retirado, de maneira cirúrgica, um pedaço do tecido investigado para análise em laboratório e confirmação ou descarte do diagnóstico de câncer).

O tratamento, segundo Berrettini, é individualizado, não existindo uma fórmula. A quimioterapia é, normalmente, a mais indicada, uma vez que é capaz de eliminar possíveis células cancerígenas presentes na corrente sanguínea, o que reduz a chance de que a doença retorne. Em alguns casos, a “quimio” deve ser feita antes da remoção do tumor; em outras, depois, e até mesmo pré e pós-cirúrgico.

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