Inesquecível. Esta é a palavra que define o sentimento de nossa família em relação a esta que foi nossa primeira viagem de férias – e também a primeira experiência de Endi tomando um avião para, no dia seguinte, adentrar o lindo (e límpido) mar de Okinawa.
Ah, Okinawa... Essa ilha no Pacífico que é um verdadeiro paraíso na Terra, mas que infelizmente é mais conhecida pela ocupação norte-americana após a Segunda Guerra Mundial. Pois saibam, caros leitores, que Okinawa, este Japão à parte – com traços e costumes tão diferentes do restante do país – é muito mais que bases militares.
Não ficamos na capital, Naha, vale ressaltar, mas na península de Motobu (Motobu Hantou). Escolhemos o lugar porque era lá que ficava uma das atrações turísticas mais ansiadas pelo nosso filho: o Okinawa Churaumi Aquário, que é um dos maiores aquários do mundo (era o maior até 2005, quando foi superado pelo de Georgia, nos Estados Unidos). E lá realmente a diversão não foi somente para Endi, pois nós também ficamos fascinados com a extensão do local e pela enorme quantidade de animais marinhos, inclusive com a presença de uma gigantesca baleia orca. Um espetáculo que os nossos olhos apreciaram bem de perto, vale frisar, uma vez que havia no aquário uma cafeteria instalada de tal modo que parecia que estávamos mesmo dentro do mar, com os peixes nadando ao redor. Uma experiência fantástica, enfim, para dizer o mínimo.
E, falando em peixe, como não citar a emoção que tivemos no dia seguinte à visita ao aquário, desta vez com o nosso “peixinho” na famosa praia “Emerald Beach”. Estávamos preocupados, minha esposa e eu, que Endi não quisesse adentrar o mar. E realmente, no início, ele hesitou um pouco. Mas aí contribuíram o amor e a paciência, além do “trabalho de equipe” dos pais. Primeiro, eu, que não sei nadar, fui caminhando com ele, passinho a passinho, até um ponto em que a água ficasse um pouco acima de sua barriga. E parece que a estratégia deu certo, porque quando minha esposa (que sabe nadar) veio com uma boia, Endi começou a movimentar as pernas e os braços no ritmo da natação, como se já estivesse dando início ao aprendizado. E mais: a uma certa altura, disse-nos até que não queria mais sair do mar, arrematando em seguida: “Gosto das ondas porque elas estão vivas... Elas se movem...”. Foi quando percebi que, além de um nadador, também emergira daquelas águas um pequeno poeta.
Pois, afinal de contas, Okinawa é isto mesmo: momentos de poesia. Tanto que, após a praia, lá estava ela de novo, a poesia, durante um passeio de carro de boi (sim, na ilha também há esta pequena viagem no tempo). Isso porque, como parte da atração, os passageiros desse carro escutavam uma canção típica da região, que em um de seus trechos dizia: “Kyoukasho ni kaitearu/ Koto dake ja wakaranai/ Taisetsu na mono ga/ kitto koko ni aru hazu sa/ Sore ga shimajinnu takara”. Algo como: “Deve haver algo precioso aqui que os livros da escola não hão de te ensinar/ E isso é o tesouro do povo da ilha”. E é verdade: para a gente de Okinawa é a sabedoria popular que realmente nos educa, que nos prepara para a vida. Como pudemos atestar em cada canto a que fomos, conversando e aprendendo com o sorridente povo local.
Arigatô, Okinawa, pela lição proporcionada da melhor forma possível: por meio da diversão.
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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quatrocentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2022, teve dois livros premiados no Concurso Internacional da União Brasileira de Escritores-RJ, recebendo o Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) e o Prêmio Luiz Otávio (para “Livro de Trovas”). Foi um dos cronistas escolhidos para compor o livro didático “Se Liga na Língua - 8º Ano” da Editora Moderna (2024). É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).
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