Meu filho começou a gostar de futebol, o que é, claro, um deleite para este pai brasileiro.
E eu tento incentivar a nova paixão como eu posso. Por exemplo, batemos uma bolinha de vez em quando, aqui em casa mesmo – no Japão, a criançada sofre para arranjar um espaço para jogar suas peladas (a não ser que seja nas escolinhas de futebol ou no ginásio dos colégios) –, para que ele aprenda as regras básicas do esporte.
Bem, falando a verdade, não sou lá nenhum craque da bola, mas tento passar meus parcos conhecimentos futebolísticos ao pequeno. Por exemplo, comecei a ensinar-lhe a regra do pênalti. E assim ele vai aprendendo e se divertindo com o esporte de Charlie Miller.
O pequeno, aliás, aprende rápido e, no último domingo, ficou mesmo entusiasmado ao assistir pela TV à sua primeira partida de futebol. Mas não foi uma partida do Brasileirão, e sim uma do campeonato alemão: um jogão, aliás, entre as equipes do Bayern Leverkusen e do Mainz. Jogo este que terminou empatado em “dois a dois”, sendo que o VAR (um chato de galocha) anulou um caminhão de gols do Mainz.
E foi lá, pela metade do segundo tempo, que meu filho olhou para mim e perguntou: “Pai, o Brasil é o melhor time do futebol do mundo?”. Minha primeira reação, porém, foi apenas a de olhar de relance para a tevê e, vendo os alemães jogarem, lembrar-me do “sete a um” que, desde então, praticamente sepultara o respeito mundial pelo futebol brasileiro.
Mas logo me recompus para encher o peito de orgulho e responder ao pequeno: “Sim, filho, o Brasil ainda é o melhor futebol do mundo. Por exemplo, temos jogadores nos principais times da Europa, e, mesmo os nossos times ainda fazem frente ao futebol europeu”. E acho que aí não falei nenhuma inverdade, considerando o excelente desempenho dos times do Flamengo, Botafogo, Palmeiras e Fluminense no atual Mundial de Clubes da FIFA.
Foi aí que ele, para a minha surpresa, ficou um pouco triste e, com aquela pureza maravilhosa das crianças, indagou-me: “Então quer dizer que o Brasil do papai é mais forte que o meu Japão?”. Foi aí que eu, adotando um ar de seriedade, respondi dessa vez: “Não, isso não. De todos os países do mundo, o Brasil só não é mais forte que o Japão”.
E foi aí que Endi sorriu, satisfeito com a resposta. E, logo depois, juntos, pai e filho celebraram mais um gol do Mainz...
E, enquanto eu via meu filhinho pular de alegria gritando “gol!”, sorri pensando: “Você, sim, meu filho, escolha o trabalho que escolher no futuro, será sempre para mim O MELHOR DO MUNDO. E isso indiscutivelmente”.
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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2024, seu livro obteve o Primeiro Lugar no Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) da UBE-RJ. Também em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio-correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).
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