De um lado, a suntuosidade de paredes recém-pintadas, a cor anteriormente usada não agradava ao novo hóspede. Paredes essas sobre as quais, diga-se de passagem, nenhuma arte. Paredes austeras, para um homem austero. Nenhuma imagem decorando os ambientes, enormes ambientes, vazios ambientes, de vida e cor e significado.
De certo, nem ao menos sabe o que faz ali. O não merecimento deixa as pessoas perdidas nos ambientes em que se colocam, sem entender ou saber de absolutamente nada.
É só um homem austero, afogado em seu próprio ódio, destilando palavras de ódio vez ou outra na TV. Incitando o ódio, sempre. Promovendo ações odiosas, sempre que possível também.
Seus filhos, o que dizer deles? Meninos mimados? Correm pelo palácio, sempre envoltos em brincadeiras de lutinhas ou fazendo “arminha” com as mãos. Caçando-se uns aos outros, em cenas bestiais. Isso quando não estão usando a internet para legitimar a herança intelectual que receberam do pai, com postagens obscenas.
Uma vida medíocre, um homem mediano, a personificação do raso. Preso na pior das prisões, aquela que se constrói em torno de si mesmo, aquele que não ama.
Do outro lado, porém, na cela mediana, um homem gigantesco. As paredes, muito provavelmente, repletas de cartas e mensagens e todo o colorido que só quem ama a vida e as cores todas sabe apreciar.
Numa cela viva, um homem, que, longe de ser mediano, acompanha, vez por outra, na TV, o ser mediano proferindo-lhe impropérios, acusando-lhe, sim, a ele que está preso, por seu próprio fracasso.
Homens medianos são mesmo assim. Eles não esquecem. E mais que isso, sempre recorrem aos seus oponentes para lograr tentativas levianas de justificar seus próprios erros grotescos.
Na cela, um homem cujo sonho ainda acalenta uma nação. No palácio, um usurpador.
O homem da cela não pertence àquele lugar. O homem do palácio, tampouco ao palácio.
Mais que separados por paredes, esses homens estão separados a milhas pela diferença de ideais.
O homem do palácio, misógino, violento, preconceituoso, egoísta, recalcado, nisso tudo está preso!
O homem da cela, e apesar da cela, ou de qualquer prisão que lhe forjem os homens medianos, está verdadeiramente livre, porque o homem que ama é livre!
0 Comentários