Neste mês, a campanha Novembro Azul busca conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata e do cuidado com a saúde masculina. Segundo tipo mais comum de câncer entre os homens, representa cerca de 29% dos casos registrados. Segundo o Painel de Oncologia do Ministério da Saúde (DataSUS), que reúne os registros de diagnósticos oncológicos realizados pelo Sistema Único de Saúde, em 2024, foram contabilizados 41.357 casos, enquanto de janeiro a junho de 2025 já houve 12.430 ocorrências. A maioria dos diagnósticos se concentra a partir dos 60 anos, com 10.687 registros, mas homens entre 40 e 49 anos também foram afetados, somando 175 casos.
De acordo com o urologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dr. Jean Datovo, é fundamental que o cuidado com a saúde masculina seja contínuo e não se restrinja apenas às campanhas. “A prevenção e o diagnóstico precoce são os principais aliados para o sucesso do tratamento. Consultas regulares e exames de rotina permitem identificar alterações ainda em estágios iniciais, quando as chances de cura são muito maiores”, destaca o especialista.
A detecção do câncer de próstata pode ser feita por meio de dois exames principais. O PSA (Antígeno Prostático Específico) é um exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata. Níveis elevados podem indicar alterações, que vão desde inflamações até a presença de tumores. Já o exame de toque retal é um procedimento rápido e indolor, no qual o médico avalia o tamanho, a forma e a consistência da próstata, sendo essencial para complementar a análise e aumentar a precisão do diagnóstico.
“Muitos homens ainda relutam em procurar o urologista, seja por receio ou por desinformação. No entanto, é importante entender que o acompanhamento regular e a realização do PSA são formas simples e eficazes de detectar precocemente qualquer alteração. O toque retal, quando indicado, complementa essa avaliação e pode fazer toda a diferença no diagnóstico”, explica o urologista.
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver o câncer de próstata, como a idade acima dos 50 anos, o histórico familiar da doença, a obesidade e hábitos alimentares pouco saudáveis. Homens negros também apresentam maior predisposição e, por isso, devem iniciar o acompanhamento com o urologista mais cedo, a partir dos 45 anos.
Segundo o urologista, o câncer de próstata muitas vezes se desenvolve de forma silenciosa. “Nos estágios iniciais, a doença pode não apresentar sintomas, o que reforça a importância de realizar os exames preventivos regularmente, mesmo quando o paciente não sente nada incomum”, explica o especialista.
Com o avanço da doença, podem surgir sinais como dificuldade para urinar, diminuição do jato urinário, necessidade de urinar com maior frequência – especialmente à noite –, presença de sangue na urina ou no sêmen e dores na região lombar, nos quadris ou nas pernas. “Quando esses sintomas aparecem, geralmente o câncer já está em um estágio mais avançado, o que torna o tratamento mais complexo. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para garantir melhores resultados e maiores chances de cura”, conclui o médico.
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