Não é preciso muito para despertar a vaidade de um escritor ou aspirante a. Somos, e me incluo nessa categoria de pessoas que sofrem desse mal e ouvem vez por outra as vozes da inspiração, muitíssimo vaidosos. Sentimos prazer no fato de marcarmos nossa existência nesse plano através da efemeridade de textos, que, nem sempre são tudo aquilo que supomos serem.
Temos egos quase tão grandes quanto nossa prolixidade. Visite uma reunião de escritores e entenderá o que digo. Até os mais tímidos coram ao ouvirem um elogio direcionado a um de seus rebentos. Sim, porque textos são como filhos, que parimos depois de muitas dores.
Escrever é uma sina e um tormento, é quase uma doença. Um escritor sente a necessidade quase que imposta de escrever, não escreve porque quer ou porque alguém precise de seus escritos, escreve simplesmente pelo fato de não conseguir conviver consigo e com o mundo sem transpor para o papel ou para as telas seu desarranjo e seu desassossego.
É por isso que escrevo, porque não tenho outra alternativa à vida.
Já participei de alguns poucos concursos, em alguns deles fui premiada, mas nada me preparou para a emoção que senti esta semana, quando recebi o prêmio mais alto que uma escritora pode receber.
Era uma tarde comum como tantas outras, quando recebi a honraria. Fui pega de surpresa pela fala de meu sobrinho, enquanto o rodeava, ao computador, perguntando se queria água ou algo para comer. Ele passa as tardes em casa, depois da escola, e a maior parte do tempo em frente ao PC, jogando com os amigos.
Numa pausa, que vez por outra ele faz, para me contar algo do seu dia, ele anunciou:
- Tia, vai ter um piquenique literário na minha escola e eu vou levar o seu livro!
O que é um Nobel da Literatura diante disso? Pensei eu. De todas as opções disponíveis em literatura para um garoto de onze anos, ele escolheu, orgulhosamente, levar o livro de poemas escrito pela tia!
Fiquei sem reação, a princípio, nem entendi direito. Pensei ser um evento literário aberto ao público, uma espécie de feira do livro. Mas não, os sextos anos iriam se reunir para compartilhar as leituras de que gostam. E o Sub-versão em versos fora orgulhosamente escolhido para este momento.
Continuarei escrevendo, cumprindo a sina que me foi dada ainda quando criança, isso é fato, mas jamais – e não importam as cifras, nem qualquer espécie de honraria – jamais me sentirei tão honrada e emocionada com um prêmio quanto fiquei naquela tarde, aparentemente igual a tantas outras.
Aliás, nem preciso mais me preocupar em vencer qualquer concurso literário que seja: já recebi, mesmo sem merecer, meu maior prêmio, quando me tornei tia desse menino incrível chamado Lucas!
***
0 Comentários