É sempre com júbilo que falamos do Natal, fazendo memória do amor zeloso de Deus, que nos deu o seu Filho, dom do seu amor — amor que sempre nos precede, nos alcança e caminha conosco. “Nasceu-vos hoje um Salvador, que é Cristo Senhor, na cidade de Davi. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas, deitado numa manjedoura” (Lc 2,11-12).
De modo sóbrio e simples, o evangelista Lucas apresenta o grande acontecimento, anunciado pelo profeta Isaías. Deus se reveste do humano e vem a nós na forma de uma criança, envolvida por circunstâncias frágeis e sem um lugar para nascer: “... pois não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). No entanto, Maria e José tudo providenciaram para que seu nascimento fosse revestido de dignidade e a todos alegrasse e encantasse.
Pobre entre os pobres e com os pobres, Ele se dá a conhecer. Longe da realeza e do triunfalismo, sem sinal algum de poder ou grandeza, o Messias esperado é reconhecido pelos pequenos e pobres pastores, recebendo deles adoração e solidariedade. Eles foram os primeiros a estar com Ele. Nele reconheceram a Boa Notícia do amor e da salvação de Deus.
Uma nova história se inicia: história de superação de toda injustiça, opressão e dominação. “Multiplicaste o povo, deste-lhe grande alegria; eles alegraram-se na tua presença como se alegram os ceifadores na colheita, como se regozijam os que repartem os despojos. Porque o jugo que pesava sobre eles, a canga posta sobre seus ombros, o bastão do opressor, tu os despedaçaste como na jornada de Madiã. Com efeito, toda bota que pisa ruidosamente no chão, toda veste que se revolve no sangue serão queimadas, serão devoradas pelas chamas. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; ele recebeu o poder sobre os ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro Maravilhoso, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz, para que se multiplique o poder, assegurando o estabelecimento de uma paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, firmando-o e consolidando-o sobre o direito e sobre a justiça. Desde agora e para sempre, o zelo de Iahweh dos Exércitos fará isto” (Is 9,2-6).
Na fragilidade do menino que nasceu está o Deus forte, que se levanta contra os detentores dos poderes deste mundo. Ele é verdadeiramente o Filho de Deus, “Deus de Deus, Luz da Luz”, que, abaixando-se, entrou no mundo e se fez um de nós para a todos atrair para si e a todos salvar.
Que o Natal das aparências e da artificialidade dê lugar a um Natal mais humano, preferencialmente com a participação dos explorados e excluídos dos bens necessários para uma vida com dignidade — não só no Natal, mas sempre. Não podemos ignorar que são muitos os pais de família sem casa, sem trabalho e sem pão; muitas as crianças que não têm um lugar digno para nascer e viver, sem falar das indesejadas e até abortadas; muitos os jovens e adolescentes mergulhados nos vícios, atrelados à violência e sem perspectivas de vida; muitas as vítimas da guerra, perto e longe de nós, fazendo eco à palavra profética: “o bastão do opressor não foi quebrado, marcha ainda hoje o calçado ruidoso dos soldados, e a veste manchada de sangue está todos os dias estampada diante de nós”.
É verdade que vultosas somas são investidas em armamentos, tecnologias sofisticadas, tráfico de drogas, políticas corporativistas com interesses escusos, comercialização de seres humanos e corrupção — o que daria para matar a fome de milhões de seres humanos. Mas é também verdade que o desígnio de Deus triunfará sobre toda a humanidade. É sua a promessa de “uma paz sem fim” (Is 9,6), que se realizará com justiça, ética nas relações políticas e econômicas e, sobretudo, com dignidade para todos.
Não permitamos que a sociedade de consumo roube de nós o encantamento do Natal. Com o término do Jubileu da Encarnação, permanece a esperança — “esperança que não decepciona”. Com Maria, José, os pastores, os magos e todos os que o acolhem, contemplemos e adoremos o Menino que nasceu, suplicando:
“Senhor Jesus, vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira alegria e fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a vós. Ajudai-nos a reconhecer, no outro que tem necessidade de nós, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs, para nos tornarmos uma família, a vossa família” (Bento XVI).
A todos os nossos diocesanos, um Feliz Natal, com Jesus, com a família e com toda a comunidade. Sua luz ilumine o ano novo que se aproxima, e seu brilho permaneça para sempre.

Dom Sérgio
Bispo Diocesano
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