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SUB-VERSÃO

Na janelinha...

Não, eu também não deixaria meu assento, que escolhi previamente, próximo à janela do avião. E não, não me falta empatia. O que falta é civilidade e respeito por parte de muitos usuários das companhias aéreas.

A Lei de Gerson parece imperar até mesmo nesse transporte, o que tem de gente folgada, isso mesmo, folgada, em aviões não tá escrito. É gente excedendo o limite de bagagem a bordo e usando o seu espaço para socar as malas, a fim de não despachá-las, na maior cara dura. É casalzinho querendo trocar de lugar, porque comprou poltronas afastadas.

Ah, gente, façam-nos o favor! Poupem-nos do desgaste de ensinar-lhes o básico da educação e do convívio em sociedade, e digo mais: atentem-se mais ao que estão escolhendo no momento da compra, afinal, sim, vocês podem escolher onde sentar-se.

O que não dá para escolher é atazanar a viagem dos outros.

E até mesmo as crianças precisam sim, desde cedo, aprender que sua liberdade termina onde começa a do outro, e que é preciso respeitar o limite que margeia nossas vontades e aquilo que realmente podemos.

Uma sociedade tosca, mal educada, mal intencionada, que acha bonito tentar levar vantagem em tudo e sobre todos cria gerações igualmente desprovidas de noção.

Estamos, ao validar atitudes como a da mãe naquele voo, criando mais gente folgada, mais gente desrespeitosa, que não sabe seu lugar e ainda culpabiliza o outro quando não tem suas vontades realizadas. Fosse eu a moça do assento desejado, ainda processaria a tal senhora por uso indevido de imagem.

A polêmica que viralizou nas redes sociais nos serve de alerta, a todos nós, sejamos nós pais, professores, tios... Que geração estamos ajudando a criar? Uma geração tirana, que tem de ter todas as suas vontades atendidas, e isso a despeito do prejuízo que possa vir a causar a outrem?

A reflexão gerada pelo episódio toma proporções que vão muito além do fato de ceder ou não o lugar a uma criança que gosta de sentar-se próximo à janela do avião, ela nos ensina sobre responsabilidade paternal e sobre respeito, respeito pelo outro e por seu espaço.

Não, não houve maldade nenhuma por parte da moça que se recusou a trocar de lugar. Maldade há em quem, consciente ou inconscientemente, defende absurdos como esse.

Ou repensamos nossa postura ou estaremos criando adultos que simplesmente não saberão apreciar as paisagens que a vida tem a nos oferecer, mesmo quando não conseguimos o assento próximo à janela.

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