Foto: reprodução Pixabay
news-details
Geral

Merendeiras de escolas estaduais protestam contra atrasos no pagamento

Drama das funcionárias pode chegar a uma conclusão ainda neste final de semana

Nessa segunda-feira, 12, merendeiras de escolas estaduais de Bragança Paulista aderiram ao movimento de trabalhadores de refeições coletivas do estado contra os frequentes atrasos no pagamento do salário e outros benefícios. As funcionárias, que se dirigiram à porta da Diretoria de Ensino da cidade, atuam de forma terceirizada pela empresa Torres & Vianna.

Entre as reivindicações, estão: depósito do vale-transporte na data correta, recebimento de cestas básicas, depósito do FGTS, fornecimento de equipamento básico como panelas, aventais, calçados entre outros requisitos. Denúncias afirmam que, após diversas colaboradoras pedirem as contas, pessoas estão sendo chamadas para compor as equipes sem qualquer exame admissional ou contrato formal.

O Jornal Em Dia teve acesso a uma série de mensagens de texto trocadas por funcionárias bragantinas. Elas reclamam principalmente dos frequentes atrasos no pagamento do salário e do vale-transporte, sem o qual não conseguem se dirigir ao local de atuação. Muitas das trabalhadoras dizem que vão aderir a uma possível paralisação caso o problema não se resolva.

SINDICATO E DIRETORIA DE ENSINO SE PRONUNCIAM

Lilian Lacerda, advogada do Sindicato dos Trabalhadores em Refeições Coletivas de Jundiaí e Região (Sintercoj), conversou com a reportagem no início da tarde dessa terça-feira, 13. A profissional informou que a Diretoria de Ensino está retendo as notas fiscais por conta da inadimplência da empresa e que o sindicato vem buscando uma liberação para que as funcionárias possam receber o salário e os benefícios atrasados.

Em nota ao Jornal Em Dia, a Diretoria de Ensino da Região de Bragança Paulista informou que “todos os pagamentos à empresa vencedora da licitação mencionada foram feitos em dia por parte do órgão estadual e todas as escolas contam com estoque de alimentação necessário ao atendimento dos estudantes”.

A nota ressalta, ainda, que a Secretaria de Educação do estado de São Paulo “está adotando todas as sanções legais previstas pelo descumprimento do contrato. Paralelamente, o órgão está em contato com as merendeiras e com o sindicato a fim de que os direitos das trabalhadoras sejam preservados”.

DESCASO

Em conversa com duas merendeiras que atuam em escolas estaduais de Bragança, ambas relataram o descaso da empresa Torres & Vianna com as condições de trabalho do setor. As funcionárias, que não quiseram ser identificadas por medo de represálias, questionam as autoridades estaduais a respeito da fiscalização do trabalho das empresas que prestam serviços para o estado de São Paulo:

“Você veja bem, o estado não está errado em ‘segurar’ o dinheiro por causa das irregularidades da empresa, só que o estado contratou a empresa. Vai me dizer que não sabia? O que ninguém pensa é que quem vai trabalhar aqui somos nós, merendeiras, humanas, que moramos em Bragança Paulista, onde nossos filhos estudam, onde a gente faz o nosso trabalho. Eu entrei aqui pra fazer comida para os meninos e é isso que eu faço”.

Diferente de outras profissionais, a segunda merendeira entrevistada ainda recebeu alguns benefícios da contratante, mas afirma que a falta do salário compromete as contas da casa e sustento da família:

“Eu moro sozinha, com a filha e dois netos. No dia do pagamento, minha luz ‘deu pau’, não tinha dinheiro, o único dinheiro que mandaram foi o ‘VT’ e a cesta básica. Estamos numa situação terrível, trabalhamos o mês inteiro pra ter dinheiro e eles não pagam pra gente. [...] Essa empresa, no mês passado e esse mês, não teve quase nenhum gasto, porque a gente não tinha produto de limpeza, nem equipamento, não tinha nada... avental, se a gente tem um, é porque trouxe de casa”.

POSSÍVEL DESFECHO

Até a quarta-feira, 14, após diversas reuniões, as partes não haviam chegado a um acordo, de forma que as trabalhadoras se dirigiram às escolas, mas não distribuíram merenda como forma de protesto. Já na quinta-feira, 15, foi sinalizada a formalização de um acordo entre a empresa e a Diretoria de Ensino, para que os benefícios das merendeiras fossem pagos.

A previsão é de que o salário e a cesta básica em atraso fossem acertados nessa sexta-feira, 16. Também está prevista uma nova reunião com a Torres & Vianna para tratar das pendências. Até o momento da atualização desta matéria, às 14h de sexta-feira, nenhum pagamento havia sido realizado.

Matéria em atualização.

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image