news-details
Espaço Católico

Magnificat: o canto de Maria

Conclusão

Para concluir esta exposição, desejo relembrar o documento de Puebla, que diz: Maria “é reconhecida como modelo extraordinário da Igreja na ordem da fé (cf Mc 3,31-34). É aquela que crê, pois nela resplandece a fé como dom, abertura, resposta e fidelidade. É a discípula perfeita que se abre à palavra e se deixa penetrar por seu dinamismo. Quando não a compreende e fica surpresa, não a repele, ou põe de lado; medita-a e conserva-a (cf Lc 2,51). E quando a palavra lhe soa dura aos ouvidos, persiste confiantemente no diálogo de fé com Deus que lhe fala; assim na cena do encontro com Jesus no templo, assim em Caná, quando seu filho a princípio rejeita sua súplica (cf Jo 2,4). Fé que leva a subir ao Calvário e a associar-se à cruz, como a única árvore da vida. Pela sua fé é a Virgem fiel em quem se cumpre a bem-aventurança maior: “feliz aquela que acreditou” [(Lc 1,45); (§ 296)].

“O Magnificat é espelho da alma de Maria. Neste poema, conquista o seu cume a espiritualidade dos pobres de Javé e o profetismo da Antiga Aliança. É o cântico que anuncia o novo Evangelho de Cristo. É o prelúdio do Sermão da Montanha. Aí, Maria se nos manifesta vazia de si própria e depositando toda sua confiança na misericórdia do Pai. No Magnificat, manifesta-se como modelo “para os que não aceitam passivamente as circunstâncias adversas da vida pessoal e social, nem são vítimas da alienação, como se diz hoje, mas que proclamam com ela que Deus ‘exalta os humildes’ e se for o caso `derruba os poderosos de seus tronos’...” [(São João Paulo II, Homilia Zapopán, 4 - AAS LXXI p.230); (§ 297)]. 

O papa Francisco assim se expressou: “O Magnificat é um canto de esperança, que nos quer despertar também a nós convidando-nos a entoá-lo hoje por meio de três elementos preciosos que nascem da contemplação da primeira discípula: Maria caminha, Maria encontra, Maria rejubila porque trouxe algo maior do que Ela: foi portadora de uma bênção e incentivou a anunciar o Evangelho com alegria e sem medo.

Como Ela, não temamos por sermos portadores da bênção de que precisa a Romênia (o mundo1). Sede vós os promotores de uma cultura do encontro que desminta a indiferença e a divisão e permita a esta terra (ao mundo1) cantar, com força, as misericórdias do Senhor.

Este é o segredo do cristão: Deus está no meio de nós como poderoso salvador. Esta certeza – como sucedeu com Maria – permite-nos cantar e exultar de alegria. Maria rejubila, porque é a portadora do Emanuel, do Deus conosco”. 

Em seguida, o Papa explicou: “o problema da fé é a falta de alegria. A fé vacila quando nos arrastamos na tristeza e no desânimo. O segredo da alegria de Maria, pequena e humilde, parte da grandeza de Deus e, apesar dos seus problemas que não eram poucos, permanece na alegria, porque em tudo confia no Senhor. Lembra-nos que Deus sempre pode fazer maravilhas, se permanecermos abertos a Ele e aos irmãos (cf Discurso do Papa Francisco, 31/05/2019, em Bucarest, Romênia, na celebração realizada na Catedral Católica de São José).

(Fim)

Paulo Trujillo Moreno
Pastoral Litúrgica e Familiar da Paróquia São Benedito

Notas: 
1 - Parênteses nossos.

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image