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Espaço Católico

Magnificat: o canto de Maria

5 – Depôs os poderosos de seus tronos,

     e a humildes exaltou.

     Cumulou de bens a famintos

     e despediu ricos de mãos vazias.

Poderosos são aqueles que exercem o governo de seus países. No texto, porém, Nossa Senhora se refere àqueles que usam esta posição para explorar o povo humilde. Na Bíblia, esse poder vem de Deus e deve ser exercido em favor de todos. Os governantes devem estar a serviço do povo e exercer seu poder para o bem comum. No livro dos provérbios lemos: “Ele (Iahweh) zomba dos zombadores insolentes, mas aos pobres concede seu favor (Pr 3,34). O profeta Ezequiel anunciou: “... assim diz o Senhor Iahweh: Tirai-lhe o diadema, removei a sua coroa. Nada continuará como era. O que é baixo será elevado e o que é elevado será abaixado” (Ez 21,31). Diante do orgulho de Saul, o Senhor escolheu para rei ao simples pastor Davi da casa de Jessé (1Sm 16,11-12).

Maria afirma categoricamente que Deus não abandona as pessoas. Ainda quando castigadas, “são despedidas com mãos vazias”, sem sentir o sofrimento da fome que aniquila as forças das pessoas. A ação divina tem por objetivo não o castigo, mas a correção do pecador. Deus, supremo poder, quer que ele se arrependa e volte para aquele que o criou e o ama desde sempre. 

Este mesmo conceito de: “humilhação dos que se exaltam e exaltação dos que se humilham” será exposto por Jesus nos Evangelhos (Mt 23,12; Lc 14,11).

6 – Socorreu Israel, seu servo,

lembrado de sua misericórdia

– conforme prometera a nossos pais – 

em favor de Abraão e de sua descendência, para 

sempre!

Encerrando este hino, a filha de Israel se volta para as origens de seu povo. Israel é Jacó, filho de Isaac e neto de Abraão. Jacó recebe este nome após lutar com o anjo do Senhor de quem obteve a bênção (Gn 32,23-31). Renova-se a promessa feita ao Patriarca Abraão em favor de Jacó e sua descendência. 

A partir de agora, este povo se chamará Israel e não ficará mais contido num espaço territorial, mas há de se espalhar pelo mundo todo, após a vinda de Jesus, com a denominação de cristãos e de cristianismo a sua doutrina. Todos os povos se tornam irmãos tendo por elo de união o próprio Deus por meio de seu Filho Jesus, que vem resgatar todos os seus filhos gerados desde Adão e Eva. Maria é a nova Eva, que agora diz sim ao Senhor e se torna cooperadora na salvação da humanidade. Os cristãos são a descendência de Jesus, novo Adão, por meio do sacramento do Batismo, para sempre.

(Continua)

Paulo Trujillo Moreno

Pastoral Litúrgica e Familiar da Paróquia São Benedito

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