A missão de ser mãe adotiva é marcada por uma escolha consciente e cheia de significado, na qual o amor é escolhido e não determinado pelo laço sanguíneo. As mulheres que trilham este caminho são capazes de suportar qualquer dificuldade em prol da felicidade de seus filhos.
Rita, Michele, Mirian e Simone compartilharam suas histórias com o Jornal Em Dia Bragança. Cada uma revelou à reportagem a experiência única de ser mãe por meio da adoção e a jornada repleta de desafios que enfrentaram por amor.
Esta homenagem às mães adotivas é um reconhecimento da importância e do valor do amor que transcende os laços de sangue, propagado por mulheres que se doam à maternidade, transformando vidas com sua força e dedicação. Confira essas histórias de amor e doação incondicional que une mães e filhos, independentemente da origem.
Mães adotivas são um exemplo de amor sem fronteiras, de amor incondicional, cuidado e resiliência. Mulheres que escolheram abrir seus corações para crianças que precisavam de um lar e uma família, transformando suas próprias vidas e as vidas de seus filhos para sempre.
Cada uma é um exemplo vivo de amor e dedicação. Seus relatos inspiram e emocionam, mostrando que a maternidade vai muito além dos laços de sangue. É um elo poderoso, construído com muito amor, cuidado e ternura, capaz de superar qualquer adversidade.
Conheça as histórias de Michele, Mirian, Rita e Simone, mulheres que transformam vidas daqueles que têm o privilégio de as ter como mães.

Simone e o marido, quando tudo começou
A médica veterinária Simone Alvisi Verlotta da Silva, 51, mãe adotiva de três meninas, recém-adotadas, é enfática ao dizer que “quando uma mulher decide que quer ser mãe ela só não vai ser se ela não quiser”. Conforme explica Simone, atualmente há várias formas de uma mulher abraçar a maternidade, “ela pode ser mãe biológica casada, mãe biológica solteira, pode fazer uma fertilização, uma inseminação, pode ser mãe adotiva”, e para ela, de todas essas formas, a que mais escolhe é a adotiva, pois tem a opção de não ser e decide ser, mesmo não conhecendo onde foi gerado seu filho. “Quando uma mãe resolve adotar, ela decide amar incondicionalmente”.
Simone conta à reportagem que quando recebeu uma ligação da assistente social do fórum para informar que a sua primeira filha havia chegado, ela e o marido queriam ir conhecê-la imediatamente, mas já era tarde, então, marcaram de ir no dia seguinte. Nessa noite, sonhou com uma menina que depois constatou ser muito parecida com sua filha a qual lhe foi apresentada por foto, no encontro com a assistente social, no tão esperado dia seguinte. “A única diferença é que ela era mais negra no meu sonho, ela era realmente negra e a minha filha é parda. Quando a gente vê a foto do nosso filho pela primeira vez, acho que é a mesma sensação da mãe quando vê o primeiro ultrassom. Foi muito emocionante, principalmente ver que minha filha era quase idêntica à do meu sonho”.
As outras duas filhas de Simone chegaram depois e ela acabou conhecendo-as antes da adoção, quando descobriu que eram irmãs biológicas da sua primeira filha. “Foi muito incrível!”, relata.
Em relação à adoção, conta que as filhas ainda não têm muito entendimento sobre o assunto, pois são muito pequenas, uma tem 7, outra tem 4 anos e a mais nova 9 meses. Entretanto, relata uma situação inusitada em que a mais velha perguntou se havia nascido da barriga de Simone e esta respondeu que não, então, a filha disse que havia nascido da barriga do pai. “Eu ri, a princípio, porque achei engraçada a solução que ela arrumou. Alguns dias depois, me fez a mesma pergunta e aí eu respondi que, na verdade, só mulher pode gerar filhos e que a mamãe não podia gerar, por isso tinha pedido muito pra Deus que ele desse uma filha pra gente, e, então, ela havia sido gerada na barriga de outra mulher, mas ela era um presente pra mim, Deus tinha feito ela pra mim”.
Com a chegada das irmãs, Simone conta que disse à filha que ela era o primeiro presente de Deus e que agora havia chegado mais dois presentes. “Que eram mais dois presentes de Deus para o papai, para a mamãe e para ela também. Comentamos que as irmãzinhas viriam do mesmo abrigo em que ela morava e que iríamos buscá-las, mas ela já não lembrava mais do lugar de onde veio”.
A decisão pela adoção foi tomada com o marido, quando souberam que seria muito difícil gerarem um filho, porque ela apresentava alguns problemas de saúde, mas nada relativo à reprodução. Primeiro decidiram que fariam uma fertilização in vitro, mas descobriu que tinha diabetes e hipertensão, então optaram por não arriscar e decidiram que “gerariam” um filho adotivo. Foi quando tiveram apoio do Grupo Aconchego, por meio do qual participaram de palestras e da vivência com outros pais. “Minha família e a família do meu marido abraçaram a nossa causa e nossas filhas foram muito bem acolhidas. Todas já desenvolveram um senso de identidade e pertencimento. Elas só não nasceram aqui, porque não era para ser assim, mas elas pertencem a essa família”.
Conforme explica, a parte burocrática é a mais desgastante no processo de adoção pela demora. Ela esperou por quatro anos até a chegada de sua primeira filha. Diz que quem está na fila é tomado por vários sentimentos principalmente o desânimo “depois você se anima novamente, chega até esquecer que está na fila de adoção. Para entrar no processo e ser habilitada foi rápido, mas até a conclusão foram quatro anos”.
No segundo processo, conta que ela e o marido demoraram para entrar na fila, foi um ano e um mês para conseguirem a habilitação, porém a adoção foi rápida pelo fato de as meninas serem irmãs biológicas, então isso facilitou bastante.
Simone finaliza dizendo que “a decisão de ser mãe é uma decisão de amar um outro ser que possa vir da sua barriga ou não, então, o mais importante é isso: você decidir que você quer ser mãe, se você decidir você vai ser”.
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Fabiana, Gabriela, Mirian e Mariana
Mirian Eloísa Mezzanotte Barneze, 60, professora de costura criativa e presidente do Grupo Aconchego, casada com Carlos Antônio, mãe de Mariana, Fabiana e Gabriela, e vó de Olívia, conta que, mesmo sendo mãe biológica, sempre teve o desejo de adotar uma criança e que o processo de habilitação iniciado em 2001, em si, foi rápido, cerca de seis meses. Porém, a espera na fila foi angustiante, durando quatro anos. Somente após mudar o perfil de adoção para crianças de 0 a 4 anos o projeto se concretizou. “A minha filha chegou com três anos e dez meses, foi um momento maravilhoso, eu falo que foi um encontro divino para nós e que fez valer cada minuto desses quatro anos que ficamos esperando pela chegada dela”.
O primeiro encontro de Mirian e Gabriela aconteceu no abrigo onde a menina morava. “Todas as demais crianças estavam lá, diferentemente de hoje em que a criança é levada para um local fora do abrigo para conhecer a família”. Na época, suas filhas foram junto e as três ficaram brincando, quando Mirian pediu para passar o final de semana com “Gabi” tudo mudou. “A gente se aproximou, ela ficou superfeliz de estar aqui comigo em casa. Mas no momento em que eu a vi, eu senti que ela era uma criança frágil, sem uma expressão, sem um brilho no olhar. Uma criança triste e isso me marcou”.
Após aquele final de semana, Mirian foi ao fórum para pedir a guarda da menina e já conseguiu levar Gabriela para passear no shopping. “A gente não tinha nada, não é? Não tinha roupa, não tinha sapato. Essas coisas são difíceis a gente fazer um estoque ou comprar e guardar. Você não sabe a idade, o tamanho, como é que vai ser a criança. Ela nunca tinha passeado no shopping, nunca tinha andado de elevador, nunca tinha andado de escada rolante. Então, para ela foi tudo novo, uma novidade. Foi uma alegria. Ela pôde escolher as coisas que ela queria, as roupinhas e eu lembro desse dia como se fosse hoje. Foi um dia muito feliz para todos da nossa família”, relembra.

Miriam e as filhas, um amor que nem cabe no peito
Quanto ao fato de ser adotiva, Mirian explica que isso nunca foi um problema para Gabriela. “Desde o início ela soube, chegou com 4 anos, praticamente. Eu nunca escondi em nenhum momento que ela é a nossa filha do coração, o que não muda nada pra nós, não tem diferença nenhuma, o amor que nós sentimos por ela e pelas nossas filhas biológicas é exatamente o mesmo, então é um amor que não tem explicação, é um amor tão grande que acho que nem cabe dentro do peito”, declara.
Gabriela vai completar 23 anos em agosto. Ajuda a mãe no trabalho desenvolvido no Grupo Aconchego, que apoia pais que desejam realizar a adoção, e diz que também pretende ter um filho biológico e um filho adotivo. Mirian ressalta que a experiência da filha é tão boa, tão maravilhosa, que ela própria entende que precisa fazer isso para outras crianças também. “Ser mãe adotiva é um encontro de almas, o encontro que dá certo, que é perfeito, que Deus sabe, Deus sabe de tudo, e como ela tinha que vir pra nós, ela veio”.
Mirian ainda conta que vem de uma família com muitas crianças adotivas, sua irmã caçula, por exemplo, além de um primo e um sobrinho, o que faz a questão da adoção em sua família ser muito bem resolvida. Mirian tinha 15 anos, quando sua irmã adotiva chegou, e, naquela época, sentiu em seu coração que seria mãe adotiva.
“Ser mãe adotiva não é um ato de caridade e, sim, um ato de amor, com muita responsabilidade. É necessário que você saiba o quão importante você será na vida daquela criança, você vai ter que se dedicar, mudar, fazer de tudo pra que a vida dela fique muito melhor do que era, então essa é a questão da responsabilidade, por isso reforço que a adoção é um ato de amor, sim, com certeza, mas é um ato de muita, muita responsabilidade, muita dedicação e muita entrega”.
A mãe conta ainda que desde o início Gabriela se sentiu acolhida percebendo que era da família, que estava pronta pra viver ali, pronta pra ser amada, recolhida com muito amor, muito carinho. “Ela sempre foi muito esperada por nós, nós a desejamos por muito tempo, então quando ela chegou aqui completou totalmente a nossa família, por esse motivo não precisamos fazer muita coisa não (risos).

Gabriela, na época com 5 anos
Quando Gabriela chegou falava muitas palavras erradas, não conhecia muito as cores, teve dificuldade na escola e acabou atrasando seu processo de alfabetização, pois tinha muitas inseguranças e muito medo, relata a mãe. Mirian diz que esta foi uma das maiores dificuldades, no início, para a criança, que com apoio e dedicação da família conseguiu superar “hoje ela está no quarto ano de optometria, está muito bem, nunca repetiu de ano, é uma menina maravilhosa e exemplar, já fez inglês, atualmente está fazendo espanhol e vai fazer especialização na Espanha, porque o céu é limite pra ela, ela vai vencer, ela já venceu muitas coisas e vai continuar vencendo é isso que eu penso. Minhas filhas são guerreiras e eu só posso dizer que eu tenho muito muito orgulho delas e que o amor que eu sinto por elas nem cabe no meu peito.”.

Gabriela, Mariana, Fabiana, Mirian e Carlos Antônio
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A contadora Michele Teodoro Barbosa, 38, compartilhou sua história com a reportagem do Jornal Em Dia Bragança contando como passou a ser chamada de mamãe. O processo de adoção ocorreu aqui na cidade, tendo ela e seu esposo participado de alguns encontros no Grupo Aconchego, que apoia pais que estão na fila de adoção. Após participarem de cinco palestras, entraram com a documentação no fórum com o pedido de adoção. Na sequência, passaram por entrevistas com assistente social e psicóloga e no prazo de mais ou menos dois anos estavam habilitados para a adoção.
Ela conta que esse tempo de espera foi fundamental para amadurecerem a ideia de adotar e também se prepararem para receber as crianças, pois ela e o marido optaram por fazer a adoção de duas crianças e abrir o perfil para aceitarem crianças maiores. “Em exatos nove meses fomos convidados já a conhecê-los, um casal de irmãos que estava já há algum tempo no abrigo e pronto a receber uma nova família. Quase morremos de tanta alegria e aceitamos logo o convite. A assistente social nos apresentou a história deles e ali já tivemos a certeza de que eles seriam nossos filhos”, conta emocionada.
Sobre o primeiro encontro com os filhos, Michele explica que foi num dia de semana, na parte a manhã, “levamos coisas para um piquenique no Jardim Público de Bragança. Logo que chegamos lá as crianças já correram e nos abraçaram, foi um dos dias mais importantes das nossas vidas, nunca vou esquecer daqueles olhinhos brilhando. Ali nos conhecemos, brincamos e tiramos fotos para relembrar este momento tão especial!”.
Como seus filhos já tinham 6 anos, a menina, e 8 anos, o menino, o abrigo os preparou muito bem para que eles já entendessem todo o processo de uma adoção e não foi problema nenhum, logo as crianças já os chamaram de pai e mãe, relata com alegria.
Quanto ao apoio aos filhos na compreensão da história de adoção, Michele enfatiza que ela e o esposo tentam tratar com naturalidade, “como se fosse uma nova etapa da vida deles. Quando querem falar do passado nós escutamos, sem julgamentos e sempre apoiando no que eles precisam. Como pais adotivos é extremamente necessário ter um olhar amoroso e caridoso com esta situação”.
Com relação ao apoio recebido, a mãe conta que inicialmente o Grupo Aconchego foi essencial no processo, tanto na parte burocrática quanto emocional e que lá também pôde conhecer a realidade de famílias que já tinham adotado o que foi muito enriquecedor “após a adoção, as crianças foram inseridas no ambiente familiar, o fato é que nenhum casal adota sozinho, sempre tem avós, e tios, e primos e é fundamental muito apoio e amor nesta nova fase. Depois, claro, os amigos, vizinhos e sociedade em geral todos devem apoiar e não discriminar esta nova família se formando”.
Michele relata que, junto com o marido, conversa muito com as crianças sempre frisando que o amor vence todas as barreiras, que apesar das dificuldades estarão sempre com eles lutando e amando-os para o que eles precisarem. “Aqui vivemos um pelo outro, nas alegrias e dificuldades da vida.”.
Sua mensagem final é para os filhos e para as mulheres que sonham em ser mães adotivas: “Meus filhos, vocês completaram nossas vidas, foram um raio de luz na nossa escuridão, são nossa alegria diária, peço a Deus que os abençoe e ajude o papai e a mamãe nesta missão de sempre cuidar e amar vocês. Além disso, desejo a todas as mães um Feliz Dias das Mães, muitas felicidades e um dia cheio de amor! E para as mulheres que desejam ser mães adotivas reforço: nunca desistam dos seus sonhos, que o seu tempo vai chegar!”.
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Rita e Ana Carolina, amor infinito
A confeiteira e manicure Rita de Cassia Vicchini Carvalho, 52, mãe de Ana Carolina, que hoje está com 17 anos, relatou ao Jornal Em Dia Bragança sua experiência materna pelo processo de adoção e fez uma declaração à filha.
“Aos 33 anos recebi o melhor presente que Deus poderia me dar. Meu pacotinho de amor. Minha filha chegou com nove dias. Tão pequenina e muito frágil. Não consigo escrever a emoção daquele dia. Sabíamos que depois tínhamos que correr atrás dos documentos foi um processo longo. Várias entrevistas, reuniões. Parte burocrática. Levou quatro anos para que saísse o tão esperado papel, a “Certidão de Nascimento”.
Uma mistura de sentimentos. Desde pequenina sempre falamos para ela que éramos papais do coração. Nunca nos privamos de falar da sua história. Sempre deixamos aberto para esclarecer qualquer dúvida. Ela sempre aceitou e nunca quis contato com a família biológica. Sempre conversamos abertamente. A verdade precisa prevalecer sempre!
Hoje não tem prefixos, nem rodeios, como tinha antes eu digo a ela: Você não é minha filha adotiva, não, eu te amo ‘como se você fosse minha’. Hoje você é totalmente, completamente, minha filha para sempre. Você chegou à nossa casa, entrou na nossa família e nós escolhemos te amar como nossa filha. Fizemos essa escolha antes mesmo de ter a chance de nos apaixonarmos por você. E essa paixão aconteceu. Depois de chegar à nossa casa, você entrou nas nossas vidas e nos nossos corações. As formalidades da nossa relação ‘temporária’, controlada pelo Estado e determinada pelo tribunal, desapareceram. Deixamos de lado o rótulo ‘adotiva’ e você se tornou simplesmente nossa filha. Você não nasceu de mim... você nasceu pra mim! Um amor que vem da alma. Te amo até o infinito. Até meu mundo acabar.”
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