Mãe de paciente reclama que “verdadeiras carroças” são enviadas no lugar de ambulâncias

O Jornal Em Dia recebeu, nessa semana, a reclamação de uma munícipe que precisou de ambulância para levar sua filha ao médico. “Em vez disso, mandaram uma verdadeira carroça”, relatou.

A paciente que precisou dos cuidados é uma jovem que está acamada por conta de um acidente de trânsito ocorrido há quatro meses. Quando ela passa mal, a família telefona para a Central de Ambulâncias e solicita o serviço. Porém, a ambulância deve ser do tipo UTI, que tenha condições de atender a jovem se ela passar mal no caminho.

Um dos serviços que a ambulância deve estar apta a oferecer é o oxigênio, conforme contou a mãe da paciente. Porém, nos últimos meses, a jovem já precisou utilizar a ambulância por quatro vezes a fim de se deslocar até o hospital e em todas as ocasiões os veículos enviados foram os da frota antiga, que está completamente sucateada. Além disso, o tubo de oxigênio sempre está vazio, sendo inútil em caso de real necessidade.

De acordo com a munícipe, ela já reclamou por diversas vezes, entrou em contato com a Central de Ambulâncias, explicando a situação, e disse também estar ciente de que o município adquiriu novas ambulâncias, recentemente. Por isso, quando as ambulâncias em péssimo estado de conservação chegam à sua porta, ela questiona os motoristas onde estão os novos veículos. “Eles me respondem que elas são para rodar só em São Paulo, que isso não é pra nós”, afirmou a mãe da paciente, indignada.

As ambulâncias que têm sido enviadas para atender essa paciente têm todo o tipo de problema, segundo a munícipe. As portas traseiras não fecham adequadamente, precisam ser travadas com pedaços de madeira ou chaves dos motoristas, a maca não está devidamente presa, oferecendo riscos aos pacientes que são transportados, sem contar a sujeira. “Acho um absurdo mostrarem na Câmara fotos de ambulâncias novas e mandarem para atender minha filha essas carroças, essas sucatas”, desabafou a leitora.

As fotos às quais a munícipe se refere foram exibidas no início de julho na Câmara porque vereadores contaram que a Prefeitura havia adquirido, por meio de locação, seis novas ambulâncias. Porém, ao que indica a mãe dessa jovem, a população ainda não viu cara dos novos veículos e continua contando com a sorte ao ser atendida em ambulâncias sucateadas que, em vez de socorrer, podem acabar agravando ou até colocando em risco a saúde dos pacientes em caso de se envolverem em possíveis acidentes.

 

PROBLEMA ANTIGO

 

O problema das ambulâncias em Bragança Paulista é antigo. No início de junho deste ano, em sessão da Câmara, o vereador José Gabriel Cintra Gonçalves, que é presidente da Comissão de Saúde do Legislativo, contou que visitou a Central de Ambulâncias e que constatou que os veículos estavam com remendos de arame, travas de madeira para segurar as portas e outros problemas. Na ocasião, Gabriel destacou que os veículos estavam colocando em risco a vida de motoristas e pacientes.

Na mesma época, o Jornal Em Dia também recebeu reclamações de pessoas que usaram ambulâncias para se locomover a fim de fazer tratamento ou passar por algum procedimento médico. Elas chegaram a enviar fotos que evidenciavam o péssimo estado dos veículos, enfatizando que estavam viajando em cima de macas sem as mínimas condições de segurança, sem ter ao menos onde se apoiar ou segurar.

Cerca de um mês depois, a Divisão de Imprensa da Prefeitura enviou release com o título “Novas ambulâncias estão à disposição da população”, no qual informava que a Administração havia contratado seis novas ambulâncias. “A Administração Municipal colocou à disposição da população na última semana, seis novas ambulâncias. Ao assumir o mandato, a gestão Fernão Dias considerou a questão das ambulâncias como uma das mais preocupantes, já que na época somente duas ambulâncias estavam em condições de uso. No mês de agosto de 2013, após contratação de empresa especializada em manutenção das frotas pela Prefeitura, a central passou a contar com 20 ambulâncias. Mesmo assim, as ambulâncias já apresentavam certo tempo de uso, sendo necessário que ficassem paradas por um período maior para manutenção e, mediante isso, era essencial a aquisição de novos veículos”, dizia o texto, que detalhava, ainda, que cerca de 250 a 350 pacientes são transportados diariamente nas ambulâncias do município.

Resta saber à disposição de que parcela da população estão as novas ambulâncias, pois a paciente cuja mãe reclamou à redação realmente precisa de cuidados especiais e, por mais de uma vez, foi atendida pelas ambulâncias sucateadas, mesmo depois de a locação das novas ambulâncias ter sido anunciada.

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