Secretário diz que não se pode analisar uma estatística isoladamente
Conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Bragança Paulista registrou, de janeiro a julho deste ano, 11.547 admissões e 11.747 demissões, o que evidencia saldo negativo de 200 vagas.
O setor que mais demitiu foi o da indústria de transformação, que deu baixa em 437 carteiras de trabalho no período. Já o ramo da construção civil foi o que mais contratou, somando 146 admissões.
Analisando mês a mês, março foi o período em que mais demissões foram registradas em 2014, 415. Fevereiro, por outro lado, somou o maior número de admissões, 111.
Nos últimos anos, o saldo de empregos em Bragança Paulista vem sendo positivo, porém, ele está em queda. Em 2008, foi de 1.071; em 2009, de 926; em 2010, subiu para 2.574; em 2011, caiu para 1.438; em 2012, nova queda para 823; e em 2013, o saldo ficou em 680.
Já municípios da região registram, até o mês de julho, saldo positivo, conforme as estatísticas do Caged. Amparo tem saldo de 231; Atibaia, de 70; Itatiba, de 258; e a mineira Extrema, de 958. Apenas Jundiaí tem saldo negativo, de duas vagas.
Para comentar a situação, o Jornal Em Dia conversou, na última terça-feira, 26, com o secretário municipal de Ação e Desenvolvimento Econômico, Hilmar de Moraes.
Ele admitiu que a cidade vem registrando saldo negativo de empregos, mas defendeu que não se pode analisar apenas os dados do Caged. “Realmente temos um saldo negativo. Entretanto, para o registro de emprego, você não pode usar uma estatística isoladamente, porque ela se torna uma informação mentirosa e inválida”, argumentou.
Hilmar explicou que a geração de emprego deve ser calculada, de preferência, anualmente, até o mês de dezembro. Isso porque, conforme observou, é preciso levar em conta a sazonalidade e o movimento cíclico de contratação de mão de obra. Há empresas, exemplificou, que contratam profissionais de forma temporária, em períodos específicos, como Natal e Páscoa. “Esse efeito existe na nossa cidade”, disse, afirmando que de agosto de 2013 a julho de 2014, o saldo de empregos na cidade está positivo em 333 vagas.
O secretário de Ação e Desenvolvimento Econômico considerou que em Bragança, atualmente, não há excesso de pessoas desempregadas, mas há falta de mão de obra qualificada. Por isso, ele ressaltou que há esforços de sua pasta no sentido de oferecer capacitação às pessoas, não só para que elas possam buscar uma colocação no mercado de trabalho, mas também para que possam se lançar no empreendedorismo, tornando-se geradoras de renda. “Sentimos, pelos dados estatísticos, que Bragança está com pleno emprego, exceto pelo problema da represa, porque ali temos entre 1.500 a dois mil empregos. Não são todos formais, mas são empregos. Tínhamos naquela região cerca de mil barcos que levavam muita gente para fazer turismo, muitas chácaras, e hoje não tem, devido à seca”, avaliou Hilmar.
A Secretaria de Ação e Desenvolvimento Econômico faz a intermediação de mão de obra para empresas. De acordo com o secretário, até agosto deste ano, foram captadas 944 vagas.
Hilmar alertou que há também dados que não estão registrados no Caged. “O sujeito não está trabalhando dentro da estatística do Caged, mas ele não está sem fazer nada. Ele montou seu próprio negócio ou, por exemplo, no ramo de indústria, ele montou uma consultoria e presta serviço para outras pessoas”, disse. No primeiro semestre de 2014, 102 MEIs (Microempreendedor Individual) foram registrados, dados que não aparecem no Caged.
Uma informação interessante que Hilmar também comentou durante a conversa foi que quase 50% da renda de Bragança Paulista é resultado de transferência do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).
FERRAMENTARIAS
O secretário ressaltou, então, que está empreendendo esforços para unir as ferramentarias da cidade e, assim, tentar alavancar esse setor no município. No início de agosto, por exemplo, a Secretaria Municipal de Ação e Desenvolvimento Econômico realizou uma reunião com empresas desse ramo orientando que elas se inscrevessem como fornecedoras da Fiat. Além disso, Bragança Paulista integra o APL (Arranjo Produtivo Local) de Ferramentaria do Grande ABC e o movimento de defesa do setor de ferramentaria no Brasil. “Por muito tempo se falou que Bragança é o segundo polo de ferramentaria do Brasil, mas isso foi há muito tempo, não é mais. Hoje, não sei nem a colocação que Bragança está. Em Joinville, tem quase 400 ferramentarias e aqui temos 97”, comparou o secretário, defendendo a ideia de que as ferramentarias brasileiras precisam concorrer com as chinesas.
Hilmar contou, então, que está sendo estabelecida uma parceria com a USF (Universidade São Francisco) a fim de promover melhoria contínua tanto do método produtivo como da qualidade do que se está produzindo e qualidade da gestão administrativo-financeira das ferramentarias. Um professor doutor foi colocado à disposição das indústrias para isso. “Esse projeto é muito interessante, pois se trata de uma aproximação da academia com o chão de fábrica”, observou.
COMÉRCIO
Sobre o comércio, Hilmar disse que o setor depende de criatividade própria e que o poder público deve agir como um indutor. Ele deu exemplos do período da Copa, em que o mundo todo estava ganhando dinheiro com o evento e aqui, no Brasil, muitos faziam manifestações contra o campeonato.
Apesar disso, Hilmar acredita que melhorando outros ramos, o comércio também será aquecido. “Temos que melhorar a qualidade do emprego porque quando eu melhoro a qualidade do emprego, estou ajudando o comércio, porque o comércio depende de geração de renda, depende de aumento do salário mínimo, depende do Bolsa Família, porque é isso que criou o mercado interno”, afirmou.
MARCO REGULATÓRIO
O Marco Regulatório é um conjunto de sete leis lançadas no início deste ano que buscam incentivar a instalação de empresas no município, a fim de garantir o desenvolvimento econômico, pesquisa e desenvolvimento científico, a criação de Centro de Negócio, apoio e escritório virtual, entre outros benefícios.
De acordo com o secretário, com o Marco Regulatório, afastou-se aquele modelo de doação de terrenos para empresas que não geravam nem emprego de qualidade e nem arrecadação suficiente para o município. Numa comparação, ele citou que houve empresa que se instalou no município que gera R$ 58,00 por m2 ao ano de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), enquanto outra, na mesma área, gera R$ 9.500,00 de imposto por m2. “Então, são esses detalhes que temos que corrigir no passado para melhorar o futuro. Para mudar Bragança, não depende só do poder público, depende do setor privado também”, opinou.
FRUTOS
A reportagem questionou Hilmar sobre quando será possível começar a colher os frutos dessas ações que sua pasta vem desenvolvendo.
“Quando Bragança tiver autoestima e começar a falar bem de si mesma. Quando Bragança começar a publicar notícias boas sobre a nossa cidade. Quando Bragança começar a dizer que nós temos boas ferramentarias que competem em qualidade com a China, mas isso não é dito. Nós temos aqui alguns distritos industriais, que mal asfaltados estão, muitos deles com problemas de registro de matrículas, porque não foram bem elaborados. Temos hoje plano de gerar uma zona integrada de desenvolvimento para que possamos dotar esses distritos industriais. Temos que nos unir para falar bem de Bragança e então construir uma Bragança melhor”, respondeu o secretário.
Para ter acesso aos dados do Caged, basta acessar o portal do Ministério do Trabalho e Emprego: www.portal.mte.gov.br.
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