Chorou ao ouvir seu primeiro choro
e jurou para si mesma que evitaria com a própria vida os próximos.
Viu a vida mudar por completo,
prioridades, medos, motivações e esforços.
O mundo mudou de repente, mudara seu eixo.
Nove meses, e a vida ganhou vida dentro dela,
podia sentir o milagre crescendo,
até não caber mais no seu invólucro sagrado,
e então, libertar-se, rasgando-lhe as carnes e um pouquinho da alma.
Nunca antes sentira tanto medo,
logo ela que sempre fora tão corajosa.
Um medo doído de que só o amor mais genuíno é capaz.
Viu seus primeiros passos,
sentiu as costas doendo para acompanhá-los,
amparando-o pelas mãozinhas gorduchas.
Levou-o um dia para escola,
e foi ela quem chorou ao portão;
o rebento entrou sorridente e saltitante.
Ensinou-lhe, ela mesma, com paciência,
As lições mais importantes.
Viu seu menino virar um homem, mais tarde,
o mais honrado e gentil de todos.
Não conseguiu, e isso a despeito de todo seu amor,
evitar seu sofrimento.
A promessa que fizera a si mesma,
quando do primeiro choro...
Por Deus, ela não conseguiu cumprir!
E quando o viu banhado em sangue,
odiado pelos homens e abandonado por seu pai,
pendurado num madeiro,
chorou cada uma de suas dores,
mas sobretudo,
a indizível dor que é se mãe!
***
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