Jogo de interesses

O mau uso do dinheiro público está cada vez mais escancarado na cidade. A atual administração parece não se importar com as denúncias, alertas e críticas e continua dando munição aos adversários.

Os frequentes aditamentos em praticamente todos os contratos firmados pela Prefeitura acabam fazendo cair por terra as licitações que objetivam contratar o serviço pelo menor preço.

Outro problema evidenciado é a má qualidade dos serviços prestados, como na obra da Avenida Alziro de Oliveira, que novamente denunciamos na edição de hoje.

Sabe-se que também há problemas com outros setores, que não o de Obras, por exemplo, naqueles que compram produtos, materiais e outros itens os quais acabam não sendo entregues a contento, com a mesma qualidade do esperado.

Ou seja, a administração não toma o devido cuidado na hora de comprar, de licitar, ou por desconhecer como fazer isso ou por puro desleixo, não fiscaliza e não cobra o bom desempenho dos contratados. E assim, dinheiro público vai sendo esbanjado.

Não é de hoje que se fala na possibilidade de cassação do prefeito Jango pelos bastidores da política. Há quem pense que isso não é necessário, afinal, com ele no poder, será mais fácil fazer a campanha eleitoral deste ano. Há outra corrente que defende que agora é chegada a hora de fazer com que isso aconteça, caso o prefeito não contente quem almeja contentamento.

Mas entendemos prudente chamar a atenção, leitor, para o fato de que certas coisas só têm acontecido quando interessam a nossos governantes. Dizemos “nossos” porque foram eleitos pela maioria de nós.

Casos como a investigação da contratação da Fupam (Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente), sem licitação, para execução do projeto executivo da obra de reforma e restauro do antigo Colégio São Luiz ou do recente pedido de CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar convênio entre a Ong Viva Vila e a Prefeitura são questionáveis.

Não pela suspeita de irregularidades. Isso realmente deve ser investigado, sempre que houver dúvidas. Mas pelo fato de que, no caso do São Luiz, um ano se passou da assinatura do contrato com a Fupam até que as suspeitas fossem levantadas. E, além disso, a Fupam também foi contratada, nos mesmos moldes, para realizar projeto da obra de revitalização da praça e reforma do prédio do antigo matadouro, mas sem que qualquer objeção fosse aventada ou denunciada.

No caso da Ong Viva Vila, o Tribunal de Contas investiga os repasses feitos em 2008, 2009 e 2010 e os primeiros apontamentos, pedindo explicações, datam de outubro de 2009.

Assim, impossível não questionar por que só agora a preocupação com essas questões. Por que ações similares recebem tratamento diferenciado, uma merecendo investigação e a outra não?

É óbvio que esses casos envolvem interesses de políticos da cidade, incluindo alguns que estão no poder. E, assim, pode ser com a cassação do prefeito... Dependendo dos interesses, pode ser que ela realmente aconteça, o que é triste. Não pelo fato de o prefeito ser cassado, se algo ilegal for comprovado em sua gestão que mereça essa punição, mas porque o ato ilegal, que deve ser sempre combatido e devidamente punido, está servindo de carta na manga, moeda de troca, para os candidatos ao poder a partir de 2013.

É por essas e outras que voltamos a cobrar consciência dos eleitores na hora de votar. A tarefa do voto é simples, apenas a digitação de alguns algarismos em alguns minutos. Mas, a escolha do voto não pode e não deve ser tão simples, sob pena de elegermos governantes preocupados com o próprio umbigo, que aplaudem quando os governos, seja municipal, estadual ou federal, realizam obras e serviços que não passam de mera obrigação, nos querendo fazer acreditar que são verdadeiros prodígios no poder. Pense, nisso, leitor!

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image