Por Joel R. Castilho
A história insiste em se repetir no Carnaval de Bragança Paulista. Há exatamente dez anos, em 2016, o município viveu uma situação muito semelhante à deste ano: a Prefeitura, então administrada pelo prefeito Fernão Dias (PT), decidiu não repassar verba para as escolas de samba realizarem os desfiles oficiais, alegando crise econômica.
Na época, a decisão gerou fortes críticas por parte da oposição, das agremiações, de sambistas e da comunidade carnavalesca, que viram o Carnaval – uma das manifestações culturais mais tradicionais da cidade – ser deixado em segundo plano.
Mesmo sem recursos públicos, duas escolas resolveram nadar contra a maré (e contra a crise): Dragão Imperial e Nove de Julho. Com esforço próprio, criatividade e muito samba no pé, ambas decidiram colocar seus integrantes na avenida e disputar o título.
Os desfiles aconteceram em um sábado chuvoso, na tradicional e eterna Passarela Chico Zamper, no Bairro do Lavapés, e entraram para a história. Um forte temporal caiu ainda durante a tarde de sábado e acabou espantando o público. Mesmo com poucas pessoas prestigiando, os desfiles aconteceram após a chuva, com cerca de uma hora de atraso em relação ao horário previsto.
A participação do poder público se limitou à pintura do chão da passarela, além da disponibilização da Guarda Civil Municipal e de uma equipe de saúde para acompanhar o evento.
Na apuração, veio um roteiro digno de novela carnavalesca: empate absoluto. Cada escola somou 197,5 pontos, resultado que levou a Liesb (Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança Paulista), então presidida pelo saudoso Paulo Rogério de Oliveira, o Paulinho do Barril, a declarar Dragão Imperial e Nove de Julho campeãs do Carnaval bragantino de 2016.
O regulamento daquele ano também foi diferente: as escolas eram obrigadas a levar para a avenida sambas-enredo já utilizados há pelo menos dez anos, reforçando o clima de resgate e de “relembrar tempos melhores”. A Nove de Julho reviveu o samba-enredo de 1995, com o tema “Sem você não vivo”, enquanto a Dragão Imperial apostou no samba de 1994, “Entre todas as Marias”.
No fim das contas, sem dinheiro público, mas com muita história, tradição e resistência, Bragança teve dois campeões – e mais um capítulo curioso guardado no fundo do baú cuja história se repete após exatos dez anos.
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