Quem vive em Bragança certamente já se deparou com as inúmeras ações sociais da Prefeitura. São campanhas de arrecadação de alimentos, roupas, brinquedos e até mesmo para doação de sangue. Também há programas como auxílio desemprego, auxílio alimento e de qualificação profissional. Tudo isso é desenvolvido e organizado pelo Fundo Social de Solidariedade e tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade.
Tradicionalmente, quem preside os fundos sociais, sejam eles municipais ou estaduais, são as primeiras-damas. Dona Marilis Reginato Abi Chedid, por questões de saúde, não assumiu o cargo quando o marido, Jesus Chedid, foi eleito para o mandato que começou em 2017. A pessoa escolhida e indicada pelo prefeito para a função foi Francine Pereira, amiga e parceira de longa data do chefe do Executivo.
Se no início dessa primeira gestão o nome causou estranheza por “quebrar a tradição”, hoje, na segunda gestão à frente do cargo e depois de dois anos de pandemia, é difícil imaginar o Fundo Social sem a presença e o carisma de Francine. O Jornal Em Dia esteve na sede do Fundo e conversou com ela, que contou das ações que conseguiu implantar no município e também de seu talento nato por fazer “pontes” entre as pessoas.
“O prefeito costuma dizer que ‘o Fundo Social de Solidariedade é o coração da Administração’. É onde move toda a cidade, porque é um setor que mobiliza todos os setores. Eu demorei alguns meses para entender isso. Primeiro, precisou cair a ficha do porquê ele me escolheu para esse lugar. E eu não me canso de agradecer a oportunidade que ele me deu. Eu sempre fiz parte do grupo político dele, trabalhando nas minhas áreas, que são cultura, esportes e educação.
Quando ele me chamou e falou que eu ia para o Fundo, eu agradeci e falei que iria assessorar Dona Marilis com o maior prazer. Quando ele falou que não, que eu seria presidente, eu só respondi: ‘posso pensar?’. Foi uma sensação de: ‘e agora?’. Eram duas responsabilidades muito grandes, a de estar à frente do Fundo Social que, como ele diz, é o coração do município e a de estar, teoricamente, no lugar que seria da esposa do prefeito. Hoje posso dizer, que nesse período, ela nunca me abandonou, trocamos muitas ideias, ela é participativa. Ela tem uma experiência gigante nisso, então tudo o que ela me traz é sempre enriquecedor”, conta Francine.

Passado o susto pelo peso da responsabilidade, ela já começou a criar as pontes, que são a marca de sua presidência. “A primeira coisa que eu fiz quando assumi foi marcar uma reunião com os projetos sociais da cidade. A princípio, com as entidades que são vinculadas à Administração, aquelas que recebem subvenção e alguns projetos que eu já conhecia. E depois isso foi aumentando”, relata.
Agora, com a recém lançada campanha “Natal Social”, 42 projetos haviam fechado parceria com o Fundo para contribuir na arrecadação de panetones e brinquedos e distribuição às famílias. Esse trabalho em conjunto teve início com a sua gestão à frente do Fundo Social, mas foi intensificado com deste ano, para ajudar os mais prejudicados pela pandemia.
Os projetos ajudam na arrecadação e, principalmente, no acolhimento às famílias. Todas são cadastradas de acordo com o bairro em que vivem e do projeto que atende a região. Esse cadastro orienta o Fundo Social na distribuição e consegue fazer com que atenda o maior número de famílias possível, pois cada uma delas só pode receber a cesta básica daquele projeto o qual se cadastrou. E os projetos conseguem atender a todas que precisam e os procuram, o que seria impossível sem o apoio do Fundo.
Por outro lado, só é possível atender tantas famílias porque o Fundo Social também consegue parcerias com empresas, como fábricas de alimentos e supermercados, por exemplo, e instituições, como o Red Bull Bragantino. Até o começo de novembro, foram arrecadadas e distribuídas 9.372 cestas por meio da campanha.
“Fortalecemos ainda mais a parceria com os projetos. Unindo forças conseguimos alcançar o maior número de pessoas. O Fundo Social, sem o braço deles, não atinge todo mundo. Por mais que se tenha máquina administrativa por trás, a gente não consegue, em um mês, alcançar, no sentido de ir até a porta das pessoas, conversar e acolher de fato. A cesta básica não resolve a vida da pessoa, da família. Ela, emergencialmente, resolve um problema, que é a alimentação. Na última reunião que tive com os projetos, pedi que me ajudassem de outra forma agora. A pandemia deu uma melhorada.
Então, qual é o nosso papel neste momento? Quando for entregar as cestas básicas, ver realmente quais são as necessidades das pessoas e oferecer os cursos de capacitação, as vagas disponíveis no PAT, os atendimentos sociais. Encaminhar para o Cras (Centro de Referência da Assistência Social), porque muita gente não sabe quais os direitos que tem. Foram muitos serviços que conseguimos aumentar alcançando o maior número de pessoas dessa forma”, analisa.
Outra iniciativa de Francine foi criar um grupo de WhatsApp para que os projetos troquem – literalmente – entre si. “ A pandemia forçou a gente a entender que tem que trabalhar junto. E esse grupo fortaleceu o vínculo entre os projetos. Se um deles recebeu uma doação de verduras e sabe que não vai conseguir consumir, avisa no grupo e cada um pega um pouco, é distribuido entre eles. Com essa rede, estamos conseguindo atender mais pessoas com qualidade”.

“A gente tem que dar continuidade nisso, independente da pandemia acabar ou não. E, com o tempo, diminuir o atendimento, em questão de alimentação, aumentando a qualidade de vida dessas pessoas propondo trabalho”, fala.
Para isso, o Fundo Social tem oferecido uma diversidade de cursos e oficinas de capacitação, por meio de parcerias com o Sebrae e o Senac, com o Via Rápida, do governo do estado, e também com pequenos empreendedores, por meio de chamamento público. Os cursos vão desde artesanato, barbearia, jardinagem, até cozinha prática, corte e costura e tratamento de piscinas. Muitos dos que passam pelos cursos são direcionados para as vagas do PAT.
“Vamos envolvendo tudo ao mesmo tempo. No programa Auxílio-desemprego, para aqueles que se cadastraram e não tinham terminado o estudo, fizemos parceria com o EJA (Educação de Jovens e Adultos) para que tenham oportunidade de voltar a estudar. A pandemia atingiu todo mundo. Com isso, ajudamos ambulantes, mototaxistas, motoristas de Uber, taxistas, profissionais de eventos, encaminhamos muitas pessoas ao PAT, que precisaram mudar de ramo”, explica.
“Para mim, trabalhar nessa função, para poder ajudar as pessoas, eu acho que está sendo a maior oportunidade da minha vida. Porque é algo que vem de dentro e que só nos melhora como pessoa. Em algum momento eu não estarei mais aqui à frente do Fundo Social, mas isso tudo será algo que vou levar pelo resto da minha vida”.
Quem conhece Francine sabe que ela tem um trabalho de mais de vinte anos com a terceira idade. E, mesmo tendo quase todo o tempo tomado pelo pelos afazeres de seu cargo na Prefeitura, ela está retomando suas aulas para o público ao qual se dedicou ao longo dos anos. Por isso, é difícil imaginar que quando ela deixar a presidência do Fundo, ela deixe também o social. Ela pode deixar o cargo, mas não a dedicação ao próximo.

Para mais informações sobre os cursos disponíveis pelo Fundo Social ou como se cadastrar para receber cesta-básica, entre em contato pelo telefone: 4035-0010, e-mail: fundosocial@braganca.sp.gov.br ou diretamente na sede do Fundo, que fica na Rua Dr. Freitas, 835, no Matadouro. O atendimento é das 8h às 17h.
Os interessados em contribuir podem fazer depósito ou transferência bancária na conta corrente número 71.073-7, Agência 0293, da Caixa Econômica Federal (104), operação 006 – CNPJ 46.352.746/0001-65 ou pelo PicPay, por meio do “Bragança Solidária”. Além disso, o Fundo Social também conta com o PIX fundosocial@braganca.sp.gov.br para recebimento de doações.

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