Edson Marcelo, pároco da Catedral, dá mais detalhes sobre as circunstâncias da descoberta
No dia 12 de abril, trabalhadores que atuam em obras na área externa da Igreja do Rosário foram surpreendidos com a descoberta de fragmentos de ossos humanos na abertura de uma vala na calçada. O achado foi confirmado pela Administração Municipal na última terça-feira, 24, depois que a história já estava mexendo com o imaginário de parte da população por meio de boatos.
Na segunda-feira, 23, o Jornal Em Dia já havia entrado em contato com a Sé Catedral, Paróquia Nossa Senhora da Conceição, responsável pela Igreja do Rosário, para maiores esclarecimentos. Em conversa com o pároco, Pe. Edson Marcelo Falsarela, foi elucidado que tudo aconteceu devido à realização de obras de impermeabilização das fachadas externas da igreja.
O trabalho, que é financiado com apoio e recursos da própria comunidade católica local, é necessário devido a infiltrações que surgiram no prédio nonagenário nos últimos anos. Por conta da idade e do tipo específico de material utilizado na época, a argamassa das paredes externas está se desprendendo e caindo nas ruas, o que oferece perigo aos transeuntes. Nesse contexto, as ossadas foram encontradas.
“Enquanto os trabalhadores lá estavam, ao fazer os buracos, acessando a calçada da via pública, eles encontraram pequenos fragmentos de ossos e imediatamente pararam esse serviço. Então, comunicamos ao Condephac, porque a Igreja de Nossa Senhora do Rosário é patrimônio tombado pelo município”, explicou o padre.

Foto: Secom
ESPECULAÇÕES
O religioso foi o primeiro a ser informado e prontamente acionou a Cúria Diocesana, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Bragança Paulista (Condephac) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) da cidade, que encaminhou o processo para a Comissão da Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil da 16ª subseção da OAB. A suspeita é que os fragmentos possam ser de pessoas oriundas do período escravocrata em Bragança.
O Jornal Em Dia entrou em contato com a comissão que, embora tenha concordado em falar sobre o assunto, desistiu, na tarde da última quinta-feira, 26, de conceder a entrevista. “Após a reunião para tratar desse assunto, faremos uma manifestação com maiores dados”, informou a presidente, Karine Elizabeth Rosa da Silva.
Questionado, o sacerdote católico esclareceu que, apesar de que muito se diga sobre a utilização de mão de obra escrava na construção da Igreja do Rosário, a afirmação não é válida para o templo que conhecemos hoje, mas sim para uma capela menor que existia no terreno, muitos anos antes.

Foto: Secom
À Prefeitura de Bragança Paulista, o sacristão Afonso Augusto contou um pouco sobre a crendice popular que existe sobre o local: “A história conta que existia um cemitério aqui na região em que está localizada a igreja, podendo ser ossadas de moradores de Bragança Paulista. Em 1724, a área da igreja também era usada pelos escravos como um oratório, e eles tinham o costume de ser enterrados aqui”.
Segundo orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), as obras se encontram paralisadas e a lateral da igreja, fechada para eventuais pesquisas.
“A comunidade paroquial se coloca à disposição para que estudos sejam feitos para contribuir e conservar a história do patrimônio cultural do município”, concluiu o Pe. Marcelo.
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