Em busca de patrocínio para realizar as impressões, a ideia é distribuir, gratuitamente, o material para comércios, consultórios, hospitais, restaurantes, laboratórios, igrejas, etc.

Com base em toda a trajetória de sua família, Bárbara Rossi, deficiente auditiva formada em Turismo, está lançando uma cartilha com o Projeto Elo Inclusivo, que possui dicas de relacionamento/convivência com pessoas com deficiência. Sua mãe, Ângela Rossi, prestadora de serviços e artesã bragantina, conta que o livro foi organizado pelas duas, mas o projeto surgiu pelo anseio de Bárbara por prestar um serviço de inclusão de pessoas deficientes na sociedade.
Ângela tem dois filhos surdos, Bruno (39 anos) e Bárbara (36 anos). “Uso aqui surdos porque possuem uma língua e uma comunidade própria. A Língua de Sinais Brasileira. Eles fizeram vários anos de reabilitação na Unicamp, estudaram em uma escola regular com dificuldades, mas toda a equipe escolar estava disposta e aberta a superar as dificuldades. Isso na década de 80”, explica a artesã.
“Meus filhos hoje são adultos, mas não conseguem atingir um nível maior de autonomia devido a barreiras. Passado todo um trabalho de anos de integração visando à inclusão, hoje temos outras dificuldades. Porém, agora não depende mais só deles, mas de toda a sociedade”, conta Ângela, explicando também que seus filhos possuem formação superior e Bárbara é pós-graduada em Libras, sendo apta a dar aulas.

Foto: Bruno Rossi
Em conversa com a reportagem do Jornal Em Dia Bragança, Ângela conta que sua família está na terceira geração de convivência com pessoas que possuem alguma deficiência. A primeira é sua cunhada, que hoje está com 62 anos, e possui déficit cognitivo e deficiência física, exigindo cuidados específicos. Em 1962, ela fez um longo período de reabilitação na cidade de São Paulo e, após o falecimento de sua sogra, Ângela começou a cuidar da cunhada. Já a terceira geração é a de seu neto, que tem 3 anos e possui uma deficiência auditiva moderada.
O déficit cognitivo caracteriza-se pela dificuldade de aprendizado que algumas pessoas possuem e que acaba as limitando de diversas maneiras. É um problema diretamente relacionado à capacidade mental de assimilação de informações, o que faz com que o indivíduo desenvolva limitações intelectuais. Já a deficiência física é uma alteração completa ou parcial, de um ou mais segmentos do corpo humano, que acarreta o comprometimento da mobilidade e da coordenação geral, podendo também afetar a fala, em diferentes graus.
Segundo Ângela, nesse longo trajeto, sua família criou e participou de ONGs e conselhos, além de enfrentarem diversas dificuldades de todos os tipos, mas isso não os impediu de continuar trabalhando na inclusão agora na sociedade. Dessa forma, Bárbara começou a divulgar e procurar patrocínio para impressão e distribuição gratuita da cartilha, feita com sua mãe, com dicas de relacionamento e como comportar-se diante de uma pessoa com deficiência.
“Assim como ela e o irmão Bruno têm tentado, ao longo desses anos, fazer sua parte na inclusão enfrentando os desafios, nós também, como sociedade contemporânea que busca ser igualitária, justa, fraterna e acolhedora com políticas públicas que incluam e não segreguem, podemos dar nossa parcela de contribuição”, comenta a artesã.
Por meio do Projeto Elo Inclusivo, a família busca promover a inclusão, favorecendo as interações sociais, divulgando e distribuindo gratuitamente a cartilha. O público-alvo seria o comércio em geral, consultórios, hospitais, posto de saúde, restaurantes e bares, laboratórios, igrejas e templos.
“As pessoas com deficiência precisam agir para mudar a realidade, eles precisam ser protagonistas das mudanças. Eles sentem as dificuldades. Representantes não têm motivação a longo prazo”, observa Bárbara.
A Organização das Nações Unidas (ONU) impulsionou, na Convenção Internacional dedicada à pessoa com deficiência, o compromisso aos estados de aprimorar a inclusão da pessoa com deficiência como ser social de fato, e não mero espectador inerte. No que tange à educação, a Convenção da ONU para os Direitos das Pessoas com Deficiência prevê o atendimento educacional para todas as pessoas, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, assegurando um sistema educacional inclusivo em todos os níveis. Mas este reconhecimento surge após décadas de muita precariedade.
No entendimento da organização, a deficiência é um conceito em evolução, resultado da interação entre a deficiência de uma pessoa e os obstáculos que impedem sua participação na sociedade. Quanto mais obstáculos, maior o grau de deficiência dessa pessoa. Conforme a Secretaria de Desenvolvimento Social, a lei define que pessoa com deficiência é aquela que tem impedimentos de longo prazo (pelo menos dois anos) de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Os impedimentos podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas.
Como o processo de inclusão de pessoas com deficiência em escolas leva tempo, a família Rossi acredita que é preciso aprender a conviver e se relacionar com elas. “Cabe aqui atualizar que não são ‘pessoas especiais’, porque a deficiência é inerente à sociedade. Então até surgirem novos estudos tivemos, temos e teremos que aprender a conviver com pessoas com algum tipo de deficiência”, fala Ângela.
A artesã ainda diz que, dentre as barreiras, uma das que eles pretendem superar são as atitudinais, fazendo com que a sociedade esteja pronta para receber essas crianças nas escolas, já que sua família sente falta de acolhimento da população. Como exemplo, ela cita o caso de algum jovem com deficiência auditiva precisar de um profissional para ajudá-lo psicologicamente – até o momento, Ângela ainda não descobriu nenhum psicólogo que atenda surdos.
O Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com deficiência, considerando a população com idade igual ou superior a dois anos, segundo estimativas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2022. Esse número representa 8,9% de toda a população brasileira a partir de dois anos de idade.
COMO AJUDAR
A família possui um cronograma em que pretende distribuir cinco mil exemplares durante os meses de novembro e dezembro de 2023. Mas no momento, possui poucas impressões, feitas para apresentar o projeto, já que está em busca de um patrocínio.
Para ajudá-los a imprimir e distribuir gratuitamente a cartilha, entre em contato:
Bárbara Rossi somente WhatsApp
(em formato de texto): (11) 9 9779-0127;
Ângela Ap. Lattanzi Rossi: (11) 9 6481-3455;
Mário Rossi: (11) 9 9989-8657; Mauro Moreira: (11) 9 8368-0428.
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