4º domingo do Tempo Comum – Ano A – Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. 4Bem aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5Bem aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11Bem aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. 12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. – Palavra da salvação.
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. Lendo um tanto rápido este evangelho, poderemos ter a falsa impressão de que para entrar no céu é preciso passar pelo sofrimento e pela dor. Isso não é verdade. Sofrimento e dor aparecem em nossa vida como consequência de nossas ações ou das ações de nosso semelhante e não por vontade de Deus. Por outro lado, poderemos também ter a falsa impressão de que para entrar no céu é preciso ser pobre. Isso também não é verdade. Ao estimular a pobreza, pode-se incidir no erro de ser entendido como estímulo à acomodação. Deus não quer acomodados, mas discípulos dispostos ao aprendizado, pois, bem-preparados, melhor poderão colaborar no projeto divino. E, se Jesus assim procedesse, estaria excluindo da felicidade eterna os ricos e os remediados, para os quais Ele veio também, como se lê em João 10, 10: “Eu vim para que (todas as ovelhas) tenham vida e a tenham em abundância”.
Observe que as palavras de Jesus são “pobres em espírito” e não simplesmente “pobres”. Precisamos descobrir o significado real dessa expressão. Segundo o padre e teólogo José Bortolini, in Revista Vida Pastoral, novembro/dezembro de 2002, “pobres em espírito são os que depositaram sua confiança em Deus enquanto última instância”. Assim, se conclui que pobres em espírito são todos que observam a Palavra e se colocam a serviço de Deus e dos irmãos. Quem assim vive proclama a vida, a liberdade, a fraternidade, a partilha, a justiça e a paz. Pobres em espírito, nesta terra, foram todos os santos que hoje vivem no céu, ao lado de Deus. A começar por Nossa Senhora, podemos citar ainda: santa Isabel, rainha de Portugal, santa Iolanda, filha do rei da Hungria, santa Margarida, rainha da Escócia, são Venceslau, príncipe e duque da Boêmia, são Francisco Borja, marquês e vice-rei da Catalunha, santo Eduardo, rei da Inglaterra e muitos outros. Citei apenas os santos ricos e com título de nobreza para mostrar que todos indistintamente são chamados à santidade.
Observando o texto, podemos dividi-lo em três partes. Duas estão misturadas e sem ordem e a terceira vem por último e o encerra. Na primeira parte, reunimos “os pobres em espírito, os mansos, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz” e podemos notar que nada têm a ver essas pessoas com pobreza e riqueza, pois tanto ricos quanto pobres podem ter tais qualidades. Na segunda parte, podemos reunir “os aflitos, os que têm fome e sede de justiça, os que são perseguidos por causa da justiça” e novamente podemos notar que nada tem a ver essas pessoas com pobreza ou riqueza, pois tanto ricos quanto pobres podem passar por estas situações. Na terceira parte, existe o arremate, pois todos que foram mencionados serão bem-aventurados se a causa de sua bondade ou sofrimento tiver sido a perseverança na Palavra de Deus. Seguir Jesus nos conduz à salvação: “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
Paulo Trujillo Moreno é professor, bacharel em direito, formado em Teologia para leigos e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica.
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