2º domingo do Advento – Ano A – 1Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: 2“Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”. 3João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”. 4João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo. 5Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de todos os lugares em volta do Rio Jordão vinham ao encontro de João. 6Confessavam os seus pecados e João os batizava no Rio Jordão. 7Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? 8Produzi frutos que provem a vossa conversão. 9Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão. 10O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo. 11Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”. – Palavra da salvação.
“Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”, anunciava João Batista, filho de Zacarias e Isabel (Lc 1, 36). Ele é o último dos profetas do antigo Testamento. Vem preparar o povo para a chegada de Jesus, como anunciou o profeta: ‘Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!’ (Is 40, 3). João se apresenta ao povo no deserto da Judeia, numa evocação à caminhada de quarenta anos pelo deserto, antes do povo judeu chegar à terra prometida. O povo que aguardava a volta do profeta Elias (Ml 3, 23) acorre ao deserto para ouvi-lo e receber o batismo para perdão de seus pecados, numa grande preparação para a chegada do Senhor. Mais tarde, o próprio Jesus dirá: “E, se quiserdes dar crédito, ele (João Batista) é o Elias que deve vir” (Mt 11, 14). João é, portanto, o profeta que vem anunciar a presença do Senhor (Jesus) no meio do povo para restabelecer o reino dos céus na terra. Definitivamente, Jesus veio para fundar um novo conceito de sociedade baseado no amor e na justiça. Por isso, o povo que se dirige a João e recebe o batismo, traz a disposição de deixar a conduta de erros e recomeçar uma nova vida.
“Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar?”. João recebe os fariseus e saduceus com estas palavras ásperas, porque sabe que eles não desejam um mundo novo, construído na igualdade e na justiça. Os fariseus dedicavam-se ao estudo e observância da Lei e suas tradições. Acreditavam que o cumprimento rigoroso da Lei apressaria a vinda do Messias. Por isso, amaldiçoavam e desprezavam o povo ignorante e analfabeto, acusando-o de retardar essa vinda. O partido dos saduceus era formado pela aristocracia sacerdotal e pelos latifundiários daquele tempo. Tanto uns quanto os outros constituem a classe dominante na política, economia e na religião e não desejavam transformar o mundo porque viviam da exploração dos pobres e ignorantes. Usam os dons que Deus lhes concede para proveito próprio e em detrimento de seus irmãos. João condena toda injustiça e por isso trata-os asperamente.
Advertindo-os: “[...] toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo [...] mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”, o profeta tenta mostrar-lhes as consequências de seus atos e indica-lhes o caminho para reparação de seus erros: “Produzi frutos que provem a vossa conversão”. Jesus vem ao mundo para a salvação de todos os pecadores, inclusive dos fariseus e saduceus.
Advento é tempo de repensar a vida.
Paulo T. Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica na Paróquia São Benedito.
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