3º domingo do Advento – Ano A – Naquele tempo, 2João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos para lhe perguntarem: 3“És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?”. 4Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. 7Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões sobre João: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. 9Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’. 11Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele”. – Palavra da salvação.
“És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?”. Esta pergunta que João mandou seus discípulos fazerem a Jesus, quantas vezes gostaríamos nós mesmos de fazê-la! Também conosco acontecem as dúvidas. E quantas! Jesus, contudo, não responde ao profeta diretamente. É preciso discernimento a partir dos fatos que estão ocorrendo e por isso ele diz: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”. Jesus é aquele que vem trazer esperança aos marginalizados e restabelecer o Reino na terra porque o céu é para todos. Ele vem recolher e salvar o resto do povo de Deus que está desprezado e humilhado pelos gestores do poder econômico, político e religioso. Esta atitude direcionada, em princípio, ao povo eleito (judeu), se estenderá, mais tarde, a toda a humanidade, porque a linguagem divina é universal: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). O Pai não abandona os mais humildes, ignorantes, doentes ou deficientes, como fazia a sociedade dominante (fariseus, saduceus, escribas e sacerdotes), atribuindo-lhes a culpa pela demora da chegada do Messias. A salvação é para todos.
A dúvida é terrível porque, quando surge, corrói a vida, estremece as amizades e destrói a convivência nas comunidades. Compete, portanto, a cada um a eliminação de toda a dúvida, quer se refira a si mesmo, quer se refira aos outros ou ainda a qualquer tipo de comportamento social ou conduta religiosa. Como proceder? Quando se tratar de você mesmo, esclareça os fatos, preste contas de sua administração (Lc 16, 2), prove que sua conduta é irrepreensível (Tt 2, 8). Nunca deixe pairar dúvidas. Quando se tratar de outra pessoa, procure-a, pois apenas ela poderá esclarecer tal situação. Quando se tratar de dúvida sobre Jesus Cristo ou sobre verdades de sua religião, siga o exemplo de João Batista. Procure os sucessores de Jesus, aqueles que Ele deixou para expandir a sua missão a todos os povos (Mc 16, 15). Hoje, os representantes do Mestre são todos os batizados que assumiram seu ministério. Entre aqueles que, além do sacramento do batismo, receberam também o da ordem, hierarquicamente, estão o papa, os bispos, os padres e os diáconos. Entre os que assumiram a missão apenas como batizados, citam-se os seminaristas, catequistas e outros leigos agentes de pastoral. Estes estão mais próximos do povo; em seguida, vêm os diáconos e padres, por isso a eles temos ou deveríamos ter maior acessibilidade. A dúvida religiosa também pode ser resolvida pela extensa literatura teológica existente.
Resolva todas as suas dúvidas e viva melhor! A luz do esclarecimento recompõe a vida, as amizades e a comunhão fraterna.
Paulo Trujillo Moreno é professor, bacharel em direito, formado em Teologia para leigos e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica, em Bragança Paulista.
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